sexta-feira, 17 de abril de 2020

Os “Jotas” não se entregam



1
Já sei.
Há complô contra os Jotas.
E não é de hoje.
Aqui em Erehim.
Vejam só.
Uma vez, trocaram o sorteio da Copa 
do Japão pela Coréia.
Já vi tudo.
A japona até caiu de moda
– mas ainda que bem que foi para a jaqueta.
Ah, a minha japona que perdi no Cine Ideal.
E foi em junho ou julho.
Juro por Júpiter não quero fazer um artigo  
jocoso, muito menos, de jegue,
De jeca.
Jornalista, porém, não acho justo esquecer 
os jotas.
2
Eu sei que nem todo trigo é limpo e por isso 
é preciso separá-lo do joio.
Antes de ser Erechim – fomos José Bonifácio.
José de Alencar – os jesuítas.
Conheci uma Ju.
Tive uma colega – Jô.
Nesse período – quantas jantas!
Jóia.
E quanta jactância (ostentação)!
João XXIII
João Paulo I, 
João Paulo II.
Nosso Cemitério Pio XII.
Quantos jazigos!
Quantos jasmins.
Esses dias – jejum.
A maioria, Joões.
Juscelino se foi há tempos.
O João Goulart também.
E depois o Jânio.
Jeca Brasil anda aí – forte.
Daí veio a jugular.
A Junta Militar.
Um novo jogo.
Novos jóqueis no Brasil.
Um tempo de meio período jubilar.
Na TV o país bebia J. Silvestre.
Hoje é Júnior com a Sandy.
Justiça se faça, já,
ou meia ao menos,
porquanto de todo injusto não é...
foi João Figueiredo que jaculou
a democracia.
José Mandelli Filho se foi!
Jayme Farina se foi!
João Caruso (Idem).
Se foi também – Jayme Lago.
Juarez Illa Font – um jornalista também foi.
João Germano Imlau
Dom João. (obrigado Mestre Enori 
- que bem podia ser (J) iaparini)
Pandemia até junho, julho?
Até – São João?
Saudade do Juventus-Acejá
Alô João Cláudio – meu zagueiro,
Jorge Rodrigues – o goleador também se foi.
Com Jorjão o Ypiranga virava jogo.
Onde anda a Roseana do José, o Sarney.
Onde anda o Dautartas – também João!
Graças a deus me livrei da Física do Generali, 
o José.
José Maria também foi o primeiro
homem de cartório da antiga José Bonifácio,
Se o Amado, o Jorge, pegasse essa página!
Já era.
James Dean,
Jonis Joplin,
Jemi Hendrix,
Joan Baez,
Johnny Weissmuller, 
John Kennedy, 
Jaqueline Kennedy (Onassis),
Lyndon Johnson,
Todos eles se foram.
Em 80 chamaram o Lennon, John.
Em 2001 o Jorge (George) Harrisson.
Estariam todos eles no Jardim do Éden?!
Há, essa juventude.
Toda ela quase levando no nome um Júnior.
Alguém viu a justiça?
E o mundo cada vez mais palestino e judeu.
E o carnaval sem – Jamelão!
Até o Geder – jornalista se foi.
O Delcy João também deu adeus.
O João Komosinski se foi.
Um abraço Jovino onde estiver.
Outro pro  – J. Nunes!
O maior centroavante do Atlântico,
de apelido Índio, também era um José.
Dentre tantos – um Joacir no futsal do Galo!
Me criei na Jerônimo Teixeira,
Não esqueço o incêndio no São José.
Minha escola do coração – JB.
São José – nossa catedral.
Um Jandir (Cantele)se cansou?
Mas o Jandir Santolin anda livre, leve e solto.
Julio Brondani – das Frinapes.
Eloi João – o prefeito.
Tem mais um "jotinha" que não vou 
citar porque, pelo que desconfio;
deitou o cabelo "enricado".
Cleo Joaquim – o maior reitor da URI.
D. (J)Girônimo – o bispo também se foi.
Dom José mudou a cara do Santuário.
Dom José transferido pra Caxias.
Jaci José – da Accie, do Pólo, das mudanças.
Por que, mas por que a cidade não fecha com
JJ pra prefeito?
Vou morar em Jaçanã.
Um abraço, Pedro José.
Outro pro meu sempre amigo Jorge Lisboa Goelzer.
Sem apoio – morreu J. Albet?
Jivago – o melhor filme,
Julie Christie!
Um "Jota" que não se entrega é o 
João Kleber - meu amigo.
Quantos anos de jornalista?
De Caldas Júnior!
Ainda bem que também sou um J.
Criticaram, criticaram e criticam ainda
- mas o que tivemos depois da hegemonia
dos Jotas?
Inclusive eu – Jesus!
Judas?
E Agora – José!
Por fim, um anônimo abraçado
pela “grande” (?) mídia: Mandetta.
Quis dar uma de João-Sem-Braço.
Pegando o lugar do presidente.
E aí dançou.
A “Junta” que andava arredia com 
Bolsonaro,
não engoliu a hiper-vaidade do “detta” e
abraçou o chefe.
Ocorre que o Mandetta deparou-se
com um “Jota” pela frente e,
agora  volta para o anonimato.
Para o fim da fila.
Pegou pela frente o Jair.
Eu avisei.
Cuidado – os “Jotas” não se entregam.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

O Sansão, o Acejá e os candidatos



(Nomes e enredo fictícios – aparentemente!).
1
Não havia nada na vida que o Sansão mais amasse, do que suas seis filhas e esposa/mãe/amante/companheira, a Saletona. Ela era uma mulher de 84 quilos, surrada pelas luzes que deu e amamentações a que foi submetida em menos de dez anos de casamento com o homem da sua vida, o Sansão. E tudo que o Sansão fazia era pela Saletona e as seis filhas.

Carregou tábuas numa madeireira semiabandonada da cidade, descarregou caminhões de tijolos, foi maqueiro do Santa Terezinha, esparramou asfalto numa empresa terceirizada da prefeitura, abateu bois na Cotrel, descarregou caminhões de adubos,  puxou toras mato afora, foi borracheiro de beira de estrada, passou por fábrica de molas de caminhão, trabalhou de tarefeiro nos ervais dos Tormem, tirava cascudos debaixo de Lages em véspera de Semana Santa, foi lavador ônibus, passou pela oficina da prefeitura, carregou tábuas no antigo Madalozzo, foi leão de chácara da Casa Branca, carregou pedras e enfiou-se em tocas para instalar explosivos na construção de Machadinho e Itá.

Nas romarias de Fátima era sempre o primeiro a chegar para carregar a imagem da Santa até o seminário. Orgulhava-se, e apesar do seu plexo, tinha os olhos marejados quando ouvia a voz do padre Antoninho anunciar que ‘olhem só a imagem de Nossa Senhora já aponta lá na entrada do santuário’, e Ela vinha nos ombros do Sansão. ‘Louvando Maria/O povo fiel/A voz repetia/... Ave/Ave/Ave Mariiiiiiiia/Ave/Ave...
 2
Uma das maiores mágoas de Sansão, foi não ter sido aprovado num concurso da Brigada, mas tinha orgulho de dizer que concluíra o Supletivo depois e ter aulas de redação no EJA do antigo Campos Salles com um conhecido jornalista da cidade.

Antes disso, o Sansão, como todo guri brasileiro e em especial, da periferia, porque, criou-se na antiga Legião Brasileira ali onde hoje é a Cohab do Mantovani, quando criança, passava os dias com o pé na bola nos fundos da antiga Baixada Rubra. Há quase 50 anos, uma quadra depois, na frente de onde hoje é o 13º BPM, ficava a zona do meretrício. Quantos táxis Sansão testemunhou despejando afamadas personalidades da alta sociedade por aquelas bandas!

Um dia o Acejá (tradicional time amador de Erechim) o descobriu. O velho Rato, patrão que ditava o tom das chegadas e divididas na grande área do Acejá, andava precisando de um bom parceiro depois que o Bateria se aposentara. Um olheiro indicou com o dedo: “é aquele ali, ó!”, para o Sansão que vinha sendo observado num campinho e nos pontos de praças que se formavam para descarregar caminhões de cimento.
 3
Não havia ninguém mais parecido com o Rato e o Bateria para limpar a área do Acejá, que o Sansão. É verdade que o único par de chuteiras 44 que o Acejá tinha, lhe causava certo desconforto porque “me aperta os calo”, reclamava, especialmente quando furava em bola, mas emendava: “Má não tem poblema. Eu se sinto bem!”.

O 1,93 metro, o tamanho do pé, 94 quilos de puro músculo - a grossura da coxa que lhe rasgava os calções nas laterais, uma redinha para lhe segurar a cabeleira mal cortada (era mera coincidência com o personagem bíblico), o tórax de capô de fusca e as orelhas de abandono como as de um cachaço que meu tio Guido tinha nos confins de Sede Dourado, na Linha Poço Grande; eram 90% da certeza de que a área do Acejá seria como um pátio de um convento. Fechado por muro de três metros, limpinho e com dois pitbuls soltos na espreita de alguém tentando saltar o muro. A dupla de zaga, digo, os pitbuls, se lambiam.
Contam-se dezenas de versões sobre a longa cicatriz que Sansão trazia do alto da testa, e lhe descia costurando a fechar-lhe o olho esquerdo, seguindo depois até o queixo. A oficial é que ele teria perdido o controle de uma perfuratriz de pedras em Itá em fins dos anos 1980, só não morrendo na hora porque, afinal, o Sansão era mesmo mais duro que a rocha. Ademais, a empresa tinha um socorro imediato de plantão sempre pronto para os infortúnios que a obra podia provocar.
 4
Mas a tese mais comentada e, aceita – porquanto parece mesmo ser a oficial; é que entre 18 e 19 anos, na noite em que conhecera a Saletona num baile em Balisa, quatro ou cinco marmanjos, bundinhas vindos de Erechim num ômega, teriam insinuado que a Saletona tinha por apelido “Saletinha Batalhão”. Na refrega onde garrafas, copos, mesas e cadeiras ganharam asas; e que acabou com o baile e deu início oficial ao seu amor pela Saletona, o Sansão mandou dois para HPS do HC, que era o mais próximo. Um teve menos sorte e depois de 15 dias na UTI e mais 40 num quarto do hospital, quando recebeu alta – estava inválido. O quarto teve sorte: foi visto saltando por uma janela do clube, e conseguiu chegar ao Ômega. Nunca mais foi visto por Balisa nem por Erechim. Contam, sem comprovação, até hoje, rengo. Mesmo assim, o Sansão recebeu socos, pontapés, cadeiradas, garrafadas e, por fim, não se sabe de onde partiu, com Sansão já caído e tonto - alguém o atingiu com um faconaço de alto abaixo na cabeça. Quem viu, disse que sangrava mais que porco morto a facada no pescoço na colônia. Mesmo assim ele se levantou e bufava como um touro com a lança encrava no cangote, enquanto o trio que restara era retirado do interior do clube. Todos os seguranças seguravam Sansão que só não saiu pra fora atrás de seus algozes, porque a Salentona sem um sapato, com os beiços avermelhados pelo batom que lhe escorria da boca e ainda, com um dos peitos querendo salta pra fora do vestido que estava rasgado, juntamente com um grupo de primas e amigas, pediam pelo amor de Deus que o Sansão parasse. Chorando ela implorava que alguém levasse seu amor ao hospital mais próximo. Dos dois PMs destacados para a segurança do baile - um tinha um enorme corte na cabeça e o outro com a calça rasgada, arrastava a perna. Colocaram o Sansão no corsinha da BM. O presidente do clube pegou sua F-1000 e seguiu atrás levando a Saletona, suas primas e amigas. Vazio, o clube era o cenário de um terremoto, onde apenas um bico de luz de 40 velas ainda resistia piscando.
Daquela noite em diante, o Sansão jurou que casaria, viveria e morreria pela Saletona, com quem haveria de constituir uma verdadeira família batizada com o orgulho que só os humildes conscientes da vida que levam – tem. Grande na prole e - pobre. Mas feliz.
Menos de dez anos depois daquela noite, ao lado da cama de lastro de mola que comprara de um cunhado, o Sansão tinha sobre o bidê do lado, uma foto com a Saletona e as cinco filhas. Tiraram-na num churrasco de ano novo lá na Cascata.  Na parede da casinha de tábuas largas, com algumas frestas, pôsters dos irmãos Pontes do Gaúcho de Passo Fundo (uma zaga que não deixava nada passar e muito menos levava desaforo para casa), do Caçapava, do Mário Carazinho, do Francisco Carlos e do Paulo Ferro – enfim, todos, leais, mas Santa Mãe de Deus, se jogassem no nosso time, melhor, muito melhor. Eram os ídolos do Sansão. Lutavam como gladiadores contra os leões nas arenas pela camisa que vestiam.
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Sansão também era assim, exatamente assim, com a vantagem de ir às últimas instâncias pelas filhas e a Saletona. E foi por isso que o Acejá o levou. Para cumprir as ordens, acontecesse o que acontecesse, na zaga do time grená. 
No campo do Acejá enquanto o Sansão esteve de patrão da área, não foi só na goleira que não nascia grama. A asa média da intermediária, como se dizia nos tempos áureos do velho e bom futebol, mais à direita das duas metades do campo; ali havia sinais claros de que a grama tinha dificuldades de vingar. E era ali que o Sansão passava a maior parte dos 90 minutos de cada jogo.
Um dia, na decisão do municipal o Sansão pegou pela frente o Lambretinha, que tinha fama de ser o maior driblador da cidade. O Lambretinha não tinha um metro e meio, como se tornou praxe falar sobre os atacantes baixinhos. Não, ele, na verdade, media 1,48 – com chuteiras. A partida com mais de 250 torcedores ao redor do alambrado, era decisiva e valia, para o Sansão, a taça, o campeonato, o título, a faixa, um bicho extra sem igual na história do Acejá, e, claro, a honra da sua história, da sua família, das filhas que não podiam ser gozadas na segunda-feira no Campos Sales, e, claro, ainda, e por primeiro, valia pela Saletona.
6
O jogo estava empatado em zero a zero (o empate dava o título ao Acejá) e o Lambretinha era um terror para o lado esquerdo da zaga. Cada ataque era meio gol. O inferno estava lambendo com suas labaredas aquele lado da defesa do time grená. O Sansão corria e suava como um matungo depois de um dia puxando carroça morro acima em dia de sol a pino. Contam que o “Vermêio” (eterno massagista), aplicou uma “gluco” no intervalo para o Sansão não se entregar. Na volta do intervalo ele bufava e urrava mandando o lateral esquerdo Chimbica, colar no Lambretinha. O Sansão sabia, sim, ele sabia, que se alguma coisa não fosse feita, e logo; o gol era uma questão de tempo. A essa altura ele já estava só com uma meia levantada. A outra descera e quase lhe encobria a chuteira. Mas o Sansão nem ligava.  

Pressentindo o pior, ele então correu até a lateral do campo e com os beiços e a cicatriz lhe latejando lustrada de suor, avisou o técnico Danielão, que trocaria de posição com o Chimbica, o lateral. “Vai pra zaga Chimbica - e dexa comigo esse baxinho!”, ordenou o Sansão, ao mesmo tempo em que pisou num buraco do campo e torceu o pé.
O creeeeeeeeeeeeccccc foi ouvido até na copa. Alguém levantou o som do rádio para saber o que havia acontecido. O Sansão saiu que nem um Saci numa perna só. E foi bem na hora, não deu 40 segundos, quando o Lambretinha vinha de novo driblando todo mundo pela ponta direita. O Sansão nem cuidou da bola que vinha pererecando no meio dos buracos, dos desalinhos do campo, das touceiras, formigueiros e rosetas.
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Daquela vez o Lambretinha ia parar dentro do gol do Acejá. O Sansão, então, olhou dentro dos olhos do Lambretinha e reviveu o baile em Balisa, vestiu-se de trem descarrilado e tuuuuuuuuuummmmm. Na copa, ma garrafa de cerveja que estava meio na quina – caiu com dois copos. Um “meu Deus” -  misturado com “Nossa Senhora!”, saiu de várias bocas ao mesmo tempo.
O Lambretinha caiu – aparentemente desmaiado. Desfalecido. A bola escafedeu-se num buraco do alambrado, com um lado mais retorcido para dentro e, meia murcha, foi picando e descendo um barranco confrontando pedras e eucaliptos até não mais ser vista. Provavelmente ganhou uma sanga que corria no pé do barranco e fugiu. Enquanto isso,  o Sansão, num pé só, mais molhado que um guaipeca quando para - depois de despistar quem lhe queria o couro, feito um Saci ordenou que o Chimbica voltasse para a lateral.
Antes disso ainda teve tempo de desaforar o Lambretinha: “o quê? Levanta ô fingido!”, resmungou abaixado e enchendo o ponteirinho de nomes impublicáveis – como se o pequenino atacante estivesse encenando.
8
“O que é que esse salva-vida de aquário tá pensando!”, teria, ainda, deixado escapar, ao se arrastar de volta à sua posição na grande área. O juiz, que já vinha lotado com o cartão vermelho na mão, ao ver as veias saltadas nos braços e no pescoço de Sansão com sua cicatriz na cara vertendo suor; num repente, lembrou-se da noite em que o Sansão conhecera a Saletona naquele baile de Balisa. Instintiva e providencialmente, guardou o vermelho e trocou pelo amarelo: a um metro de Sansão estaqueou e gritou para todo mundo ouvir que tinha o “controle da partida”. Pegou seu caderninho e correu às costas do zagueirão, para ver o número da camisa. Era um 4, adesivado, que já lhe desgrudava e despencava nas costas. “Essa foi a última. Da próxima, mais uma dessas e  – rua! Tu tá avisado, tu ta avisado”, gritou de novo o árbitro e saiu gesticulando, autorizando a maca entrar no gramado.
Nunca na vida o Sansão tinha sido substituído numa partida, mas naquele dia, naquela hora, ele entregou os pontos e concordou em sair. Não podia nem mais parar em pé, no único pé que lhe sobrara. Saiu escorado pelo “Vermêio”, o massagista, enquanto que o Lambretinha era retirado de maca e lhe abanavam com uma toalha entre um e outro éter que lhe davam para cheirar. Pediram entre os torcedores se alguém era médico. Já tinham até ligado para os bombeiros. Estava com falta de ar – e depois de uns minutos muito branco começava a ficar meio roxo. Os bombeiros chegaram, acudiram o atacante e o levaram para o Pronto Socorro. Dias depois correu a conversa que o Lambretinha tinha sido submetido a vários exames, havia internado pelo SUS e tivera alta, com indicação de retornar a cada 15 dias. Mas, futebol nunca mais. Ao saber da notícia – Sansão penalizou-se e pensou na família do Lambretinha. Sempre que carrega Nossa Senhora de Fátima nas romarias – reza pelo Lambretinha.
 9
Entrevistado pelo Natalino – o Sansão, já sem a chuteira 44, e com o pé do tamanho de uma bola de pinhão, disse que pelo Acejá, mas principalmente por suas filhas e pela Saletona, fazia qualquer coisa. Não queria aleijar ninguém, pois sempre se orgulhava de jogar duro, de ser viril - mas sempre, segundo ele, sempre, sempre na bola. Mas – às vezes, talvez como naquele dia, se não fizesse o que tinha feito, o Lambretinha era bem capaz de lhe tirar a faixa, o bicho, a honra de ser mais uma vez campeão municipal. Já tinham até combinado que o bicho seria uma janta com pizza à vontade para toda a família no Sobrado, e um rancho de R$ 80 no mercadinho da esquina da Brigada.
O Sansão era, assim, uma referência.
Uma segurança.
Um segurança.
Um pavilhão.
Um símbolo.
Uma certeza.
Uma garantia definitiva de que na zaga do Acejá, se furo havia, era muito mais embaixo, e um risco maior, tentar entrar nele.
Um sujeito simples, limitado, porém, honestíssimo, dedicado ao extremo, fiel à família, ao Acejá e aos dois cultos semanais da igreja evangélica aos quais nunca havia até então faltado. Não sabia explicar, talvez pela Saletona, ia a cultos evangélicos, mas jamais abrira dera seu lugar bem à frente para levar a imagem de Fátima da catedral até o Santuário.
Era, enfim, um homem do bem.
Sabia o que queria e o que podia na vida ter.
Sabia – principalmente -, o que jamais teria.
10
Seria bom que os candidatos à prefeitura de Erechim, este ano, apresentassem também algumas das credenciais do velho e bom Sansão. Começa que ele não era de falatório. Pedia o que era para fazer e fazia.  

Que não se privilegie.
Que não privilegie.
Que não se omita.
Que não prometa o que não pode ser atendido.
Que não se enrole e nem deixe se enrolar.
Que não pense em si
– mas em quem tudo paga e tudo sustenta.
Olhem o que o Sansão fez pelo Acejá,
e pensem em Erechim como sendo o seu time
do coração, a sua família.
Respeitem-na enquanto coletividade e não individualidades. 
Façam como Sansão.
Não importa quanto
– desde que seja tudo.
No fim, até o Lambretinha, que depois daquele “choque” ficou cego de um olho para sempre e teria sido visto pegando sol ao redor de casa, com auxílio de um andador, passou a admirá-lo. Por quê? Por que o Sansão fez o que tinha de ser feito.
Dizem que ele até tem uma foto do Sansão, abraçado pelo Galina, na cabeceira da sua cama lá no Polígono. Teria comentado: “ele foi duro, quase me matô; má feiz o que tinha que sê feito – se não eu Pará dentro do gol.”
Candidatos – incorporem o espírito do Sansão. Olhem pro Acejá, pro time – digo, pra cidade - e, chega de fazer média com os apaniguados de sempre. A administração da cidade não é uma sociedade de amigos. Ou será que mais uma vez iremos para um pleito sem um Sansão na zaga, alguém com peninha deste ou daquele, com compromisso com este ou aquele, alguém sem conhecer, de verdade, o seu ofício – ou para que de fato, foi escalado!
Dos pré que tem aparecido – a maioria está mais pra Lambretinha. Eu conheço pelo menos três ou quatro com jeito de Sansão(quanto à prática – mas com bem mais inteligência) mas parece que não querem.
Melhor mesmo seria um Braga Netto.


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segunda-feira, 13 de abril de 2020

Quem se lembra das Uvas-Japão da Baixada!?


 Muda De Uva Japonesa - R$ 35,00 em Mercado Livre
1
Certa feita, pesquisadores e discentes do Programa de Pós-Graduação em Ecologia da URI foram em expedição ao Chile visando coletar dados sobre espécies invasoras daquele país, bem como analisar dados de distribuição de espécies invasoras no Brasil. Em especial, o trabalho buscava uma compreensão maior sobre a distribuição e modelagem de nicho da Uva do Japão, uma espécie arbórea muito conhecida e utilizada no Alto Uruguai, para diversas finalidades.
2
Por se tratar de uma espécie invasora, os pesquisadores queriam entender o impacto que esta árvore pode trazer aos remanescentes florestais no sul do Brasil.
3
Antes disso, um grupo de pesquisadores permaneceu junto à URI por cerca de dois meses. Depois, com a expedição ao Chile, os pesquisadores brasileiros visavam modelar a distribuição mundial da árvore e, em especial, no sul do Brasil.
4
Eu não lembro de uma concentração maior, de pés de Uva-Japão, do que havia nos anos 1960/70 atrás das arquibancadas à esquerda do pavilhão, ou, como queiram, 'na goleira de cima' do campo do Atlântico que dá para a Torres Gonçalves na velha e extinta Baixada Rubra, no centro da cidade. O mesmo que... 'falecido' foi. (Para quem não é de hoje... os as árvores ficavam onde hoje estão as churrasqueiras do parque poli-esportivo).
5
Nunca contei e nunca ouvi falar quantas árvores seriam, mas com certeza somavam dezenas. Quando a fome batia ou seria só vontade de mastigar alguma coisa, não se corria ao mercadinho mais próximo para alcançar o salgadinho da hora, nem o refri, pastel ou sanduíche natural. Nada de chatear os pais por um dinheirinho para comprar isso ou aquilo. Que nada. Pra que industrializado – se a naturalidade era a Uva-Japão!?
6
Quantos gols aqueles pés de Uva-Japão devem ter testemunhado na Baixada Rubra? E quantas uvas nós apanhamos em fins de treinos quando o técnico botava os atacantes para testar a pontaria que era para ser no Miguel, no Paulinho, no Popy, no Valdir (goleiros  do Atlântico na minha infância) – e vá Uva-Japão descendo dos galhos para nossas mãos, por conta da falta de pontaria dos atacantes verde-rubros.
7
Como a Uva-Japão veio parar com tamanha presença no Alto Uruguai é o que os pesquisadores da URI e do Chile pretendiam descobrir com aquele intercâmbio. Na Baixada nem precisam mais ir, porque lá, não só as uvas como as árvores foram engolidas por projetos mais modernos. Se alguma coisa sobrou talvez tenha sido em nome de outra modernidade: preservação da natureza – ou pelo fato que agora se pesquisa: trata-se de uma espécie perigosamente invasora, que reduz a diversidade das matas nativas e se multiplica rapidamente. Que tempos eram aqueles!
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Sentado na arquibancada de madeira e a 10 metros do Tomasi, do Noronha, do Índio, do Garcia, do Tiassa, do árbitro, da copa do Alemão Preto e suas Serramaltes, do amendoim do ‘Véio Gravi’, do cheiro de éter nas pernonas e canelas dos atletas, e do gramado. Tudo, tudo sob a sombra fechada das folhas verde-escuras dos pés de Uva-Japão – ou como diz a nomenclatura oficial – Uva do Japão.
9
Invasoras ou não, me foram úteis para encher a barriga no meio das tardes, entremeadas com os coquinhos cor do Ypiranga em dia de sol. Quem diria que um dia faria matéria para a imprensa a respeito de pós-graduandos de uma universidade indo ao Chile para tentar descobrir mais coisas sobre a Uva do Japão?
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Mas uma coisa eu garanto: mesmo que não fosse matéria para universidade, um dia, eu acabaria escrevendo sobre aquelas frutas com formato de dedos destroncados, levemente encorpados e adocicados que nos 'matavam a fome', ou enganavam a barriga. E ainda por cima era Uva-Japão até encher e, de graça!
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O mundo pode não ser mais o mesmo dàqueles tempos. E não é. Alias, não é nem sombra do que foi. Quem viveu aquilo, não obstante, pode bater no peito que não precisa ir ao Chile para saber sobre as Uva-Japão. Embora os pés de Uva-Japão da falecida Baixada Rubra também tenham sido abatidos tal qual rês no extinto matadouro do Progresso, ou dos frigoríficos da saudosa Cotrel, em nome da economia, de saciar a fome, dos mercados além-estado, ou, até, digamos - do avanço, do novo; a memória, sim - esta, sempre ela, escapa às facas e facões, adagas ou serrotes, machados ou retroescavadeiras, pela singela razão que de intengível, assim o ser como o vento, como o ar que nos mantém vivos. 
12
E assim como se lembra ainda hoje das extintas Uvas-Japão da Baixada, um dia haverá de lembrar - talvez com igual ou maior reverência - do que veio para tirá-las de cena e expulsá-las do grande palco da vida citadina. 

Pequenas ou grandiosas alterações da paisagem daquilo que foi e, sem importar as razões, a memória, sempre ela - ainda reina e haverá de reinar como um patrimônio; que de ninguém pode ser tirado, modificado ou sacrificado. 
Ela, sempre ela, a memória, nos representando mais que teoria - um lenitivo de calmaria à nossa consciência, às nossas lembranças, ao nosso passado, ao nosso coração.
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Quem se lembra das Uvas-Japão da Baixada?
Eu. 
Eu me lembro. 
Obrigado por fazerem parte da minha vida.

sábado, 11 de abril de 2020

Tá tudo liberado. É Páscoa!


Esvazie Túmulo Jesus Cristo Render Imagens De Bancos De Imagens Sem Royalties
“Francamente, o mundo não é mais o mesmo – mesmo.
Lembro-me dos recados do padre Rigoni ou do padre Menegat - de fim-de-missa na paróquia São Pedro nos tempos de Páscoa. Diziam: ‘... e na Sexta-feira Santa os horários de adoração são os seguintes: das 7 horas às 8 horas para as pessoas de mais idade; das 8 às 9 para os casais; das 9 às 10 horas para jovens; das 10 às 11 horas para os meninos, das 11 às 12  para todas as crianças; depois, novamente a partir das 13 horas... é livre... vocês têm que aproveitar estes momentos de adoração... é só uma hora! Às 14 horas começam as solenidades litúrgicas de encenação da crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo...’ e por aí se iam os recados dos padres  no domingo de Ramos. Eu descia os degraus da São Pedro – que hoje virou salão de baile ou de reuniões do OP ou de sindicatos... até o Lula discursou lá..., e hoje é uma livraria; pois naquelas Semanas-Santas eu descia os degraus da São Pedro e ia no bazar do ‘Seu Aldinho’ ver as capas dos gibis, os álbuns novos, e se desse até comprava uns envelopes de figurinhas do ‘Torneio Roberto Gomes Pedrosa...’. ah – o cheiro da capa e das internas dos Kid Colt, dos Fantasma e dos Roy Rogers, então, todos  novinhos!
‘...Lembramos também’, dizia o padre Rigoni escondido atrás das suas imensas lentes do óculos,... ‘que na Sexta-Feira Santa não se deve comer carrrrrrnnnne verrrrrmelha... nós, cristãos, temos que fazer jejum, aliás, o certo mesmo é jejuar já a partir de Quinta-Feira que também é Santa. Antigamente (?) se jejuava até na Quarrrrta-Feiiiiira... (arrastava para enfatizar, o padre Rigoni) mas a moderrrrnnnidade foi se esquecccceeeendo da Quarrrrta-Feiiiiira... Também devemos nos lembrar que ao menos na Sexxxxxta-Feiiiiiiira Sannnnnnnta, não se deve ouvir música... nem se deve ligar o rádio... não se deve gritar... nem falar alto. O silêncio deve ser a tônica deste Dia Santo. A blasfêmia – nem pensar. Sexta-Feira Santa é um dia de respeito a Jesus Cristo que vai entregar Sua Vida pelos nossos pecados... Aqui na igreja nós vamos usar as catracas no lugar as sinetas... Sexta-Feira Santa não se deve namorar, nem ir a bares, nem fazer servicinhos de casa e muito menos de ficar na cama... dormindo... nem... é um dia de total devoção a Nosso Senhor Jessssuuuuuus Criiissssssto que vai morrrrrrrrer por todos nós... pelos nossssssssssssos pecados’, recomenda o padre Rigoni.

Hoje em dia a Sexta-Feira Santa continua Santa!
Jesus morre de novo e pelo mesmo motivo.
Se fosse para redimir todos os pecados, talvez Jesus precisasse morrer duas, três vezes por ano. Sua filosofia continua a mesma. Seus ensinamentos básicos, de perdão e amor a Deus e ao próximo, idem.
Nas igrejas as recomendações ainda são feitas – mas, convenhamos -, num tom bem mais moderado.
Hoje em dia, Sexta-Feira Santa, começa cedinho da manhã quando dezenas, centenas de ‘pecadores’ voltam das boates, dos bares, dos clubes... dos motéis.
Há quem se lembre do padre Rigoni e comece a Semana Santa já na quinta. Bota a muamba e a família na camionete e vamo pra praia, pra Marcelino, pra Piratuba... pra Cascata! Pro parque ou pra piscina!
N’algumas casas o operário carrega o radião lá para os fundos do lote onde vai limpar as traíras. O Ximitão da Difusão – anuncia mais uma rodada dupla de sertanejas.
A caipira corre solta entremeada com mates; alguém na TV vendo desenho, outro no quarto com som dos Tribalistas, alguém mais ‘tc com vc’ num chat da liberdade acertando um ficar para à noite – depois que o Cristo já estiver morto.
De meio dia, hoje em dia, é aquele fartura de penitência: filé de peixe, traíra na grelha, ensopado de peixe, arroz branco com ameixa, batatas assadas no forninho, maionese, salada verde, uma baciada de tomate com cebola, pão fresquinho feito em casa, cerveja, vinho, refris – mas é claro, nada, absolutamente nada de carne. Depois, musse, pêssego em calda com creme de leite, sagu, mais creme e pudim.
O rádio na Difusão, e... ‘aaahhhhh, do jeito que a vida quer/vou levando a vida do jeito que a vida quer.../’.
Entre um filé e outro alguém antecipa a discussão: ‘e... amanhã, domingo, hein, e domingo; vamo comê o quê!? O pai vai fazê churrasco e quem não gosta? Por que a mãe não faiz também uma massa com galinha!’. Shlép, shlép, shlééééép!
Ali no Recanto do Chimarrão – também é aquele jejum todo: ‘pega mais umas latinha lá e vamo servi a linguicinha...!’. Piadas, jornal. Noite anterior - mulher, Grêmio e Inter. Tudo como um Santo feriado requer! ‘De tarde vô tirá pra dormi tipo bicho!’.
De volta à casa, na TV – à tarde, quem não se entregou ao trago; guerra no Iraque, guerra no Rio, debates e mais debates sobre infidelidade, drogas, e gente querendo te empurrar frigideiras, torradeiras, pipoqueiras...’.
E Jesus lá na São Pedro, morrendo, cada vez com menos gente para a encenação.
Um grupo de andarilhos jaz na calçada ao lado da antiga igreja. Viram a garrafa de plástico para mais um gole de cachaça enquanto que um deles afasta com um ‘coice’ – o guaipeca da família, infestado de pulgas e feridas. São barbudos, pecadores que ‘não tô nem aí/não tô nem aí’ para a paixão e morte Jesus. São excluídos. Seriam eles os apóstolos de hoje e nós o povo que ‘vai levando a vida do jeito que a vida quer?’, a gritar gritos mudos de ‘crucifica-o, crucifica-o...!?’.
No centro da cidade, na catedral São José não é diferente: o padre Antoninho conduz a narrativa da encenação do assassinato de Jesus Cristo, enquanto nas calçadas, namorados se namoram, malandros de interior sentam nos encostos e sujam os bancos da praça com seus tênis ou levantam o capô da Brasília e dê-le brega e cerveja quente. Crianças puxam pais pelos braços e mãos para mostrar as novidades nas vitrines. Alguém acelera a descarga e o azulzinho se vira rápido e faz de conta que não vê!
As sorveterias estão cheias; garrafas de cervejas se amontoam nos bares; um carro de som passa convidando para o Transamérica do Mister Albuquerque, onde a mulherada que chegar até a meia noite – não paga.
No bairro Presidente Vargas, o Ari (Ariovaldo)  já foi crucificado de manhã, ressuscitou, foi almoçar em casa e já está de novo, pronto lá na catedral para ser crucificado de novo... Isso sem contar que precisa ser rapidinho, porque tem que levar a cruz até o Seminário Nossa Senhora de Fátima, onde haverá nova crucificação à noite – com transmissão ao vivo em cadeia pelas rádios da região.
‘Pelo amor de Deus – tem que dar tudo certo. Essa crucificação tem que sair nem que chova... mas Deus é bom. Vai fazer tempo estrelado e eu vô poder dar com este relho no Ari, não, no Jesus. Esse ano queremos fazer uma encenação de teatro. Alguém alerta pra não esquecerem de levar os pregos... o ano passado tiverem que buscá um martelo num vizinho...!’.
Às 15 horas, exatamente às 3 da tarde portanto, Jesus expira e pede, pela 2019ª vez... que o Pai perdoe a todo porque ‘eles não sabem o que fazem’.
Nas casas, fim de tarde aparentemente melancólico, as TVs trocam de mãos: agora é a vez das mulheres com seus maridos a se insultarem na disputa pelo aparelho. Ela quer novela. Ele quer Datena. Ela quer ilusão, circo, sonho. Ele quer sangue e baixaria.
Na janta – de novo – nada de carne. Carne? - nem falar,  e vá jejum: e então, que seja a vez da polenta com fritadas, e mais fritadas de lambaris; assim como Ele recomendou através da boca de todos os sacerdotes: ‘jejuemos e nada de carne vermelha nesta Sexta-Feira - que é Santa. Temos que fazer penitência e jejuar... jejuar!’. – Passa pra mim a polenta!!
Pra encerrar a Sexta-Feira – quem sabe -, todos ao Santo, ao Santo Bar. Pelo menos até que a véspera da Páscoa raie sobre a Erechim cristã!
Ai, ai, ai – até que enfim -, que sufoco, que agonia, não aguento mais tanto jejum, e lá se foi mais uma Sexta-Feira Santa. Ainda bem. Hoje já é Sábado de Aleluia. Aleluia! Jesus vai ressuscitar e lavar todos os pecados, (inclusive este meu), deste mundo – mundano e imundo.
Tá tudo liberado. É Páscoa!”.

Pois é. Assim foi até o ano passado.
Em 2020 o mundo apenas - parou.
Talvez, O Crucificado tenha concluído: já que por 2019 anos, ninguém atendeu ao Seu pedido - “Pai – perdoai-os; eles não sabem o que fazem!”, porquanto continuaram a brincar de civilização, então, Ele Mesmo decidiu mostrar quem manda na aldeia e mandou novo recado – uma “gripezinha” (como diria apressada, ingênua e espontaneamente nosso considerado presidente); e, Ele; simplesmente foi desacelerando, aquietando, silenciando, “desativando” o mundo. Os mais resignados até taparam a boca com uma máscara. Prevenção ou para não serem reconhecidos por Ele!?
Pensando bem, agora aqui, bem sossegado e quietinho, quietinho; quem sabe tudo veio como uma forma de um novo pedido Dele, – “Pai, perdoai-os, de novo; eles – realmente - não sabem o que fazem!’.
Pelo que concluo: ou muda tudo, tudo, tudo e tudo, agora, desta vez – porque, talvez, na próxima Ele não peça. Ele apenas aperte o botão de delete. E aí não sei se o Pai Dele (e nosso) estará disposto a trabalhar mais sete dias. Até lá, nós, com certeza - como diria padre Antonio Vieira -, já seremos pó deitado. 

PS - Pai, perdoai-me, eu não sei o que escrevo. Mas a intenção é boa. Chamar a atenção dos que fazem coisas bem piores. Feliz Páscoa!