sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

Família Ody e os Figos do tio José.

 

Da semente dos avós Mathias e Ana Catarina, o tronco dos Ody de Sede Dourado.

Foi um sábado especial.
11 de outubro em Sede Dourado 
- no Boteco do Alemão.  
Mais de 150 descendentes deste verdadeiro 'tronco' 
que se fez pela semente dos avós Mathias e Ana Catarina.
Quantas lembranças vieram à tona.
Cada primo ou prima que encontrava, 
reavivava a memória de momentos inapagáveis.
E eu tive esse privilégio de reencontrar tanta gente querida.
Que os 'galhos' desta árvore, que são todos os que lá estiveram - exceção à tia Erica que permanece entre nós como única representante ligada ao tronco; possam levar adiante a geração 
dos Ody que, um dia, povoaram as roças de Sede Dourado.
Na organização Carlos e Delcio Ody.
De minha parte entro no túnel do tempo e me transporto ao que segue, como uma homenagem a todos: de avós a pais, de tios a parentes, de primos a netos. De anteontem a ontem. De hoje ao amanhã.


1

Naquele tempo quando eu tinha de 10

a 12 anos e aos sábados ia com meus pais

para Sede Dourado onde residiam

todos os seus irmãos,

quase sempre

dormíamos no tio Guido.

De lá estendíamos as visitas.

Ora no tio Arno, no tio Pedro, 

no tio Aloísio, ora no tio João

Todos hoje residentes no céu.

Nos fevereiros como agora,

não podíamos deixar de ir no tio José,

o irmão mais velho

do meu pai.

Por vezes de Jipe ou Barata Ford, 

por vezes numa

Vemaguete ou num fusca.

Saindo da geral entrávamos numa

estradinha sem saída.

O ponto final dela

dava na casa do tio José.

À esquerda uma sanga

falava - protegida por folhas

de Costela de Adão. 


Na chegada à casa do tio

era aquela correria. 

Toda vez uma galinha

se atravessava e se metia embaixo

do carro e saía perdendo as penas,

cacarejando em reclamos.

O tio José

e sua esposa Suzana Brígida

(apelido de Khita ou de acordo 

com a pronúncia alemã, Khida)

tinham muitos filhos. 

Era uma alegria contagiante.

A tia Khita ou Khida era uma dessas senhoras

baixinhas, gordinhas e “elétricas”.

Fazia duas, três coisas ao mesmo tempo

e não parava de falar um minuto. 

E era só “mein Gott”,

pra cá e “mein Gott” pra lá. 

A simpatia em carne e osso. 


Na chegada logo uns dois ou três primos

e primas sumiam. Onde teriam ido!?

Um outro de espingarda  perseguia

um galo, pé por pé – pobre galo

que à noite seria nossa carne no risoto.

2

Nas cadeiras de palha em círculo

sob pés de caqui e bergamoteiras,

começavámos a ganhar pratos e facas.

Eram para os figos.

Logo os primos e primas

que tinham sumido reapareciam.

Traziam dois, três cestos de vime,

desse vime envernizado.

Cada um deles derramando figos.

Eram os figos mais bonitos que 

me lembro até hoje,

quando aqui tento revivê-los no

Youtube da minha cabeça,

reativando lembranças que

me marcaram quando criança.

Os figos “gordos” e meio “rachados”

vinham de figueiras que se

enfileiravam morro acima, costeando

o caminho que levava à roça onde só

com carroça se podia passar ou a pé.

3

Eu gosto de figo.

Sempre gostei.

Demais!

Leva um tempinho pra descascar,

mas quando bem maduro, grande e doce

vale sempre à pena.

Também gosto das folhas das figueiras.

Sua ramagem transforma-se em ornamento 

que nunca sai de moda.

E foi por aquela lembrança

dos sábados de figo na casa do tio José,

lá aonde o “diabo perdeu as botas”

na Linha Poço Grande

- é que num sábado desses de 2018 ou 2019

fui a uma dessas casas que vendem mudas

de tudo que é fruta, e achei e comprei,

uma mudinha de figueira.

Estava na calçada da revenda.

Parecia uma criancinha abandonada

à espera de 'adoção.'

Achava  difícil vingar, mas 

a vontade de rever um pé

de figo e, ainda mais, no meu pequeno lote

de casa seria como com um número só –

em cem - ganhar uma rifa.

Com o tempo a figueira meio que caiu 

no esquecimento. 

Deixei ao Deus dará, depois de plantá-la

como o vendedor aconselhara. 

Mas, tinha poucas esperanças.

4

Com o passar dos meses a figueira

pareceu querer seguir seu curso natural,

e crescer.


Tive mais sorte que juízo porquanto

a natureza fez tudo por mim,

ou pela figueira - e ela começou

a ganhar corpo e expandir-se

para os lados. 

Se fez notar até tornar-se jovial.


De criança à adolescência a figueira levou

uns três anos – mas da adolescência

à fase adulta foi um pulo.


Hoje ela é um ser vivo que respira,

se alimenta, toma muito banho de sol,

e se refresca com a chuva. Nunca se queixa

e, ainda por cima, desde o ano passado

vem ensaiando dar frutos. Imagina só.

Talvez queira retribuir quem

a recolhera numa calçada.

Eu a trouxe,

plantei e lhe dei um pouco de terra fofa.

Recém plantada não deixava passar sede e,

o resto ficou por conta do tempo e dela.

5

De outra sorte, ou azar; quando já tinha

então meus 12 a 13 anos e passava as férias

de verão em Sede Dourado, na casa

do tio Guido, num fim

de tarde fomos em quatro

ou cinco para a fileira de figueiras 

(lá também havia ) - que

ornamentava com sua ramagem e folhas

carnudas os altos de um potreiro.

As figueiras se escoravam na taipa

de pedra erguida à mão sabe-se lá quando. 

A fartura era tanta que cada um tinha

seu pé de figo preferido e, ali mesmo,

ia tirando, abrindo e comendo. 

Não precisava nem descascar

porque os figos eram tão maduros

que a casca saía com as unhas.

Era só shheeelllllléééppp, sheellléepp e 

shhheeeeeeeellllllééééééépppp!

Crianças!

6

Fora um dia muito quente.

O sol bronzeara muitos figos.

Cada um dos primos num pé e eu

no meu, escalando cada vez mais alto,

metendo a mão, o punho, o braço,

o ombro, a orelha, a cabeça por entre

aquelas folhas verdonas.

Ah... e aquele aroma das folhas.

Eu não sei por que os figos mais bonitos

se fazem mais altos.

Na ponta dos pés na taipa,

quase querendo escorregar, eu ia

puxando os galhos, as ramagens

da figueira para perto e tirando

figo por figo. Quem me tentasse ver

– se visse, me veria vestido de figueira.

Eu ia e ia. Eu tinha que chegar à copa,

porque lá estavam os figos mais atraentes.

E pra chegar era só puxando

mais e mais as ramagens para baixo,

e elas dobravam e dobravam

- mas não quebravam.

7

Puxei, puxei, puxei, a ramagem cedeu

e cedeu sem quebrar até os figões

estarem ao meu alcance.

Quando eu levei a mão para apanhar

três figos de uma vez só, Meu Deus!

Eu sei que você também vai gritar.

Ali – a dois dedos da minha mão

e a um palmo do meu rosto,

na minha cara

– uma cobra.

“Meu Deus.

Meu Deus!”

Isso – não segure. 

Grite. 

Me ajude a gritar. Eu estou ouvindo.

Ela estava na copa da ramagem

mais alta, aquela que eu havia puxado

pra pertinho de mim.

Estaria guardando os figos

ou apenas tomando banho de sol!?

Não sei.

Era grande.

Toda enrolada.

Segurando a si mesma

– mas com boa parte do seu dorso

e a cabeça toda à luz do sol.

Confundia-se com o verde escuro

das folhas,

com as folhas mais desgastadas

– queimadas pelo sol

e com o roxo escuro dos figos.


Quando apanhado por aquela cena,

a cobra pertinha das minhas sobrancelhas

– num ato instintivo

e, surpreendentemente calmo

abri a mão e a ramagem voltou

para seu lugar.

Levou consigo os figos grandes e negros

e, ela, Graças a Deus - a cobra.

Quando me dei conta e a ficha caiu

– eu já estava no chão, na soleira da taipa

A vontade e a volúpia

por mais figos desaparecera como

num choque. Nunca mais me embrenhei

em figueiras, ainda mais sobre taipas

de pedras ardidas de tanto sol.

8

Mais de 50 anos depois continuo

gostando de figos.

E mais – admiro a árvore, as folhas carnudas

e seu verde escuro.

Das ramagens então – nem se fala.

Me encanto quando um figo

está ensaiando amadurecer.

Gosto de conferir nos fins de tarde,

se um ou outro já bronzeou o suficiente.

Me aguça a lembrança vendo os pingos

da chuva fazendo barulho sobre

as folhas da figueira e o escorrer da água.

Sinto um pequeno concerto da natureza.

9

A figueirinha que levei para casa,

hoje enfeita meu pedaço de lote.

Com sua beleza, permite apreciar mais

que uma árvore

– uma paisagem inteira que se fez

lá atrás no tempo. E se por entre as folhas

da minha figueira já adulta 

me ecoa a lembrança daquele dia

aterrorizante, deleto aquela imagem e reabilito 

uma nova,

abrindo a pasta das maravilhas

inesquecíveis onde me reencontro

em memória;

com a inquietude da tia Khita ou Khida,

com o esvoaçar das penas da galinha 

que se atravessava embaixo

do carro do meu pai

e, com a doçura, dos figos do tio José.










10

No último fevereiro,

minha figueirinha decidiu me presentear

de verdade. Quem sabe por tê-la recolhida 

junto ao meio fio de uma revenda de mudas.

É claro, não são como os do tio José.

Tios José e Brígida ou - como pronunciava minha mãe - Khita ou Khida e seus 13 filhos.

Enfim, saudades daquele tempo, 

daquele ambiente. 

Dos primos e parentes.

Do meu pai e minha mãe.

Do tio José e seus figos.

Tudo se foi.

Se foi como se aquilo,

que um dia se fez real,

não passasse de pó.

O tempo soprou as páginas da vida.

Até o pânico da cobra quase roçando 

meu cílios

-  evaporou, assim como os sonhos 

que nos fazem viver durante um bom sono.

Por acaso você lembra do que

sonhou - e pode pegar qualquer noite...

Pois é. O tempo. O tempo!

Figos iguais àqueles

do tio José e do tio Guido - nunca mais.

Me conforta, não obstante,

poder tocar a minha figueira,

sentir o perfume das suas folhas, 

sorrir ao descobrir um maiorzinho

e escuro de tão maduro.

Me conforta ainda, e, por que não; 

como o tio - também sou um José.

Ambos - Ody.

Nelci, Lisete, Cecília e Lisete Eismann
Liane, tia Erica, Marelena (Meri) e Leci (Ina)

            Que bom que a gente pode se reencontrar.

Vanderlei, Carlos, Leomar, Laércio (Ike) e Leodério;
Querino, Liane, tia Erica, Lisete e Leci (Ina)




 

 

 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Rei Pelé no Colosso da Lagoa.

 

Danton Hartmann,  Pelé, Isaac Osório e Francisco Basso Dias (Chico), ao fundo.
Foto/Ypiranga FC 



Pelé com Nilsa e Jovino Alves Martins (Reconhecido radialista)/Foto/Arquivo


Dr. Danton Hartmann, Pelé e erechinenses. ao lado do Patrono do Ypiranga na época, senhor  Hermes Campagnollo. /Foto/Arquivo



Eu tinha 17 anos. 

Estava no Colosso da Lagoa.

Trabalhava no Posto Atlantic como frentista.

Pertinho do Hotel Erechim.

Ali estava hospedado o Santos - ou melhor - 

o maior jogador de futebol da história.

Tudo girava em torno de Pelé.

As ruas Valentim Zambonato e Tôrres Gonçalves 

foram fechadas na quadra próxima ao hotel.

A segurança era quase como normal,

sem estardalhaços.

Pelé saiu para vários compromissos.

Tirou fotos ao lado de pessoas e de 

erechinenses com suas famílias.

Era um cavalheiro.

Um modesto com coroa de rei.

Ali já era um dos homens mais

reconhecidos do globo terrestre.

Nascido em família pobre e de negros,

através da sua genialidade foi coroado rei 

- rei do futebol.

As maiores personalidades políticas, econômicas,

religiosas, do entretenimento e sociais, do seu

tempo - estiveram com ele.

Pelé chegou a Erechim e foi embora deixando

sua marca nas redes recém colocadas pelas

primeira vez no Colosso da Lagoa e nos corações

dos erechinenses que conseguiram ter acesso a

ele sem cerimônias - e não foram poucos.

Pelé estava no jogo inaugural do novo estádio.

Era uma quarta-feira de lua e céu estrelado.

Antes de entrar em campo, ainda nos vestiários,

os dirigentes do Santos exigiram o pagamento

da cota para o amistoso.

Talvez o Ypiranga se programara para pagar a 

cota ao final da partida.

Dirigentes do Ypiranga correram e alcançaram 

dois cheques de 50 mil cruzeiros cada um

e aí o Santos - com Pelé em carne osso -,

apareceu na boca do túnel e, na retina do

público que estava no estádio, permanece até hoje.

Erechim, a Campo Pequeno, imaginem só, deu cama,

comida, abraços, e abriu-se para uma apresentação de 

luxo daquele que é para todo o sempre, insuperável, no

futebol.


         Pelé com Nilton Campagnolo; 
         Nilton Campagnolo, Alzira e Hermes Campagnolo. No colo de Pelé, Daniela Campagnolo Fonte: Arquivo de Família           


Repórter Dary Ivo Schaeffer (ainda sem seu famoso bigode) entrevistou Pelé. Foto/Arquivo Familia

Santos 2  x  0 Grêmio (1º Jogo)

 

Era dia 2 de setembro. 

Ano: 1970. 

Havia cerca de 60 dias que o Brasil conseguira seu maior feito no futebol mundial. A conquista da Jules Rimet em definitivo. O título da Copa do Mundo do México.

 

Jogadores extraordinários corriam pelos gramados do Brasil naqueles anos. Pesquisas apontam a seleção de 1970 como o 1° ou o 2° melhor time de todos os tempos no mundo.

 

Em Erechim o Ypiranga F. C. concluía seu majestoso estádio. Um festival de jogos foi organizado, reunindo a maioria dos maiores jogadores em atividade no Brasil. Oito deles eram da seleção tricampeã e viriam para jogar no magnífico estádio.

      

Quando o 2 de setembro chegou, Erechim tinha 48.677 habitantes. Moravam na cidade 34.517 pessoas. Dizia-se que toda a população cabia no estádio, o que jamais foi verdade e por duas razões: 1) A cidade tinha mais de 30 mil habitantes. 2) Jamais o belo estádio conseguiu receber mais de 25 mil pessoas, configurando como lotação máxima.

 

Naquela bonita noite já com ares de primavera, Colosso da Lagoa ficou longe da sua lotação máxima. Talvez por conta dos preços considerados altos para os padrões interioranos. Luiz Pungan, patrono do clube e falecido em 2017, lembrou que os carnês para o festival foram colocados à venda por Cr$ 66. Não era barato. Muita gente comprou em prestações. Mas foi um evento inesquecível.

 

O Santos venceu o Grêmio por 2 a 0. Pelé aos 45 minutos do 1º tempo e Léo aos 35 do 2º tempo marcaram os gols.

      

O gol de Pelé foi o 1.040 na sua carreira. Um repórter da equipe esportiva da Rádio Tupi (SP) conhecida como a equipe esportiva 1.040 invadiu o gramado e colocou uma camisa nº 1.040 no “rei” do futebol que também está na história do Colosso da Lagoa como o autor do primeiro gol do estádio.

      

Os times

Santos: Edevar; Carlos Alberto, Ramos Delgado (Paulo), Djalma Dias e Rildo (Turcão); Léo e Lima (Nenê); Davi, Douglas (Picolé), Pelé e Abel.

      

      

Grêmio: Breno; Espinosa (Ivo), Ari Hercílio, Beto e Jamir (Di); Jadir e Everaldo (Paíca); Flecha, Caio, Alcindo e Loivo.

      

Árbitro: Roque José Gallas.

Renda: Cr$ 200 mil



       Pelé com erechinenses e crianças./foto/Arquivo.




 Pelé com a família Zardo. Arquivo da Família Olírio Zardo.

 


Pelé com Danton Hartmann e Francisco Basso Dias da rádio Difusão/foto/Arquivo

Onde eles estavam quando Pelé esteve aqui

(Quando escrevi a história do Colosso da Lagoa e o Festival de Inauguração em 2020 - 50 anos do Colosso - falei com várias pessoas sobre onde elas estavam naqueles dias de 1970. Algumas - hoje - também já não estão mais entre nós, assim como o Rei do Futebol. Vamos lembrar onde estavam?)

 

       Em 2000 eu fundei um jornal. O J.Albet em homenagem ao meu pai – Alberto, mas que em alemão, e me acostumei assim, pronuncia-se Albet. O jornal teve vida curta por falta de apoio na cidade. As poucas edições que saíram – tratavam cada uma de um tema específico. E um deles foi dedicado aos 30 anos do Colosso da Lagoa. Naquele período ouvi algumas pessoas que deram seu depoimento sobre onde estavam há 30 anos. Reproduzo aqui, com a licença, adaptando para 2020. E colhi novos depoimentos sobre pessoas que não foram ouvidas em 2000 nos 30 anos Colosso.

 

 Prefeito vendia loteria em 1970

 Luiz Francisco Schmidt tinha 16 anos em 1970. Nasceu no dia em que Getúlio Vargas, supostamente, se matou. Jamais poderia sonhar que no cinquentenário do estádio seria o prefeito da cidade. “Sim, estive no estádio algumas vezes durante a construção e, também em ou dois jogos do festival. Não vi o gol do Pelé. Apenas ouvi pelo rádio”, recorda-se Schmidt.

Em setembro daquele ano “eu trabalhava na fábrica de móveis da minha família. Estudava no 1º ano do Científico. Também vendia loteria esportiva, recolhendo as apostas e os volantes para perfurar em São Paulo. Trabalhava também com artesanato de couro e, o melhor da vida naquela época eram os ensaios e apresentações da Banda Marcial do Colégio Mantovani”, destaca aquele que hoje não é só prefeito do município e, mas um desportista que nos últimos, não perde um jogo no Colosso da Lagoa podendo sempre ser encontrado nas cadeiras do Colossão.

 

Atlantista só viu a goleada do Botafogo

 

- Eu estava com 16 anos. Imagina. Era estudante, trabalhava e era torcedor do CER Atlântico. Gostava do que todo mundo gostava naqueles anos: cinema e futebol.

        No festival de inauguração só pude ver Internacional e Botafogo. Em setembro de 1970, Erechim viveu um grande momento de sua história. Mostrou para o Estado e para o Brasil, o dinamismo e capacidade empreendedora de sua gente aqui representada pela família verde-amarela. Nesta época, como todo mundo, eu vibrava muito com o grande momento de nossa história.

        O Colosso da Lagoa foi uma grande obra idealizada e construída por um grupo de pessoas empreendedoras com ideias arrojadas e que deixaram uma marca indiscutível neste trabalho. Sem dúvidas – o Colosso da Lagoa é uma das maravilhas de Erechim. (Júlio Cezar Brondani hoje é o presidente do CER Atlântico).

 

 Visionário e líder empresarial trabalhava na roça

 

        Quando o rei do futebol pisou no gramado do Colosso da Lagoa em 2 de setembro de 1970 – o líder empresarial e diretor de uma das maiores editoras de livros do Brasil – carpia na roça.

        Jaci José De Lazzari tinha 18 anos. Morava com os pais e irmãos em Lajeado Ipiranga no interior de Campinas do Sul. Caminhava quase 10 quilômetros de manhã para ir à escola. De tarde – no cabo de uma enxada, a roça. Aos domingos se divertia jogando futebol e nas festas de igreja.  Não conhecia nada de Erechim, mas já acalentava um sonho. Naquele ano terminaria o ginásio e queria estudar no Mantovani – preparando-se para fazer Engenharia.

- Aí os livros atrapalharam a minha vida, disse Jaci De Lazzari, fazendo uma frase de efeito. Sim, porque quem conhece sua vida sabe que foi pelos livros que o jovem colono saltou para ser um dos empresários de maior sucesso que esta cidade já viu, e por que não, talvez o maior empreendedor de Erechim pós anos 1970.

        Para Jaci De Lazzari, que acompanhou o festival de inauguração do Colosso da Lagoa só pelo rádio, lá no interior de Campinas do Sul, o estádio não foi um exagero. “As obras de sucesso não são para a sua época. O Colosso da Lagoa estava à sua frente do seu tempo no mínimo 50 anos”, afirma aquele que viria a ser chamado de “visionário” em Erehcim no meio empresarial. E não é que também aqui tinha razão! Ele seria nãos mais tarde o mentor e o executivo do Pólo de Cultura.

        

Empresário já era 'elétrico' em 1970

 

        Em 1970, Osmar Tonin, diz que já “era muito elétrico”. Quando o Colosso da Lagoa foi inaugurado – Osmar tinha 16 anos, mas já naquele tempo era torcedor do clube verde-amarelo.

        Estudante, gostava mais de futebol do que cinema. Seu hábito de fim-de-semana era igual a da maioria da gurizada daqueles anos inesquecíveis. Cine Ideal ou cine Luz – mas, principalmente, reuniões-dançante ao som dos “Beatles”.

- Tinha uma turminha onde nos reuníamos no mínimo duas vezes por semana para as festinhas animadas ao som dos “Beatles”, recorda.

        Outro hábito que o garoto de então cultivava, era ouvir programas de esporte pelo rádio. “Não perdia um Mundo Esportivo’ – programa de esportes da Rádio Erechim”, recorda.

        Formado em Engenharia Eletrônica, o Colosso da Lagoa “foi um projeto arrojado”. Segundo Osmar – que já presidiu o clube e sempre com  participação ativa  -, o estádio foi e continua sendo ainda um “ponto turístico” em Erechim.

 

Filha de fundadora viu desenvolvimento

 

        Maria Amorim Smaniotto sabia tudo sobre o Ypiranga. Filha da fundadora do clube, Ercília Di Francesco Amorim, “dona Maria” tinha 44 anos em 1970.

        Trabalhava no cartório do pai, José Maria Amorim, um dos fundadores do clube. Dona Maria já nasceu ypiranguista. Assistiu a todos os jogos de inauguração, mas não esquece de Grêmio e Santos e o gol 1.040 de Pelé.

        Para ela, o estádio não foi um exagero. “Foi uma obra arrojada e que projetou Erechim nacionalmente”.

        Mas dona Maria via outra vantagem que o Colosso da Lagoa trouxe à cidade: “O desenvolvimento do trecho compreendido entre a Praça da Bandeira e o Colosso começou com o estádio. Os terrenos se valorizaram e hoje vemos ali, grande parte do comércio. Concentra também o maior movimento de jovens. O Colosso da Lagoa foi a alavanca desta parte da cidade. Também trouxe outros eventos esportivos e culturais para Erechim”.

 

O patrono do clube

 

        Hermes Campagnolo, que foi patrono do Ypiranga F. C. era um homem de “ferro”. Tinha 58 anos em setembro de 1970. Era  casado com Pepita – com quem gerou dois filhos: Nilton Edison e José Antônio.  Entre as atribuições da época neste episódio da história ypiranguista e citadina, Hermes Campagnolo comandava a Comissão de Finanças que permitiu, graças a uma gestão de sucesso, a construção do estádio.

        Diariamente, após o trabalho na direção do Frigorífico Boavistense, Hermes Campagnolo teve durante quase sete anos o mesmo programa: seguir diariamente até o fim da avenida Sete de Setembro acompanhar as obras.

        Quando entrevistei em 2000 o dr. Hermes entendia que o  clube adquiriu um grande patrimônio e com muita competência e seriedade, “construímos um estádio com base na grandeza do Ypiranga”. Erechim ficou conhecida nacionalmente e fora do país com a inauguração do estádio olímpico – lembrando que oito campeões mundiais do México estiveram nos jogos inaugurais.

- Entendendo que o estádio significa um ponto turístico e um orgulho para Erechim – Hermes Campagnolo teve a honra e a responsabilidade de representar o clube na condição de seu patrono.


Um repórter entre os astros

 

        Osvaldo Afonso Chittolina estava há seis anos na rádio Erechim. Fora levado pelo narrador Edivar Francisco Ápio. Em setembro de 1970 – aos 26 anos – Chittolina abriu o mês com uma missão inesquecível para quem estava acostumado a cobrir o nosso futebol doméstico.

        Na pista do aeroporto, o intrépido repórter rompeu a discreta segurança e colocou o microfone na boca de Pelé. O maior jogador de futebol que o mundo já viu, recém estava contando as diabruras que fizera havia menos de dois meses pelos gramados do México.

J. B. Scalco, (já falecido) um dos maiores fotógrafos jornalísticos que o país já teve, imortalizou a cena do jovem repórter interiorano com o “rei’ do futebol”. No dia seguinte, Osvaldo Afonso estava nas páginas da Folha Esportiva da capital e, claro, pelo Brasil porque aonde Pelé seguia, as objetivas iam atrás.

        Chittolina contou-me em 2000, que de abertura do mês de setembro as rádios só falavam no evento. “Passei uma semana entrevistando jogadores famosos (Pelé, Tostão, Jairzinho...), dirigentes, autoridades”. Quando Pelé fez o primeiro gol no Colosso, Osvaldo Afonso saiu correndo atrás do repórter da Rádio Tupi, invadindo o gramado. Era a marca do verdadeiro repórter.

        Na opinião do repórter, o Colosso da Lagoa poderia ter sido feito um pouco menor, permitindo que o restante da infra-estrutura de lazer também fosse implantada. “O estádio projetou Erechim. É raro receber um visitante que não pergunte para ir ver de perto o estádio”, acrescenta.


Futuro reitor da URI acompanhava pela Difusão


Cleo Joaquim Ortigara, já era casado em 1970. Residia em Frederico Westphalen, onde lecionava e estudava. Antes disso, em 1961 e 1962, foi aluno no Seminário Nossa Senhora de Fátima. “Lembro bem que a Sete de Setembro, em frente ao Seminário, ainda não tinha pavimentação, muito menos asfalto. Onde foi construído o Colosso da Lagoa era um descampado, um banhadal. Lembro da rivalidade entre Ypiranga e Atlântico. Soube sobre o estádio pelo Correio do Povo. Sempre que possível ia ao estádio, gostava de esportes. De 1990 até deixar Erechim acompanhava de perto os diferentes momentos do Ypiranga. Meu rádio estava sintonizado na Difusão. Pessoalmente, não interagi mais com o clube por pura falta de tempo”. (Cleo Joaquim Ortigara – membro do Grupo Tarefa que implantaria a URI em 1992; de 1990 a 1992 foi coordenador dos Centros Integrados do Alto Uruguai e das Missões, e primeiro reitor da URI de 1992 a 2002).

 

Ypiranga no sangue

 

Eu tinha 16 anos no dia 2 de setembro de 1970, recém o Brasil havia se sagrado Tri campeão mundial no México. E Erechim estava recebendo quase todos os titulares daquela que foi a melhor seleção brasileira de futebol de todos os tempos. E tinha o Rei! Pelé já era reverenciado em todo o planeta, era marca de produtos brasileiros, referencia mundial no futebol. E estava ali, na nossa cidade, no nosso estádio que estava sendo inaugurado para orgulho dos erechinenses.

Eu estudava o primeiro ano do curso científico no Colégio Estadual Professor Mantovani no período da manhã e simultaneamente cursava Contabilidade à noite no Colégio Medianeira.

Assisti ao jogo Grêmio e Santos na quarta feira dia 2. No dia 06.09.1970, eu completava 17 anos, e fui ver Internacional e Botafogo. Na outra quarta-feira, dia 9, o professor (não vou citar) que não gostava de futebol, prometeu dar zero na nota para quem faltasse à sua aula para ir ao futebol! Depois ficamos sabendo que ele ficou sozinho na sala de aula naquela noite. Era o Cruzeiro de Tostão, Piazza e Zé Carlos, timaço contra os argentinos do Independiente.

Passaram 50 anos....Nesse meio tempo ( foi ontem!!!!) dediquei alguns anos de minha melhor idade para dirigir o Ypiranga Futebol Clube. Três anos como presidente e, muitos outros em outros cargos diretivos. Muito prazer me deu, nosso grupo de trabalho era grande e entusiasta!

E o Canarinho aí está, hoje competindo à nível nacional sob a presidência do nosso querido amigo Adilson Stankievicz, melhor presidente da história recente, pela sua inteligência, sensibilidade, dedicação e paixão com que se dedica ao nosso Canarinho! Feliz em estar acompanhando essa história de sucesso, parabéns jovem Colosso da Lagoa pelos seus 50 anos, parabéns Ypiranga FC! (Antonio Luiz Dal Prá – da Família Dal Prá – ypiranguistas históricos).

 

Presidente do Conselho – Célio Fahl


Quando da inauguração do Nosso Colosso da Lagoa, que chegou a ser chamado de “Estádio Olímpico”, minha Família tinha um estabelecimento comercial (bodegão), chamado Bar Amarelinho, na Avenida Pedro Pinto de Souza - próximo à Praça Dalto Filho. E como não poderia deixar de ser, o comentário futebolístico na época era, além do Tricampeonato do Brasil no México e da supremacia do Atlético Mineiro no Robertão, era a inauguração do Colosso da Lagoa, ou melhor....a vinda do Rei Pelé para Erechim.

Pois bem, chegou a data, numa quarta feira de clima maravilhoso, a cidade em polvorosa, fomos - Eu e meu Pai - ao grande espetáculo....ver ao vivo, o famoso time do Santos FC, e principalmente o REI PELÉ. E lá estava Ele, com seu uniforme impecavelmente branco (pois craque termina o jogo sem sujar o uniforme ) brilhando no gramado, também impecável , do todo majestoso COLOSSO DA LAGOA. E o maior atleta de todos os tempos, Pelé, deixou sua marca anotando um belo gol na goleira à esquerda das cadeiras sociais, e tido como o de número 1040.

Esse é o fato histórico, que minha Família me proporcionou, pois lembro que meus Pais fizeram uma mágica tamanha para que isso acontecesse, em razão das dificuldades econômicas do momento. Mas o fato inusitado do chamado Festival de Inauguração do Colosso da Lagoa, como assim foi chamada a sequência de jogos que aconteceram, se reporta ao domingo pós inauguração, quando minha segunda paixão futebolista - o SC Internacional - enfrentou o também poderoso Botafogo do Rio de Janeiro. Expectativa enorme...dois grandes times, o goleiro do Inter - Gainete - há mais de 1000 minutos sem tomar gols. E daí....como fazer para assistir esse jogo, se o dinheiro faltava. Lá foi o Chico (Célio Fahl) para o Estádio, com a cara e a coragem. Após muita negociação com o porteiro, o mesmo possibilitou minha entrada no intervalo do jogo, e com muita tristeza, e abaixo de um temporal, assisti o meu Inter perder de 5x2 para o Botafogo. Esses momentos são inesquecíveis, pois lembram nossas Famílias, nossas dificuldades, nossas histórias, nossas vivências, nossa cidade, nosso futebol, mas principalmente o maior espetáculo de todos os tempos - A VIDA. Vida longa ao Nosso Ypiranga, vida longa ao Nosso Colosso da Lagoa, e principalmente....Vida longa para nós.


Gerente da Difusão 'caçava' autógrafos no aeroporto

 

Luis Antônio Badalotti, gerente da rádio Difusão, Guido pela mão do pai Idylio Segundo Badalotti, viveu intensamente o setembro de 1970. Ainda mais que sua família era uma vertente de saudação ao futebol. Seu pai fora inclusive árbitro de um

Atlanga que acabou “em paz”, algo raro nos anos 1960. Além disso, outros familiares do ramo/Badalotti sempre participaram ativamente do futebol erechinense e, muito familiarizados com o 14 de Julho.

Lembra daquele setembro de 50 anos atrás: “Das idas ao nosso aeroporto na busca de autógrafos dos ídolos, até e, especialmente, por ter estado em todos os jogos da inauguração do Colosso da Lagoa. Fui um dos milhares de torcedores, de todas as idades (eu com 8 anos), que acompanhou extasiado os jogos. Em 2 de setembro de 1970 estava nas arquibancadas do Colosso onde testemunhei Pelé fazer o primeiro no novo estádio”.

 

Presidente ainda em fraldas

 

Quando do festival de inauguração do mais belo estádio do interior gaúcho, o atual presidente do clube, Adilson Stankiewcz, andava de fraldas. Contava com apenas 2 anos e 3 meses. Obviamente, o mundo era o colo da minha mãe, as brincadeiras com meu pai, e a espera pelo meu irmão André, que nasceria em 23 de outubro (mesmo dia e mês de Pelé) de 1970. Meu pai tinha a Casa do Rádio, na rua Aratiba, bem pertinho da estação rodoviária, que ficava no mesmo prédio do Hotel Rex. Fazia consertos de TVs e rádios a válvula, e eletrolas, aparelhos caros e um tanto raros, e também vendia estes produtos, principalmente para os agricultores que vinham para a cidade desembarcando do ônibus na rodoviária. A TV ainda era preto e branco, a TV a cores só chegaria em 1972.

    Na verdade o futebol sempre esteve no “sangue” da família. As décadas de 1960 e 1970 foram riquíssimas em clubes de futebol na cidade e no interior, que eram a melhor, senão a única diversão das famílias no final de semana. A equipe da família era o Minuano F. C., e o campo ficava nas terras do meu avô. Nós morávamos logo na entrada do campo, e os atletas eram os tios e vizinhos. Todo domingo jogos, triangulares, quadrangulares. Pessoas circulando, comprando bebidas na copa: cerveja coberta por barras de gelo e serragem para manter o gelo por mais tempo. Campeonato de pênaltis na goleira suplementar. Prêmio uma ovelha e uma caixa de cerveja. 

   Erechim contava com muitas equipes assim, mas as maiores eram o Ypiranga, o Atlântico e o 14 de Julho. Estes faziam história disputando os campeonatos estaduais e fazendo embates históricos nos campos de Erechim. A cidade respirava futebol, todos esperavam os confrontos do final de semana.

    Houve um período no início da década de 1980, em que o Ypiranga estava parado, mas o Colosso era usado para os campeonatos municipais. Jogar lá, assistir os pais jogar era incrível. Ver o tio Lau fazer defesas na mesma goleira que o Pelé marcou o gol 1040, era mágico. Depois, ver o desfile de grandes jogadores como Paulo Gaúcho, Luis Freire, Aílton, Moreno, Mabília, Menezes... sem contar o pessoal da região Jussie, Quadros, Scolari, Ildo, Perin, Marasca, Gerson, Hermes, Clóvis, e tantos outros que eram nossos amigos e vizinhos. Fica nosso reconhecimento a todos os abnegados que fizeram esta linda história, dos fundadores, aos construtores, ex-presidentes, diretores e torcedores, cada um deu o que tinha de melhor por este grande clube.

   Enfim, se apaixonar por este templo do futebol brasileiro é muito fácil. Muita gente diz que o endereço Av 7 de Setembro, 1932, é sua segunda casa. Alguns gostariam de ser enterrados atrás das goleiras para assistir os jogos eternamente, como se isso fosse possível. Ser ypiranguista é ter orgulho de ter um estádio em que cabia toda a cidade na sua inauguração. É ter orgulho da sua casa ter sido inaugurada por um gol de Pelé. É saber que você tem uma história quase centenária, recheada de sacrifícios, algumas derrotas e grandes vitórias. E que esta história ainda tem muitas páginas para ser escrita.

 

EU E AQUELES DIAS

No dia 2 de setembro de 1970, quando foi realizada a primeira partida de futebol no Colosso da Lagoa, eu estava a 16 dias de completar 18 anos. Trabalhava no Posto Atlantic do “Seu Abílio (Machry)”. Era frentista. Comprei um carnê de Cr$ 66 para todos os jogos do festival na Banca da Salete, no canteiro central da Av. Maurício Cardoso, em frente ao Cine Ideal e ao Café Grazziottin.

Do posto de combustíveis testemunhei toda a movimentação no entorno das delegações que se hospedaram no Hotel Erechim. A multidão, quando da estada do Santos, tomou todas as ruas próximas. Um dia, o famoso Nocaute Jack, massagista da seleção brasileira e do Cruzeiro, apareceu de abrigo branco no Posto. Tinha uma lista de marcas de cigarro para comprar, porque os atletas não saíam do hotel. Grande figura humana. Deu atenção a nós, funcionários/frentistas.

Em nenhum dos jogos do festival de inauguração, o estádio recebeu sequer a metade da sua capacidade. Falavam que o preço era muito alto. Mas em Grêmio e Santos deu umas 8 a 10 mil pessoas. Sentei quase na linha divisória do campo nas arquibancadas. Era uma noite de lua clara.

Pelé fez o primeiro gol no final do primeiro tempo, na goleira que dá para o centro da cidade. Um repórter da Rádio Tupi invadiu o campo, entrevistou Pelé, que jogou o restante da partida com uma camiseta de número 1040 – o prefixo da emissora. Osvaldo Affonso Chittolina, o intrépido repórter da Erechim correu atrás também.

No domingo, 6, a chuva começou no início da tarde e foi aumentando até virar aguaceiro intermitente quando Inter e Botafogo se enfrentaram. Assisti sob guarda-chuva, em pé atrás da goleira que dá para o centro, o Botafogo golear o Inter por 5 a 2. O público era muito pequeno. Quase todos abrigados nas sociais - cadeiras ou sob a marquise no pavilhão social.

No domingo  seguinte, 13 de setembro, o tempo bom estava de volta. E com ele apareceu o melhor futebol que o Colosso da Lagoa viu em seus 50 anos. O Cruzeiro de Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes e Tostão, passeou diante do Independiente (ARG) com um clássico 3 a 0 e jogou com uma técnica fora dos padrões normais.

Depois vi muitos Atlangas, quedas do Ypiranga para o Acesso, voltas à Divisão Principal, brigas campais, o Canarinho na Copa do Brasil, nas Série D e C do brasileiro, vi jogadores bons e ruins, atletas que vestiram a camisa e honraram o clube e, invariavelmente, uma presença de público que deixava – e  ainda deixa – na sua maior parte de eventos quase sempre muito vazio o estádio considerando sua capacidade. Isto desde quando a cidade tinha 34,5 mil habitantes (setembro de 1970) ou no século 21 quando a população é de pouco mais de 105 mil pessoas. Sem dúvidas, este é o grande ponto negativo que se atrela ao majestoso estádio, em quase 50 anos.  Não por culpa do próprio e nem de quem o projetou e construiu, mas porque esta parece ser uma sina que persegue os clubes de futebol do interior do Estado e de resto do Brasil. As grandes marcas do futebol concentram, cada vez mais, as atenções quase totais das entidades diretivas do futebol, da imprensa e dos torcedores. E olhando-se o panorama do futebol sob este aspecto desafiador, o Colosso da Lagoa cresce ainda mais em curiosidade e importância no cenário nacional.

O festival de inauguração do Colosso da Lagoa foi sem nenhuma dúvida o maior acontecimento esportivo nos 100 anos de Erechim. Imagine você a cidade receber hoje seis dos principais clubes do país e entre eles oito titulares da seleção brasileira! Isto é impossível até porque os titulares da seleção hoje jogam fora do país. E o custo?

Erechim devia tratar melhor o Colosso.

Ir aos jogos.

Bater fotos da família no Colossão.

E o que dizer daqueles que tiveram a idea?

Levaram-na adiante.

A tornaram realidade.

Há certas coisas que não voltam mais.

Como aquela ambição.

Aquele projeto em execução.

Aqueles meus dias. 

Dias de cabelos.

Encaracolados.

O tempo. 

O tempo é inexorável.

Morre Edson Arantes 

do Nascimento.

Pelé nunca morrerá na memória

do futebol.

De ontem.

De hoje.

De amanhã. 

De sempre. 

 

 

 

 


 

 



 

 


segunda-feira, 14 de novembro de 2022

O sucesso da 23ª Feira do Livro

 

Membros da AEL (Neivo, Helena, Zeni, Cleusa, Neusa, Lucia, Monalise, Gleison e Arnaldo) na abertura da 23ª Feira do Livro (Foto/AEL)

Já havia um sinal no ar sobre o sucesso da Feira do Livro deste ano, inserida na Cidade da Cultura e na Frinape, quando do lançamento do evento no Centro Cultural 25 de Julho. A eloquência do patrono - o professor e confrade da Academia Erechinense de Letras (AEL), Neivo Zago e, o homenageado especial, também confrade da AEL – Ermindo Silva; deixaram este sinal nas suas manifestações.

Prefeito Paulo Polis (Foto/AEL)

Ermindo Silva, homenageado especial (Foto/José Ody)



Presidente da Câmara de Vereadores, Dal Zot, secretária de Cultura, Carla, patrono da Feira de 2021, maestro Gleison, patrono da feira 2022, Neivo, presidente da AE, Lucia e prefeito Polis. (Foto/Monalise/AEL)



Guiomar e seu esposo o patrono Neivo com a presidente da AEL, Lucia Pagliosa (Foto/AEL)

Seguiu-se depois um mergulho do patrono em busca de brindes, o pedido por livros a serem trocados ou doados na feira e o desafio gramatical Quizz, que acabaram por asseverar na prática o que se prenunciava. Some-se a essas iniciativas pessoais do patrono – um bom engajamento do poder público e de membros da AEL, também sempre solícitos, disponíveis e parceiros, o que demonstra o comprometimento de todos com um evento que também de todos é.

Interesse pelos livros atrai leitores (Foto/AEL)

Resta agora o público em geral continuar comparecendo em grande número na Cidade da Cultura e na Feira do Livro, especialmente nesses dias que estão por vir, que anunciam-se de clima seco e, por isso mesmo, mais convidativos, não deixando margem para que sejamos minimamente solidários com a própria entidade a quem cabe, em instâncias mais detalhadas, fazer o evento acontecer e mantê-lo vivo e atraente até o final da Frinape.  


Neusa Garcez e o patrono Neivo (Foto/AEL)

Cleusa Nehring e o patrono Neivo (Foto/AEL)

Banner com os membros da AEL. (Foto/AEL)
 
Destaque-se ainda o fundamental  envolvimento do Sesc – Unidade de Erechim. Sua presidente, Sandra Mariga Bordini, é a coordenadora da Cidade da Cultura que desempenha um papel fundamental nesta feira regional – incentivando de forma elogiável todas as manifestações da arte, como é o caso do grupo Tribu Di Arteiros do município de Morro Reuter. Enfim - Erechim vive mais uma Frinape. Portanto, "Viva o seu tempo", como diz o tema da 23ª Feira do Livro.

Sandra Mariga Bordini (Foto/AEL)


Tribu Di Arteiros na Cidade de Cultura e Feira do Livro (Foto/AEL)

 
                             

Nota: A maioria das fotos identificadas como autoria AEL - são da confreira Zeni Bearzi.