segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Privilégios são para poucos

 

Edir Bisognin Goelzer (dona Edir)
Crédito: ArquivoFamília


À saída da missa de 7º dia da esposa Edir, no gelado sábado passado (9) no Santuário de Fátima, o dr. Jorge Lisboa Goelzer, ainda no interior da igreja - com os olhos marejados murmurou quase como um pedido de socorro ao meu ouvido: “não é fácil, não é fácil. Eu chego em casa e olho aquele sofá...’ Limitei-me ao abraço fraterno e solidário, como se isso pudesse dizer alguma coisa – porquanto falar – me foi impossível. Não encontrei nenhuma palavra. Fui um dos últimos a me achegar e depois dali cada um seguiu para seu sábado à noite. Para o dr. Jorge, assim aos seus filhos Jorge Luis e Paulo Roberto, às noras e netos, por certo, foi um sábado ainda de ausência – mas não deixou de ser um certo conforto, imagino, contar com a presença de muitos amigos.

Durante a semana em uma consulta médica, falei com o dr. Milton (Serpa) de diferentes assuntos e, como não podia deixar de ser, um deles foi sobre e a semana anterior – quando convivemos com inúmeras perdas de pessoas muito conhecidas. Até onde me lembro, a cidade jamais tivera semana tão avassaladora quanto à perdas - exceção feita à tragédia do ônibus que caiu na Barragem da Corsan vitimando 17 pessoas em 2004.

Edir Bisognin Goelzer, mãe Edir, tia Edir, para mim, dona Edir.

Sou de um tempo onde as mães tinham 10 filhos, alguns casos duas dúzias, ou... Alguém haverá de lembrar de uma mulher com até 15 ou sei lá.

Dona Edir (como a trato neste texto), teve uma história incrível, invertendo a própria lógica que se historia tempos afora. Sim, porque não raro se ouve sobre uma mulher que ‘teve 20 filhos... contando os adotivos’. Mas a inversão da lógica pela dona Edir se dá na medida em que dezenas e dezenas de crianças viraram adultos, e viam nela, sua mãe. Quer seja a principal, a adotiva, a mãe de fato ou mãe da redenção, do sustento, da salvação... mãe de toda hora, mãe do amor. Mãe para sempre. Entre essas, uma saiu do berço hospitalar para a residência dos Goelzer. “Eu sempre chamei a dona Edir de mãe”, recorda Priscila. Enfim, todas elas – privilegiadas.

Eu sei que a recíproca da dona Edir era a mesma para com suas crianças, mas caso pode ter havido onde ela, em não conseguindo lembrar de todos – certamente todos, um dia, uma hora, um tempo ou até hoje... ou por todo o tempo, dela se lembram, lembraram ou lembrarão.

Filha de um médico afamado também por sua humanidade dr. Bisognin, dona Edir saiu de Severiano de Almeida e, nas salas de aulas descobriu e lustrou sua vocação, sua prioridade, seu destino, seu amor: as crianças.

Foram 33 anos na presidência do Lar da Criança e outros tantos alcançando cerca de 40 anos na instituição. Não por acaso o ‘lar’ chama-se já algum tempo ‘Lar da Criança Edir Bisognin Goelzer’, um reconhecimento do qual sempre se orgulhou - sem jamais deixar de reconhecer que a obra sempre teve muitas mãos.

Se o dr. Jorge fez fama e é conhecido por sua eloquência ao ser inquirido a se pronunciar – para equilibrar a gangorra no lar dos Goelzer, dona Edir anda em sentido oposto neste particular. Lembro, se a memória não me trai, quando estive em sua casa à convite dr. Jorge, para com outros colorados assistir a caminhada do nosso Internacional na Libertadores de 2010. A cada pouco o dr. Jorge saía com um "mãe... olha quem chegou. O Ody, mãe..." e logo, "mãe... o pessoal quer bebericar mãe, mãe - quase gol do Inter... Ah, não Ody... fica... Mãe vem dar tchau, o Ody acha que está dando azar e quer ir embora, ahahahah". Ou seja: seu inconfundível 'mãe' - estava no dia à dia com sua Edir.

A mim ela sempre foi uma mulher simples, humilde, que atraía pelo carinho sem abrir a boca. Sabia ouvir como poucos. Fitava como outros tantos poucos. Jamais alguém lhe dirigiu a palavra, ou ao seu esposo, sem que dona Edir permanecesse atenta e de olhos em quem falava. E isto se chama respeito. Educação. Prestígio. Incentivo. Exibia um sorriso que, para não descrever muito, permaneço no meigo. Sabia cativar. Na mesma balada me intrigava seu silêncio, absurdamente gritante - barulhento.

Sempre muito bem vestida e arrumada – deixava escapar um sutil perfume das mulheres de antigamente que escondiam a luxúria, como se numa caixinha, onde, ao se abrir; o aconhego, um ar de admiração, o charme e a elegância que acompanham as grandes de verdade – podiam ser quase tocados como numa valsa tendo por par, a discrição. Só não o eram, tocados, para não desfazer a doçura do semblante – quase uma marca que dona Edir trazia consigo.

Difícil crer que poderia haver algo superior – muito mais, por trás daquela fantástica mulher, de aparência quase frágil, como era possível notar num Baile da Sobremesa no Clube do Comércio, ou à saída ao final de uma das missas na catedral São José aos domingos pela manhã, quando raios do sol lhe pareciam cair e iluminar mais que bem – para si. Pois, dizia, difícil crer que uma mulher assim tornar-se-ia ainda mais fantástica ao abraçar com tudo que tinha e era – uma ‘Obra’ como ‘O Lar da Criança’ onde tudo sempre necessita ser reposto. E se uma coisa não pode faltar, por um dia sequer, é carinho, é presença, é mão estendida, é amor – especialidades dessa grande mulher.

Longe de qualquer comparação, não obstante, me vem à lembrança, uma frase, um conceito que se credita à Madre Teresa de Calcutá, como palavras suas: “Menos lábios – mais mãos”. E, talvez nesta máxima, dona Edir virou ‘mãe Edir, tia Edir...’ de um, dez, cinquenta, ou conte-se quantas dezenas se queira acrescentar ao longo de quase 40 anos de comprometimento com essa causa que se coloca no altar mais elevado, mais puro e santo, dentre todos que se possa homenagens render.

algum tempo saiu um livro sobre as 100 maiores personalidades de Erechim – onde é resgatada, de forma objetiva pelo grande historiador Enori Chiaparini, a história de cada uma delas. Há pouco tempo saiu outra obra sobre as mulheres de Erechim. Em ambas – encontramos pessoas de feitos memoráveis para edificação desta terra. E isso é positivo, pois em assim sendo, a história não desmaia em ‘definho’ pelos cantos da vida. Sob este particular, observe-se a participação da Academia Erechinense de Letras, no livro das mulheres, onde ali também está breve histórico da dona Edir.

Como somos impotentes para mudar o curso dos fatos já ocorridos, diria ao dr. Jorge, mesmo sentindo a dor da ausência da “minha namorada” ou "mãe" - como acostumou-se a tratar ‘sua Edir’ por cerca de 70 anos – que resigne-se, juntando afagos de seus filhos e netos, companheiros de Lions e amigos, resigne-se junto a Deus – ao Criador como gosta de mencionar e, eleja o sofá agora vago, como um um templo a expor não tão somente a lembrança da sua ‘eterna namorada’, mas que identifique também ali a obra que a esposa Edir, a mãe Edir, a Edir vó, ou simplesmente tia Edir ajudou a plantar, construir e manter – com dezenas ou centenas de ramos que hoje adultos, um dia crianças que por lá passaram.

O tempo não fará parada e avançará sobre si mesmo.

E, um dia – chegará o dia -, onde Edir Bisognin Goelzer será vista, tratada e reconhecida como uma lenda. Quem viver, verá.

Eu que não estarei mais aqui para tanto, já me antecipo e reconheço já hoje, nesta singela homenagem - esta meiga, discreta e notável mulher – como uma lenda.


O tempo é inexorável.

Assim também a separação.

O adeus é para todos.

Privilégios são para poucos.

Dona Edir agora está nos braços de 

Nossa Senhora do Desterro.

 

sábado, 9 de agosto de 2025

Os agostos de ontem!

 

Banda Marcial do Colégio Mantovani
Crédito: Banda Marcial
 

I

Eu sempre considerei os agostos, setembros e ainda os outubros os meses mais bonitos do ano.

Sim – porque são a aurora da primavera/verão. 

E, claro, a certeza que o inverno fica irremediavelmente para trás.

II

Me desperta, agora, no entanto, uma lembrança que só percebi ontem quando estive de passagem pelo inesquecível ‘JB’.

Uma mocinha já, vestindo a rigor o inapagável traje da Banda Escocesa, me arremessou aos agostos de 1964 a 1969 quando fazia o ginásio e depois o 2º grau lá no Mantovani.

Aqueles agostos tinham dias de intenso calor.

Era o calor dentro do inverno.

III

Como havia ânimo nas turmas onde as gurias não paravam de ajeitar as diademas, enquanto a piazada alisava os cabelos molhando a palma das mãos na pia dos banheiros!

Nos espelhos lambuzados e manchados, se miravam.

Espremiam espinhas e faziam um último traquejo antes de sair.

Fica melhor assim - ou assim? - era a pergunta que não queria calar e impedia a saída do banheiro. 

 IV

Sim – havia um ânimo rejuvenescido naquelas carinhas porque simplesmente depois dos recreios daquelas semanas de fim de agosto, que eram como a margem do 7 de setembro,  alguém da direção haveria de bater à porta, depois do recreio, assim que o Gino ou o Barp, a Geni ou o Rabello, o João Komosinski ou o Zambonatto, o Generalli ou o Elídio... ou o Adroaldo, estivessem no meio da chamada.

V

O assistente bateria à porta e passaria a ordem: - Professor... bom dia. É para os alunos se dirigirem ao pátio. O senhor pode liberá-los.

Minha Santa Mãe do Céu!

E antes que alguém no fundo se adiantasse com um ‘... é pra levar os livros?’ – o próprio auxiliar (o seu Dalla Costa ou o querido ‘Cebolinha’!) emendava: - É para deixar os livros na sala e pegar depois.

VI

Nossa Senhora de Fátima, era bom demais.

Dois períodos sem aula!

Quase duas horas – das dez e pouco até o meio dia sem catetos ou hipotenusas; orações subordinadas substantivas completivas nominais e agentes da passiva.

VII

Era uma graça de Deus.

Um presente.

Uma dádiva.

Uma benção que vinha de quem tomava aquela sábia decisão de interromper as aulas e mandar todo mundo para fora das quatro paredes enfeitadas de cartazes mal acabados, e tortamente pendurados, onde o papel laminado verde e amarelo se contorcia e já vergava.

VIII

Para o pátio; marchar.

O Brasil tinha futuro.

Nós – éramos o futuro da Nação!

IX

Aquelas manhãs de agosto quando nos postavam sempre atrás de um mais alto, e todos, atrás de um bumbo da Banda Marcial, as manhãs de fim de agosto permitiam que se passeasse pelas ruas das redondezas do Mantovani, afundando o calçamento com o Vulcabrás: um, dois/um, dois; esquerdo, direito/esquerdo, direito. – Olha a cobertura! Não vira essa cabeça pro lado...! Acerta esse passo José Adelar – não sabe nem marchar – ôôô... mocorongo! Levanta essa cabeça ô...ô... um/dois; esquerdo/direito; um, dois...

X

Muito mais do que ‘matar’ dois períodos com enchimento de caderno (a gente sempre vê as aulas assim quando se é aluno), muito mais mesmo, era poder varar a brisa com a cara cheia de espinhas e torcer para que a guria, aquela da coluna à esquerda, ali da frente, disfarçasse com um ajeitar de diadema, e volvesse a cabeça e nos desse de presente, seu olhar mais pontudo, mais certeiro, mais atiçado, mais desafiador, mais estonteante, mais apelativo, desconcertante e convidativo e, mais cegueiro até do que os raios do sol da manhã de quase primavera/verão. Olhar que flechava, furava, cravava, doía – mas como era oportuno e cabido, disputado e lembrado. Ai – que saudade!

XI

Um/dois; um/dois; esquerdo, direito...!

Que se marchasse até depois do meio dia... por mim... com ela lá na frente que se suspendesse todos os almoços e se entrasse tarde adentro: parrrmmmm – pá/pá – paparrmmmmm – pá/pá...! 

E ela lá – e a gente cá!

Parrmmmmmm – pa/pá – paparrrrrmmmmmmm – p/pá!

XII

Entre um e outro esquerdo/direito, a dona de casa, já meia gorda e desajeitada, vestida de igual toda a semana, mal penteada, prisioneira da rotina,  cuia à mão, deixava os panos de lustrar e se debruçava na janela da casinha de madeira recém pintada para ver a banda com o seu séquito juvenil - que fazia treinar para o 7 de setembro.

XIII

Quais seriam as saudades daquela mulher de olhar perdido por entre nós?!

XIV

O ar quente subia do calçamento que nem vapor e o suor brotava sob os cabelos, vinha pelas têmporas e descia pelas costas, bundas... pelas canelas. Um/dois; um/dois; esquerdo/direito; esquerdo/direito... pammm/papa/pamm! Um/dois; um/dois...

XV

O tarol, o bumbo, o prato, a caixa, o sol, ah o sol das onze e quarenta e um, os clarins, o suor na testa manchando a vista, não eram suficientes e nem maiores que o olhar firme para ela, ela ali na frente, magrinha, de feitura aparentemente frágil, porém inquebrantável e doce, de olhos brilhantes como diamantes e que via uma das suas meias escorregar e descer pela canela a cada... um/dois; esquerdo/direito..., sua saia marinho  e plissada a balançar,  enquanto com uma das mãozinhas tentava arregaçar as mangas da blusa branca de tergal deixando os bracinhos finos, crispados de pelinhos negros se acariciarem pela brisa, ou então ainda,  num gesto rápido para fugir aos olhos da professora, buscava firmar a diadema que teimosamente insistia ficar em desalinho, em desequilíbrio, quase a despencar contra o solo sob as solas dos sapatos de mulher.

XVI

Um/dois; esquerdo/direito; Um/dois...!

XVII

Os agostos ainda vêm e vão, mas aquelas manhãs que faziam os joelhos tremer, a mocidade vibrar... onde a educação era um caso de amor, e de amor eram os casos... Aquelas manhãs ficaram penduradas nos quadros da vida de cada um.

E, numa das paredes da minha vida – contemplo este quadro dos agostos de ontem, toda vez que o 7 de setembro se ensaia e, em especial, o agosto nos bate à porta da vida, das lembranças e... entra.

sábado, 24 de maio de 2025

Um reencontro para relembrar uma bela história

 

Com Macedo, Sonia e Cristina Macedo

A chuvosa noite de domingo passado, 18, foi completamente incomum para mim. Sim, porque, surpreso, recebi com muita alegria o meu colega e amigo de início de carreira no jornalismo, Antonio Carlos Macedo, da rádio Gaúcha. Ele e a esposa Cristina pernoitaram em Erechim, rumo ao Paraná. O Macedo está de férias e fez questão de parar em Erechim, onde nos reunimos com as esposas para jantar e matar saudades.   

Foi uma oportunidade rara para, com tempo, relembrar passagens de quando trabalhamos juntos na Central do Interior da então cobiçada Companhia Jornalística Caldas  Júnior (CJCJ, e sobre as mudanças sofridas pela imprensa até os dias de hoje. 

Na mesma sala estivemos de 1977 a 1981 – 5 anos. 

Durante um bom tempo desse período fomos responsáveis por cobrir o futebol do interior para o Correio do Povo, Folha da Manhã, Folha da Tarde e Rádio Guaíba.

Para quem lê ter uma ideia muito clara ao pensar sobre o tempo, naquela época o correspondente de Bento Gonçalves nos alertava que nos treinamentos do Esportivo, se destacava um jovem com futuro muito promissor no futebol. Seu nome - Renato.

No início de 1981 eu deixei a empresa para retornar ao interior, enquanto o Macedo já estava integrado à equipe esportiva da Rádio Guaíba, comandada por Armindo Antonio Ranzolin. Junto com ele os comentaristas Lauro Quadros e Ruy Carlos Ostermann.  

Bola estática do Colosso da Lagoa.
Obra de Reinado Sart

Com esta mesma equipe viria a trabalhar na Rádio Gaúcha, onde destacou-se, na minha opinião, como o melhor repórter esportivo do estado. Sendo sincero e sensato, até hoje não tivemos substitutos para esses quatro.  

O Macedo cobriu Copas do Mundo, campeonatos estaduais, nacionais e Taças Libertadores. Ele também esteve nas Olimpíadas de 1992, 1996 e 2000. Passou pelo Diário Gaúcho, Zero Hora e TV Com.

Há bom tempo assumiu a condução de programas de geral, no jargão jornalístico, editoria que cobre assuntos variados. Atualmente, ele apresenta o “Gaúcha Hoje” das 5 às 8 horas e o “Chamada Geral” das 11 horas ao meio dia. 

Enfim, no jornalismo, não sei o que o Macedo não fez..

Nas escadarias do Colosso da Lagoa

Que bela surpresa, e agradável encontro, o meu amigo me proporcionou há uma semana. Até mesmo a chuva parou quando visitamos o Colosso da Lagoa por volta das 23 horas. 

Já o tempo não faz parada.

Resta-nos, mais experientes, muito mais experientes, relembrar o que experimentamos independente por onde andamos. E se amigos fizemos, como é bom recordar, reviver e dar boas risadas. Fechar o dia e seguir... seguir como o Macedo e a Cristina seguiram para as Cataratas de Foz do Iguaçu para um passeio. 

De minha parte segui para casa e me recolhi, assim como a cidade parece ter se recolhido aos moldes interioranos. Imagina - Erechim domingo à noite e com chuva. A cidade inteira dormia. E eu peguei no sono, feliz por rever o meu amigo, o primeiro com quem trabalhei, profissionalmente, no ofício que assumi há meio século, assim como o Macedo.




domingo, 6 de abril de 2025

ACCIE celebra 106 anos com inauguração da Calçada da Fama e posse de nova diretoria

 

Darlan Dalla Roza - Presidente da Accie para 2025/2026

 

Evento reuniu autoridades, empresários e lideranças em noite festiva

marcada pela valorização da história e pelo olhar para o futuro


Darlam Dalla Roza e Mário Cavaletti


A noite de sexta-feira, 4 de abril, foi de celebração e renovação para a Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), que comemorou seus 106 anos de fundação em uma cerimônia especial no Pólo de Cultura. O evento teve dois momentos distintos e igualmente simbólicos: a inauguração da primeira fase da Calçada da Fama e a posse da nova Diretoria Executiva e do Conselho Deliberativo da entidade.

O presidente da ACCIE, Darlan Dalla Roza, reconduzido ao cargo para o biênio 2025-2026, destacou que a solenidade representa a continuidade de uma missão centenária. “Estamos caminhando a passos largos para o desenvolvimento, baseados em pilares sólidos como nossa força de vontade e a colaboração das empresas associadas. Esta noite é a celebração desse compromisso com Erechim e toda a região”, afirmou.

Darlan também apresentou algumas metas para a nova gestão: “Vamos investir em inovação, como o curso de inteligência artificial que traremos ainda neste ano, ampliar a representatividade da entidade e manter um diálogo constante com os poderes públicos. Queremos aproximar ainda mais a ACCIE das pessoas, das famílias, da comunidade.”

CALÇADA DA FAMA: UMA MARCA NO CHÃO E NA HISTÓRIA


Mário Cavaletti, Claudionor Mores, Gilmar Cavaletti e Darlan Dalla Roza,
no descerramento da fita da Calçada Fama


O primeiro ato da noite, realizado ao ar livre, em frente ao Pólo de Cultura, marcou a inauguração da primeira fase da Calçada da Fama da ACCIE. O projeto homenageia empresas e personalidades que contribuem para o desenvolvimento de Erechim e tem como objetivo arrecadar recursos para a construção da Arena Cultural da entidade, além da modernização do Parque da ACCIE.

“Cada logomarca gravada neste espaço representa uma contribuição real para a construção de um futuro mais promissor. Esta Calçada é mais do que uma homenagem: é um gesto de reconhecimento e de esperança”, declarou Darlan logo após o corte simbólico da fita, acompanhado do vice-presidente Mário Cavaletti, do ex-presidente do Conselho Deliberativo Claudionor Mores e do atual presidente do Conselho, Gilmar Cavaletti.

Durante a cerimônia, após cada descerramento de placa pelas empresas, o presidente Darlan Dalla Roza e o vice-presidente Mário Cavaletti prestaram homenagem com a entrega de um troféu personalizado com a marca da Calçada da Fama. O gesto simbolizou o reconhecimento da ACCIE a cada uma das empresas que abraçaram o projeto desde os seus primeiros passos.

POSSE E COMPROMISSOS DE FUTURO

No segundo momento da cerimônia, no Salão de Eventos do terceiro andar do Pólo de Cultura, ocorreu a posse da nova Diretoria Executiva da ACCIE e do novo presidente do Conselho Deliberativo. Gilmar Cavaletti assumiu o cargo deixado por Claudionor José Mores, que se emocionou ao se despedir e declarou: “Saio com a alma tranquila. A ACCIE segue em boas mãos”.


Claudionor, Mário, Darlan e Gilmar


Em seu discurso de posse, Cavaletti foi enfático sobre os desafios regionais e propôs foco em temas como a revitalização da ferrovia e a ampliação do aeroporto local. “Precisamos de infraestrutura que acompanhe o ritmo do nosso desenvolvimento. Erechim tem força, tem talento e tem gente disposta a fazer a diferença”, afirmou.

Gilmar Cavaletti, presidente do Conselho da Accie


Logo em seguida, Gilmar Cavaletti foi o responsável por dar posse ao presidente reeleito Darlan Dalla Roza. A colocação de um pin marcou simbolicamente esse momento solene.Na sequência, Darlan convidou ao palco o vice-presidente Mário Cavaletti e os demais diretores nomeados para a nova gestão. Um a um, os diretores receberam o pin que oficializou a posse em seus respectivos cargos. Com todos já posicionados no palco, a cerimônia foi abençoada pelo pastor Edgar Radeski, que desejou sabedoria, união e propósito à nova diretoria.

 

AUTORIDADES REFORÇAM PARCERIA COM A ACCIE

Diversas autoridades políticas e institucionais prestigiaram a solenidade e manifestaram apoio à ACCIE.

O presidente da Famurs, Marcelo Arruda, destacou que a entidade “tem papel fundamental no crescimento da região e é um verdadeiro motor de desenvolvimento desde sua fundação em 1918”. Segundo ele, “a ACCIE é sinônimo de união, inovação e liderança comunitária”.

Representando o Poder Legislativo, o vereador Fifo Parenti afirmou que “a ACCIE representa o DNA empreendedor da cidade de Erechim” e colocou o legislativo à disposição da entidade para projetos de interesse público. “Estamos juntos na construção de uma cidade mais próspera, humana e conectada com o seu tempo”, disse.

O deputado estadual Paparico Bacchi fez críticas à carga tributária e ao alto custo da logística brasileira, mas reconheceu o papel da ACCIE como força ativa na busca por soluções. “O empresariado é quem move o país, e é com entidades como a ACCIE que encontraremos caminhos para o desenvolvimento sustentável”, pontuou.

Em nome do Poder Executivo, o secretário de Gestão e Governança, Edgar Marmentini, elogiou a parceria histórica entre o município e a associação. “A ACCIE é parte do sucesso econômico de Erechim. Já fomos parceiros em tantas frentes, desde a formação de distritos industriais até a realização das maiores feiras da região. E essa parceria continuará”, garantiu.

RECONHECIMENTO

A solenidade contou com homenagens, como a entrega de flores e lembrança ao casal Claudionor e Schirlei Mores, reconhecidos pelo trabalho à frente do Conselho Deliberativo. Também foi lida uma mensagem enviada por Elcemina Lúcia Balvedi Pagliosa, Patrona da Frinape 2024 e neta de um dos fundadores da primeira empresa inscrita na ACCIE, que afirmou: “Maior do que o superávit de suas empresas, a herança que transporá o tempo será o caráter e o exemplo de um trabalho honesto”. Flores foram entregues pela Rainha da Frinape 2024,Rainha Gabriéle Banaseski Erthal, para Karen Brustolin.

O encerramento dos atos solenes foi marcado com os convidados entoando juntos o tradicional “Parabéns a Você”, seguido de jantar comemorativo.


Casal Darlan e Karen, casal Jaqueline e Gilmar e, casal Rose e Mário


LEGADO E CONTINUIDADE

O evento reforçou a importância da ACCIE como força motriz do associativismo e do empreendedorismo regional. Com mais de um século de atuação, a entidade segue como referência na defesa dos interesses do setor produtivo e na promoção do desenvolvimento integrado da região do Alto Uruguai.


Convidados no salão de Eventos do Pólo de Cultura da Accie


“Nosso compromisso é com a inovação, com a representatividade e com as pessoas que acreditam no poder da união”, concluiu o presidente Darlan Dalla Roza, sob aplausos do público que lotou o Salão de Eventos do Pólo de Cultura.


Pastor Edgar Radeski abençoa nova diretoria da Accie 2025/2026


 EMPRESAS PRESENTES NA PRIMEIRA FASE DA CALÇADA DA FAMA:

Cada uma dessas marcas agora faz parte do solo da história de Erechim — eternizadas não apenas em placas, mas na memória coletiva de uma cidade que cresce sobre os alicerces do trabalho, da confiança e da cooperação.

§  Aurora Coop – Frigorífico Erechim

§  Belasul Móveis e Estofados

§  Brastelha Industrial

§  Carvalho Comércio de Materiais de Construção

§  Cavaletti S/A Cadeiras Profissionais

§  Cercena S/A Indústria Metalúrgica

§  Comil Ônibus

§  Cresol Centro-Sul RS/MS

§  Dalva Jaqueline Cavaletti (empresária)

§  Durli Couros Erechim

§  ESB Indústria e Comércio de Eletro Eletrônicos

§  Fermatec Moldes e Matrizes

§  Gilmar Fiebig (construtor)

§  Gilmar José Cavaletti (empresário)

§  Injemax Plásticos

§  Master Supermercados

§  Móveis Sebben Erechim

§  Peccin S/A

§  Sicredi UniEstados

§  Transvidal Logística e Transporte

§  Triel – HT

§  Unimed Erechim

§  Universidade Regional Integrada – URI Erechim

§  VGraf – Impressos e Embalagens

 

DIRETORIA EXECUTIVA DA ACCIE – GESTÃO 2025-2026


Direção da Accie - 2025/2026


Presidente: Darlan Dalla Roza

Vice-presidente: Mário Cavaletti

Diretor Administrativo: Fábio Vendruscolo

Diretora de Marketing e Inovação: Karen Brustolin

Diretor de Segurança e Mobilidade: Adilson Stankiewicz

Diretor de Relações Internacionais: Walmir Badallotti

Diretores de Indústria e Infraestrutura:

– Gilmar Fiebig Filho

– Roland Bernardo Koller

Diretores de Comércio:

– Luciano Bettio

– Alexandre Zaffari

Diretores de Agronegócio:

– Abrão Safro

– Alfeu Strapazon

Diretores de Serviços e Pesquisa:

– Fábio Júnior Bocca

– Paulo Roberto Giollo

Diretor Jurídico: Claudio Botton

Diretora Cultural: Sandra Mariga

Diretor de Jovens Empresários: Lucas da Rocha Jaskulski



Nota: Texto e fotos de Maria Lúcia Carraro Smaniotto 


 


segunda-feira, 17 de março de 2025

Quando a Edelbra trouxe o universal Jorge Amado


Jorge Amado, Zélia Gattai e Paulo Dias Fernandes no CER Atlântico há 45 anos.
Dezembro de 1979
foto: Arquivo

Muito embora os tempos verbais sejam três, o que se sabe ao certo – certo mesmo, diz respeito a dois tempos com seus modos, conjugações e flexões. O passado reportando ao que já aconteceu. O presente permitindo neste, exato agora, revisitas. O presente ainda traz à nossa permissão o terceiro tempo verbal: o futuro. Nele cabem planos, ambições e ousadias. Sonhos entendidos como se real fossem. Do presente ao passado, a lembrança. Do presente ao futuro, o “olhar para frente”. Ao contrário do passado, porém, o futuro, se aceita tudo – incerto é. Ele pode simplesmente não vir. Exagero ou não o que temos em mãos ou em mente, de concreto, é o que já fizemos, vimos ou ouvimos. O que vivemos. Mas, enfim, sejamos sensatos e, por que não, respeitosos com a temporalidade da vida. Se for para recordar, recordemos então. Neste agora.

Foi assim que há exatos 45 anos a cidade viveu um momento cultural histórico. Era a 3ª Feira do Livro. De 7 a 15 de dezembro de 1979. Por três dias tivemos a presença de um dos mais brilhantes escritores do Brasil: Era 13 de dezembro. Chegava aqui – o casal Jorge Amado e Zélia Gattai.

De lá para cá recebemos outros nomes de proa da literatura, como o patrono daquela feira, Sérgio da Costa Franco. Em 1980 – Carlos Nejar. Mas – consultando o passado no cenário autoral livreiro, ninguém mais destacado que Jorge Amado colocou os pés em solo erechinense até o presente.

E foi marcante não só por um autor universal, passeando pela Maurício, Praça da Bandeira, prefeitura, Tiradentes, Nelson Ehlers, Valentim Zambonato. Foi histórica a passagem do casal por Erechim, porque aqui ele lançou em primeira mão a sua obra “Farda, Fardão, Camisola de Dormir”. De mesma sorte, sua esposa Zélia Gattai, lançava a partir de Erechim para todo o país, “Anarquistas graças a Deus”.


Jorge Amado, Zélia Gattai e Paulo Dias Fenandes. 
Foto:Arquivo

Das folhas para as telas

“Farda, Fardão, Camisola de Dormir”, tem como cenário o Rio de Janeiro. Seus personagens transitam pelo mundo da Academia Brasileira de Letras (ABL) em pleno Estado Novo. Intrigas em torno de uma eleição a uma cadeira da ABL nos anos 1940 estão no centro da história. Foi escrito entre janeiro e junho de 1979, período onde o escritor sofria com a censura e a perseguição por sua filiação partidária. O romance traz dois pretendentes à ABL com visões opostas sobre o conflito da 2ª Guerra Mundial.

 “Anarquistas graças a Deus”, de Zélia Gattai revisita sua infância na primeira metade do século 20, como filha de imigrantes italianos em São Paulo. Cinco anos depois do lançamento em Erechim, Zélia veria “Anarquistas...” adaptada como minissérie da rede Globo de Televisão.

Autor maiúsculo, Jorge Amado tem uma obra de 49 livros, traduzidos em 80 países, afora escritos de outras ordens. Várias acabaram roteirizadas para o cinema ou viraram telenovelas visando alcançar um público pouco familiarizado com o deleite da leitura. Destaque para o inesquecível “Dona flor e seus dois maridos”, “Capitães da Areia”, “Tenda dos Milagres”, “Gabriela, Cravo e Canela” e “Tieta do Agreste”.

Em 6 de abril de 1961, já com 19 obras - Jorge Amado é eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo a Octávio Mangabeira na cadeira nº 23.

 

Interações comerciais e culturais

 O Jorge Amado traduzido para 80 países, vendo seus feitos no cinema, na televisão, no teatro, narrado em rádio, levado para histórias em quadrinhos, em Braille ou gravadas em fitas vídeo cassete para pessoas com necessidades especiais, o Jorge da ABL, ora em Salvador, ora isolado em Ilhéus, em São Paulo, no Rio ou Paris, pois; contar com um homem desta estatura cultural numa cidade do interior, no Alto Uruguai gaúcho, em Erechim, tem um valor histórico e, por certo, um custo.

Pois foi aí que despontou no mundo comercial das letras e editoras, em nível nacional, a figura de um jovem então já há alguns anos abrindo seu próprio caminho. Depois de colocar o “Livro dos livros” peregrinando de porta em porta pela escolhida Erechim e cidades da região, Jaci, como era mais mencionado, encheu-se de brios e foi ao encontro de quem tinha à época os direitos editorais de Jorge Amado. (Atualmente os direitos de suas obras pertencem a outra empresa).

A essa altura, com seu nome completo e estendido para um carregado sotaque italiano “De Lazzari”, como acabaria se firmando no mundo editorial brasileiro, aos 27 anos Jaci José De Lazzari com sua Editora Edelbra foi recebido pelo “staf’ da Record no Rio de Janeiro. Mais que um feito – era um sonho contemplado. Depois de explanar seus objetivos, esteve pela primeira vez frente a frente com Alfredo Machado, diretor-presidente da Editora Record.

Como quase sempre se dá com nomes de proa nas diferentes esferas – a linguagem direta, clara e objetiva, precipitou o encontro para a intenção de De Lazzari: ‘proporcionar via Record a presença do emérito escritor baiano em Erechim’. Os detalhes pertencem a ambos dirigentes das editoras, mas podem ser resumidas assim: A Edelbra comprava junto à Record 5 mil coleções de Jorge Amado (26 livros cada uma), com direito de revendê-las e, Alfredo Machado, colocaria o escritor em Erechim.

No dia 13 de dezembro de 1979 dois homens do governo Zanella (Elídio Scaranto e Luiz Felipe de Marchi) receberam no aeroporto de Curitiba o casal Amado – Jorge e Zélia. Presentes ainda os enviados especiais das rádios Erechim (Euclides Tramontini) e Difusão (Dary Ivo Schaeffer) que seguiram em carro particular.

Com a cobertura das emissoras e, especialmente do Correio do Povo, o que já se prenunciava um evento grandioso, cresceu na consciência cultural da cidade e na expectativa da população – consequência plenamente compreensível.

 

Amado “hospede oficial” de Erechim


Prefeito Eloi Zanella recepciona hóspede oficial - Jorge Amado.
Foto: Arquivo

Na cidade Jorge Amado e sua esposa foram recebidos pelo prefeito Eloi João Zanella que assinou decreto declarando Jorge Amado – “hóspede oficial” do município. No dia seguinte, 14, após visitar a Feira do Livro o casal foi recepcionado com um coquetel na então sede social do Ypiranga FC (antigo Boliche). No local o prefeito entregou uma placa de prata em agradecimento ao escritor baiano, enquanto Linir Zanella recepcionava Zélia Gattai com flores.

Linir Zanella entrega flores a Zélia Gattai
Foto: Arquivo

À noite na sede social do CER Atlântico, Jorge Amado, Zélia Gattai e Paulo Dias Fernandes participaram daquela que seria uma das maiores noites de autógrafos do afamado escritor. Ele, alcançando mais de 800 autógrafos, Zélia com cerca de 300 autógrafos e o conterrâneo Paulo Dias Fernandes com cerca de 500 exemplares do seu “Monarcas do Pampa”.  Na manhã de sábado, 15 de dezembro de 1979, o casal Jorge e Zélia despediu-se de Erechim. No domingo, 15, encerrou-se a 3ª Feira do Livro.

 

Jorge Amado autografando seu lançamento "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".
foto: Arquivo

Político, títulos, carnaval, amigos e selo

Esta figura única da literatura brasileira com suas palavras nas Américas e além mar, inclusive na China; representante autêntico do Modernismo Regionalista, especialmente baiano, voltado à crítica sociopolítica acabaria em 1946 sendo eleito deputado constituinte por São Paulo.

Foi autor da Emenda Constitucional que garantiu a liberdade de culto no Brasil. Igualmente viu incluída na mesma Constituição, sua proposição que veda o lançamento de tributos sobre o papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Essa imunidade foi estendida aos livros, jornais e periódicos pela Constituição Brasileira de 1967, reproduzida quase integralmente na Emenda Constitucional de 1969 e ratificada em 1988, no que se convenciona por alguns, como “imunidade cultural” ou “imunidade de imprensa”.

Jorge Amado acumulou nos seus 88 anos de vida, 17 prêmios nacionais e 15 internacionais. Recebeu 30 títulos de condecoração. Entre seus amigos estavam José Saramago, Pablo Neruda, Sidney Scheldon, Pablo Picasso, Federico Fellini, Oscar Neimeyer, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Mário Vargas Llosa.

Nascido em 1912, no interior baiano em Itabuna, Jorge Amado foi tema da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense (Rio) no centenário com o enredo “Jorge, Amado, Jorge”. No mesmo ano foi tema da Mocidade Alegre, campeã do carnaval paulista daquele ano, tendo como pano de fundo a obra “Tenda dos Milagres”. Antes, em 1989 a Império Serrano entrou na avenida cantando “Jorge Amado, axé, Brasi!”. Ainda em 2012 saiu o selo “Jorge Amado – 100 anos” pelos Correios do Brasil, reconhecendo a celebridade que abrilhantou a distante Feira do Livro de Erechim em 1979.

 

Do presente – a outros dois horizontes

Se aquele evento do qual recordamos 45 anos de passado, representou em Jorge Amado mais uma obra desta celebridade – não constitui exagero afirmar que outras duas personalidades do seleto mundo das letras e editoras, foram seus engenheiros: Alfredo Machado (Editora Record) e Jaci José De Lazzari (Editora Edelbra).

General Moreira (Diretor Comercial Nacional da Record), Bertoletti (Diretor Comercial SP/Sul),
casal Maltesi, Jaci De Lazzari, Aldredo Machado (Fundador/Editor da Record),
Jorge Amado, Zélia Gattai e Ada De Lazzari.
Foto: Arquivo

E em assim sendo, retornemos à alma inicial deste texto: o presente – dele vislumbramos dois horizontes. Um acontecido. Outro por vir. Não obstante – como observado, o futuro pode não acontecer. Mas o simples levantar dos olhos, e imaginá-lo com esperança, exige objetivo, plano e ousadia.  

Zélia Gattai com Alessandra, filha de Ada e Jaci De Lazzari.
Hoje, Alessandra, é diretoria/administradora da empresa.
Foto: Arquivo.
Quanto ao passado, o direito a revisitá-lo ou quase revivê-lo, nos leva a uma única e intocável certeza: ele não pode ser negado, nem apagado. A razão é tão lógica quanto singela porquanto vive na memória, no nosso agora, desde sua consolidação.



No caso de Jorge Amado em Erechim há 45 anos – trata-se de um lembrar justo. Em tempos de crescentes beligerâncias, que o passado retorne ao presente, e mesmo que fugaz como aqui; remeta a um futuro de menos “farda” e mais “fardão”. Um ótimo exemplo dessa aparente trama semântica, aqui deitada, está em “quando a Edelbra trouxe o universal Jorge Amado”.


Saudação escrita de Jorge Amado a Ada e Jaci De Lazzari
quando da da presença do ilustre escritor Jorge Amado
 a Erechim em 1979.
foto Arquivo