segunda-feira, 23 de abril de 2018

Por favor – passagem para todos!


Relógio Tempo Folhas Ponteiros Tempo Passa Ody – 21 – 5 – 1999


      
       Nas últimas duas décadas e alguns anos, Erechim produziu uma série de pessoas que ascenderam à posições de relevância para influir no crescimento e desenvolvimento da cidade.
       Na maioria dos casos, a ascendência se deveu a méritos individuais.
Noutros, figuras ganharam notoriedade, fazendo eco à sombra de outros poderes instalados na coletividade.
Contentavam-se e contentam-se com um troco qualquer, enquanto troco promocional.
       Coadjuvantes de uma cena maior, pregam tal qual apóstolos ou súditos de quem realmente têm seus próprios interesses, pouco se importando com o conteúdo do que alardeiam, seguros, porquanto grudados tal qual piche na sola do sapato, aos seus superiores.
       Acho que um povo que não tem orgulho e determinação em defender suas raízes, suas ideias, sua cultura, sua tradição e seus sonhos, é um povo sem alma.
       Porém, também considero que não se pode desprezar, jamais, o senso do ridículo na postulação destes mesmos sonhos – a maioria, geralmente  cobertos de justiça, desde que voltados ao coletivo.
E creio ser também absolutamente natural e compreensível, porquanto faz parte da urbanidade deste fim de século, que se aceite, sem a menor resistência, inveja ou constrangimento, que há sim, consequências que projetam individualidades – o que é perfeitamente normal e socialmente aceitável.
       O Brasil foi um time tão igual a tantos outros em 1994 nos Estados Unidos, mas ganhou a Copa fundamentalmente porque tinha Romário e isso ninguém nunca sonegou ao "baixinho".
O Brasil ganhou por Romário – mas o Brasil ganhou, sobretudo, a partir da união de um grupo. E da humildade desee mesmo grupo, em admitindo suas limitações – não permitiu dispersão e valorizou-se como uma verdadeira comuna de pessoas. Um grupo. Um grupo só.
       Redimindo-me deste escorregão futebolístico – deliberado, e talvez cometa  outro -, observe-se que ele serve para afirmar o reconhecimento que tenho, pessoalmente, por todos quantos se empenham de modo mais decisivo e, logo, destacado, para o erguimento de uma Erechim mais desenvolvida.
São méritos individuais de quem os acumula e que não podem ser ignorados.
       Se devo me render aos nossos romários (eu disse romários e não romanos de império) – não é menor a verdade que até mesmo ele, o 'baixinho', vez por outra, rendeu-se aos propósitos superiores de um time.
Nem sempre, Romário fez o que bem entendia.
Sabia que era o melhor – mas sabia que havia outros, que era importante, decisivo até, mas era uma peça e que, respeito, muito  mais que overdose  de orgulho e mania de superdotado, lhe seria tal qual bússola para o caminho seguro e certo rumo ao objetivo previamente traçado.
       Tenho sérias dúvidas, graves restrições a quem se julga – deus. Ou mesmo, semi.
       Prefiro apostar minhas moedas na força do conjunto, numa sólida e monolítica figura que se edifica na reunião e no respeito dos que inclusive pensam de forma diferente.
       Se bem me faço entender – reporto aqui a confiança em todas as instituições e, mormente, pessoas, que possam de alguma forma contribuir para o desenvolvimento desta cidade e desta região.
       Se condenamos o sectarismo ou os fundamentalistas que fazem suas vítimas n’alguns pontos do globo – não podemos admitir o que parece agir de modo que tende a seguir a mesma linha de ação, tentando abrir, e talvez sem noção do dano, profundas brechas entre quem aqui nasceu e quem mesmo vindo de fora – aqui vive e presta serviços da melhor qualidade.
       Seria uma exigência nascer em Erechim para influir positivamente e com mais sucesso  no seu desenvolvimento?
       Seria certeza de garantia total, que uma vez natural de Erechim, mais QI, mais determinação e mais talento haverá de se possuir para influir no seu desenvolvimento?
       Diante de algumas posturas - seria demasiado exagero supor que imaginam, nas alcovas, que esta terra (cidade) tem dono?
       É legitimamente correto e isento de qualquer erro, apesar das melhores e mais puras intenções, acreditar que as minhas ideias sobre este solo e o destino deste lugar é que formam, sim, as bases inabaláveis para a construção de uma sociedade justa e democrática?
       Justa e democrática para quem - se tem que ser do jeito que eu quero!
       Acredito piamente que um povo e uma comunidade devem sim cultuar suas tradições, orgulhar-se da história construída pelos ancestrais, e não podem não, se esquivar de emprestar o melhor de si para o crescimento e o pleno desenvolvimento da mesma.
       Agora – há que se definir o que vem a ser realmente, bairrista.
       E por fim – ou para começar -, creio que não devemos lançar à fogueira ou execrar os nossos romários – mas não devemos prescindir e, muito menos, ofender a boa vontade de "estrangeiros" que vem logo dali, da aldeia vizinha, para morar conosco.
       Talvez não devêssemos cantar tantas  hosanas a santos que João Paulo ainda não canonizou, sob pena de venerarmos santos que não o são, e talvez nunca venham a sê-lo, e, de quebra, nos tornarmos servos - em tempos que já se vão longe dos zinhôzinhos.
       E se não quisermos perder o último trem da história – que se tire passagem para todos.
Que ninguém seja recusado no vagão e nem deliberadamente esquecido na estação.
       Por favor – passagem para todos!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

De médico para médico



Do alto dos seus 100 anos de idade e da sua longa experiência como médico, o   professor   doutor   João   Gomes   Mariante,  deixou um singelo conselho aos alunos da primeira turma de Medicina da URI.
Instigado pelo presidente da Unimed de Erechim, Alcides Mandelli Stumpf, para que Mariante deixasse um conselho aos acadêmicos, o palestrante foi categórico: “menos técnica, mais afeto!”.
Membro  Efetivo da Associação Psico-analítica Internacional de Londres, Decano da Academia Sul   Rio-Grandense   de   Medicina,   ex-professor da faculdade de Ciências Médicas de São Paulo e  Professor de Egressos de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de Buenos Aires, o palestrante que veio a convite da Unimed para falar sobre o seu livro “Getúlio Vargas, o lado oculto do Presidente”, manteve as atenções com informações inéditas sobre Getúlio Vargas à plateia que lotou o salão de atos da Unimed. Foi um presente da instituição à comunidade na passagem dos 100 anos do município. “Menos técnica, mais afeto!”. Haauummm.


sábado, 14 de abril de 2018

Dexheimer deixa hospital




O ex-prefeito Antônio Dexheimer deixou o Hospital de Caridade na tarde deste sábado, 14. Ele recebeu alta por volta das 15h15min e saiu acompanhado da sua esposa Denise. O ex-prefeito sofreu um infarto na última quinta-feira, 12, às 10h30min, quando concluía uma cirurgia no Hospital Santa Terezinha. Queixando-se de dores no peito, mesmo após ser medicado com o uso de um analgésico, Dexheimer foi parar no Hospital de Caridade onde existem equipamentos para diagnosticar, avaliar e realizar procedimentos desta ordem. Depois de um rápido exame ele foi diagnosticado com um infarto.Submetido imediatamente a um cateterismo, recebeu dois stendes, e às 12h já estava na UTI – consciente. Na sexta-feira foi liberado para um quarto. Dormiu bem as duas noites que passou e neste sábado à tarde recebeu alta. Antonio Dexheimer disse que na noite anterior ao evento sentiu um desconforto no peito, mas “nada demais”. No dia seguinte levantou, tomou banho e café. Seguiu então para uma cirurgia no Hospital Santa Terezinha quando voltou a sentir o mesmo desconforto. Quando concluiu a cirurgia que realizou em um paciente a dor no peito o levou a buscar socorro para si próprio. Na sua própria avaliação ele teve muita sorte considerando o quadro. No período que passou internado recebeu muitas visitas e centenas de mensagens. “Ao longo da minha vida meu pai que era médico me operou da apendicite e, mais tarde, tirei as amígdalas. E agora isso”, sintetizou. Na condição de médico, quando sentiu o agravamento da dor no peito, concluiu que seu caso era de emergência. 

sexta-feira, 13 de abril de 2018

O pavio




Na capa do Estadão de hoje, uma manchete chama a atenção, mas não surpreende: “PT e Planalto fazem lobby no Supremo contra prisão em segundo grau”.
Não surpreende porque, na alegria ou na tristeza, as "famiglias" se unem.
A água já sobe bem acima das canelas de muitos que tem rabo preso por alguma malfeito, e como que algemados numa salinha, enquanto o Titanic afunda, como no próprio filme nem mais tão lentamente - tende a fazer "estragos necessários que brasileiros do bem merecem testemunhar".
O que mais se ouve nas ruas é uma coisa só: depois que Lula foi preso, qualquer um pode ser preso.
Convém, não obstante, aos interessados na promoção do lobby e aos supostos alvos - ministros da Suprema Corte -, atentar para a sociedade brasileira. Ela está muito bem informada, e, mais do que isto, esclarecida sobre o que sucedeu e sucede no País. A ignorância pode não ter se descolado de todos, mas a idiotice, esta, claramente, foi enxotada da maior parte da mente nacional.
Cuidado. Tentar sair por uma porta estranha e controversa ao sentimento de cidadania, pode levar à parada final, trajetórias de vidas públicas. E não adianta trocar águas que não serão contidas e que já sobem por barrigas causando calafrios, por exemplo, por um mar de fogo do outro lado da porta onde a sociedade a tudo - atenta e vigia. Não provoquem quem pode acender o pavio. 




quinta-feira, 12 de abril de 2018

Ex-prefeito Dexheimer recupera-se de infarto


O ex-prefeito Antônio Dexheimer reage bem ao infarto que sofreu no final da manhã de hoje, 12. Ele estava trabalhando no Hospital Santa Terezinha, quando queixou-se de não estar passando bem. Depois de contatar seu cardiologista, foi levado ao Hospital de Caridade, onde no início da tarde acabou sendo internado na UTI. Segundo sua esposa, Denise, o filho do ex-prefeito, Diego Dexheimer (que também é médico), esteve com o pai na UTI e pode constatar a reação positiva de Antônio Dexheimer, com quem até se comunicou. Ainda de acordo com Denise, ela foi informada por Diego Dexheimer, que nesta sexta-feira, depois de uma avaliação médica, o ex-prefeito talvez possa até ser liberado para um quarto. O filho médico de Dexheimer disse à Denise que ficasse tranquila porque “ele (Dexheimer) está bem. Ele, em princípio, até teve mais sorte do que... não foi uma região do coração que tem um comprometimento tão importante assim”, segundo teria sido informado pelo cardiologista que o atendeu. A notícia se espalhou rapidamente, mas os fatos no início da noite (18h) eram exatamente estes sobre o evento que envolveu o ex-prefeito de Erechim provocando especulações sobre seu estado de saúde. A última informação às 19h dava conta de que a situação estava sob controle e apontava para recuperação com otimismo considerando o quadro inicial.

GOVERNO MUNICIPAL SE PRECIPITA AO DEMITIR JORNALISTA




Não se sabe se foi uma decisão isolada do prefeito Luiz Francisco Schmidt ou se foi mais uma “sábia” conclusão de seu núcleo duro de governo. O fato é que a demissão da jornalista Paola Seibt repete o equívoco da liberação do jornalista Marcos Aurélio Castro.

Há tempo que o prefeito anda a procura de um jornalista mais conhecido, respeitado ou “consagrado”. Como se isso fosse garantia de uma boa divulgação dos feitos de governo. “Um cara que possa enfrentar os grandes nomes da imprensa local” - como já ouvi de dentro do próprio governo. Ora isso não é função para a assessoria de comunicação, mas se não que, uma missão que cabe diretamente a pessoas do próprio governo quando entenderem que não concordam com o que sai, ou como sai, na imprensa. Quem é porta voz deste governo com estofo para defendê-lo, quando injustiçado se vê. Nem na Câmara de Vereadores há essa figura, repito, com as características que os mais fieis escudeiros devem ter.

O fato é que a jornalista Paola é acima de tudo uma profissional que tem na dedicação, na competência, na leitura e interpretação rápida dos fatos, seus principais trunfos, aliados a uma surpreendente discrição para o cargo que exerce. Não se projeta na vitrine por lindas penas de pavão, como o executivo em outros tempos já exibiu. Ademais, pavonice não é sinônimo de cobertura correta das ações do executivo, e muito menos, credencial (credencial?) que meta medo em quem o governo, aparentemente, parece viver como se acometido de pânico.

Suspeito que as críticas de Antônio Dexheimer nas redes sociais, um dos responsáveis pela colocação de quem em governo hoje está, que elas têm sim suas fundamentadas razões para deixá-lo de cabelos em pé mesmo carecendo de fios no couro cabeludo ou descabeludo. Assaz observador de um governo, que ao lado de Eloi Zanella, elegeu –, não é de desconsiderar a maior parte das ironias do ex-prefeito, e crente fiel ao tempo da definição de um nome para representá-los, que melhor que Luiz Francisco Schmidt não havia. Hoje, o que se vê, é também um Antônio atônito com o que, e a quem, ajudou a governo fazer. E aí o espanto ultrapassa a figura isolada do prefeito.

Acredite senhor prefeito, não sei quem lhe convenceu a tornar realidade o equívoco de quarta-feira, 11, com a demissão da jornalista Paola, que “sozinha”, desde o meio do ano passado até esta semana, vinha tirando leite de pedra de um governo que ainda não disse a que veio e nem para onde deseja seguir. Talvez porque a razão seja clara e singela: o governo não o sabe. Ou por convicção de falta de convicção de um grupo lacrado em si mesmo, ou por dar ouvidos a tantos e a quem não devia.

Desde a implantação de governos em Campo Pequeno, que a prática de leva e traz, de insinuações, de bolas nas costas, de invencionices, de intrigas na própria trincheira para acobertar na maioria das vezes as próprias incompetências de setores, de secretarias e pessoas (respeitando as exceções), pois desde há muito que essa praga é semeada no gabinete do prefeito seja ele quem for, e bem perto de seus ouvidos, quase sempre buscando fugir à nulidades pessoais, elegendo um “Cristo” para justificar um projeto, uma intenção, uma ideia que não decolou ou um próprio governo que taxeia, taxeia e taxeia, mas não consegue decolar. Aí, então, para e manda descer o setor de comunicação que não conseguiu impedir que divulgassem o feito do piloto virtuoso, ou deste com sua tripulação, ao descobrirem-se sem plano de voo ou sequer um velho mapa .

Uma lástima. Um equívoco. Pior – outro erro. Tiraram o sofá da sala e não percebem que até as janelas ainda estão abertas. E o mais grave – uma injustiça. Justamente agora quando o governo começa a mostrar algumas ações, e, cá para nós, muito bem divulgadas pela comunicação e com alguma repercussão já mais positiva junto à imprensa e à população.

Luiz Francisco Schmidt, na condição de prefeito, devia ter este tino e evitar a precipitação. A quem o prefeito cedeu não se sabe. Se a seus conselheiros politicamente denodados, porém politicamente verdes e debutantes no ofício, ao seu exército de partidos, onde a tônica de predomínio segue a máxima da mediocridade de interesses mesquinhos sempre dispostos a colocar no palco novos artistas com suas comédias ou tragédias, ou, se de fato o intento do prefeito se precipita para instalar no cargo um pavão ou uma ave de rapina como se esta fosse capaz de “pautar a imprensa”.

O governo abriu mão de uma pessoa que trabalhou para o governo pensando apenas no melhor para o governo. E soube fazê-lo com discrição, algo estranho à política. Quem virá – talvez tenha atributos dos quais o próprio prefeito já se revelou um admirador incorrigível, ao elogiar escancarada e ingenuamente a quem sucedeu, e que tantos problemas de herança lhe deixou de presente – vide trânsito, saúde, falta de infraestrutura nos novos e infindáveis bairros que hoje emolduram com suas mazelas de infraestrutura a geografia de Campo Pequeno. 

Quem pode saber o que se passa nas preferências das pessoas – ainda mais quando investidas em cargo e responsabilidades públicas é que são elas. Que de seu direito é. Que deve ser respeitoso, deve, até porque a caneta derradeira, dos sucessos ou fracassos públicos só aceita uma assinatura. Agora, que é direito e até dever da própria imprensa manifestar-se sobre o que, por que e quem leva à determinadas assinaturas daquele único que pode melhorar ou piorar sua própria missão, também é do mundo democrático.

Que a competente jornalista Paola Seibt encontre o mais rápido possível quem saiba lhe reconhecer a qualidade do seu trabalho e sua postura fundamentalmente profissional. Ouso de deduzir e concluir que a jornalista foi vitimada por sua temperança de seriedade, que jamais lhe permitiu gargalhar de piadas sem graça ou ditos piegas, tão comuns e com tantos aplausos, desde que pronunciadas por superiores na hierarquia do poder da coisa pública.

E que o governo quando decidir-se que está na hora de criar um fato novo, como por exemplo demitindo alguém, que o faça com sensatez, embora esta seja uma virtude ausente à grande maioria dos governos, porquanto no olhar dos mais míopes, os impactos de fatos e feitos da administração pública importam bem menos, que afagos políticos ou repercussões de coalizões - também conhecidas como conchavos - divorciados do interesse geral da sociedade.   

quinta-feira, 1 de março de 2018

ARMAR O PROFESSOR É DECRETAR A MORTE DA PEDAGOGIA




*Arnaldo Nogaro

       Assisti atônito ao pronunciamento do presidente americano Trump na televisão a respeito do massacre de estudantes na Flórida. O presidente defendeu a ideia de que devemos armar os professores para que impeçam que massacres como aquele ocorram novamente. Na reunião na Casa Branca, com os estudantes que sobreviveram ao tiroteio, Trump argumentou: “Se você tivesse um professor que fosse adepto das armas de fogo, poderia muito bem acabar com o ataque muito rapidamente.”
       Confesso que aquelas palavras ficaram na minha cabeça. Comecei a interrogar-me e a questionar-me a respeito da função do professor e do lugar da escola. No meu entendimento, educar envolve gestos e atitudes que se contrapõem a qualquer mecanismo de violência física, psicológica ou simbólica. Um educador faz formação específica, normalmente de nível superior ou até pós-graduação, para preparar-se do ponto de vista didático, epistemológico e ético para trabalhar na educação básica com crianças e jovens. Seu métier está relacionado ao conhecimento, às atitudes, a proteger e defender a vida, mas jamais pegando em armas de fogo para tirá-la. Eu sei que o cenário brasileiro, por exemplo, faz com que as pessoas pensem em saídas radicais, extremas, em função do contexto caótico em que impera a violência e desassiste as pessoas quanto à segurança. Mas daí a armar o professor como saída, no mínimo, é um disparate.
       Embora, muitas pessoas poderão pensar que Trump tenha razão, fico me perguntando o que diriam a respeito disso Madre Teresa, Gandhi, São Francisco de Assis, dentre outros, que pregaram o amor e a paz como princípios para o agir humano.
Questionei-me também a respeito da sanidade da ideia de “armar o professor”, no “mínimo 20% deles”, segundo o dirigente americano. Rememorei teóricos da educação, estudiosos da Pedagogia e do que falam a respeito do ser professor e de sua tarefa. O que diriam de transformar o professor em um “guarda armado”, agora, além do conhecimento, com armas de fogo? Lembrei da metáfora de Bauman, quando propõe que podemos comparar o professor com o caçador ou o jardineiro, deveras oportuna e atual, segundo o desejo do dirigente máximo.
Acredito que as palavras de Trump devem ter provocado uma miscelânea de sentimentos em educadores, que como eu, acreditam que há outros caminhos e estratégias para se enfrentar os cenários com que nos deparamos e a contaminação da escola com práticas, até então, somente existentes fora dela. Ivan Illich, na década de setenta, criticou a escola e sua organização dizendo que, em decorrência dos resultados que apresentava, não deveria mais existir e, portanto, deveríamos fechá-la para o bem da humanidade. Sua profecia não se confirmou, no entanto, no momento em que decidirmos pôr uma arma de fogo na mão do professor, decretamos o fim da Pedagogia e da esperança de que o ser humano pode ser mudado pela educação. Na contramão do que Trump propõe, Antônio Damásio, neurocientista renomado, em seu último livro (A estranha ordem das coisas) afirma: “se não houver educação maciça, os seres humanos vão matar-se uns aos outros.” Ainda bem que há mentes lúcidas que vislumbram saídas viáveis e apontam uma luz no final do túnel. Graças a estas mentes podemos depositar esperanças no ser humano e num amanhã melhor.

*Pró-Reitor de Ensino - URI



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

ERECHIM NÃO TEM MAIS UPA





Isso mesmo. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) está desabilitadada para o município de Erechim. Como sempre, na origem de tudo ou no fim de tudo, a falta de repasse de recursos, especialmente da União. Projetaram uma UPA para custar R$ 350 mil/mês (União com R$ 175 mil, Estado e município com R$ 87,5 mil cada). Quando entrou em funcionamento descobriram que por menos de R$ 700 mil a R$ 800 mil não dava. Levar o prédio embora não dá. O município queria comprá-lo, mas o caso pode ter outro desfecho. Quem dá os detalhes de como tudo ficou agora é o secretário adjunto da Secretaria de Saúde de Erechim, Jackson Arpini.

Blog do Ody - É verdade que Erechim não tem mais Unidade de Pronto Atendiento – UPA?.-

Jackson Arpini - Sim, em outubro de 2017, através da Portaria nº 2.685/2017, publicada no Diário Oficial da União foi desabilitada, o que significa dizer que Erechim não está mais atrelado ao regramento que rege as UPAs.



Blog do Ody -  Pode dar mais detalhes?

Jackson Arpini - a) Em março de 2017 representantes do município de Erechim estiveram em audiência com o Ministro da Saúde, Sr. Ricardo Barros, em Brasília, para tratar especificamente da situação das   Upas, em especial, da Upa de Erechim;

b) Após amplo diálogo, onde as partes tiveram a oportunidade de fazer as ponderações pertinentes, o órgão ministerial não se opôs a desabilitação da Upa de Erechim, entendendo que a implantação de duas unidades com o mesmo objeto, a uma distância aproximada de cem metros (Pronto Socorro da FHSTE e UPA), no atual cenário de carência financeira, seria uma duplicidade de serviços e gastos desnecessários;

c) Na oportunidade o ministro solicitou que o município formulasse a proposição, através de ofício com as devidas justificativas e considerações, fato que foi prontamente atendido. Em março de 2017 o município protocolou o ofício;

d) Na sequência, em maio de 2017, o órgão ministerial emitiu um Parecer Técnico e solicitou documentos complementares, entre eles, uma proposta de como ficará organizada a Rede de Atenção às Urgências, no âmbito municipal;

e) A Secretaria de Saúde formulou a proposta e prontamente enviou para análise técnica do ministério (junho de 2017) que emitiu parecer favorável a desabilitação, no entendimento que a rede não ficará descoberta com o funcionamento da unidade em horário menor, e com os serviços do Pronto Socorro da FHSTE (Atenção Secundária), da própria unidade (Pronto Atendimento), entre outros;

f) Face ao  Parecer Técnico favorável o ministério publicou, em outubro de 2017, a Portaria nº 2.685/2017, que desabilitou a Upa de Erechim.


Blog do Ody - O prédio e as instalações estão lá. O que funciona no local?


Jackson Arpini - Sim, a estrutura física continua a mesma (inalterada). Quando o processo de interlocução com Ministério da Saúde encerrar em definitivo serão realizadas adequações físicas para a implantação da Unidade Municipal de Referência em Saúde, que agregará os seguintes serviços:

·      UBS Centro (já em funcionamento na antiga UPA)
·      Pronto Atendimento (já em funcionamento na antiga UPA)
·      Ambulatório de Feridas Crônicas (já em funcionamento na antiga UPA)
·      Centro de Referência da Mulher (já em funcionamento na antiga UPA)
·      Base da SAMU/SALVAR (em execução de projeto para realização de obra física)



Blog do Ody -  Que horário fica aberto por dia?

Jackson Arpini - Atualmente a unidade fica aberta aos usuários do sistema público de saúde das 7:30 horas às 19:30 horas (12 horas/dia). A partir do encerramento das tratativas com o órgão ministerial a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estuda viabilidade de ampliação do horário do Pronto Atendimento (um dos serviços da unidade) até às 22 horas, claro, após análise de impacto financeiro.





Blog do Ody – Não lhe parece que o governo federal teria interesse que o município assumisse tudo?

Jackson Arpini - O governo federal, através do Ministério da Saúde, já trabalha tecnicamente com a alternativa da desabilitação das unidades (fato corriqueiro) em virtude das carências financeiras dos entes parceiros (união, estados e municípios).
Em outras palavras não se opõem a essa decisão dos municípios que solicitaram tal pleito e vê como uma das alternativas viáveis ao impasse que se dissemina pelo Brasil. A desabilitação não é uma medida unilateral, mas sim, depende de aprovação do Ministério da Saúde, fato que ocorreu com a UPA de Erechim, após amplo diálogo, e com tantas outras.
Atualmente a matéria está na alçada do Tribunal de Contas da União que, em parceria com o Ministério da Saúde, constituiu um Grupo de Trabalho, formado por várias entidades/instituições, com a finalidade de apresentar uma proposta factível e que atenda os interesses da sociedade, dos entes parceiros e aspectos legais, para análise a apreciação do TCU (Portaria nº256/2018).
Estamos atualmente aguardando instruções técnicas do órgão ministerial, para definição da devolução ou não do recurso repassado pelos entes para esse objeto (UPA).
O Ministério já trabalha com a alternativa de destinar as unidades aos municípios sem devolução dos recursos, desde que sejam observados quesitos importantes como “utilidade pública e assistência à saúde”. Para tanto a matéria necessita ser apreciada e aprovada pelo TCU.    


Blog do Ody - A construção da UPA foi um acerto ou um erro?

Jackson Arpini - Nem erro e nem acerto. O que faltou no caso das Upas foi um planejamento mais rigoroso, partindo do pressuposto que as ações de saúde devem ser políticas de Governo (ente público) e não políticas sazonais. Podemos inferir, na nossa concepção, que faltou planejamento e melhor interlocução dos entes parceiros num projeto de longo prazo, no qual envolve edificações, equipamentos e custeio, bem como, o importante fator estadual/regional/local, que apresenta, no universo Brasil, características e necessidades diferentes.
Claro que a alteração do cenário político e financeiro corroborou para o agravamento do impasse das Upas. Desde 2009 os valores de custeio são os mesmos e os custos operacionais subiram consideravelmente, sem contar que os valores pactuados estão abaixo das necessidades reais – o grande gerador do impasse.


Blog do Ody - O que pensar quando um político diz que a prioridade é a saúde – como no caso das autoridades federais?


Jackson Arpini - Reitero, as políticas públicas de saúde devem ser políticas de Governo, com solução de continuidade, perenes. Quando se gera uma demanda pública na área da Saúde há a necessidade de estudo criterioso de viabilidade técnica e, principalmente, orçamentária, para sua manutenção e operacionalidade, caso contrário, as políticas não apresentarão os resultados esperados.
No caso específico das Upas, se houvesse recursos orçamentados suficientes e garantias no repasse regular por parte dos parceiros essa situação não tomaria tal envergadura. Há um hiato entre a proposição teórica e a prática.
Esse exemplo se aplica para outras rubricas na pasta da Saúde, quando verificamos que vários programas não têm, na atualidade, o aporte regular de recursos por parte dos parceiros (união e estado), recaindo a manutenção para o ente municipal – em tese o mais fragilizado. Os municípios devem aplicar em Saúde o percentual de 15% e, segundo dados do SIOPS/MS, aplicam muito além do preconizado. Erechim, em 2017, aplicou 22,7%.


















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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

ATLÂNTICO INICIA DE NOVO COM SUA MARCA: ORGANIZAÇÃO!


Nem sempre os planejamentos dão certo.
Mas quase sempre dá errado tudo que não planejado é.
Se não é mãe biológica, o equívoco, o erro, o insucesso, a derrota... tem no improviso, na pressa ou na invencionice de última hora - madrasta.
Todos os anos me pergunto qual o segredo do CER Atlântico em quase tudo que coloca em prática. Um exemplo – o Futsal.
Sem os vultosos investimentos de agremiações não raras vezes, de conquistas passageiras para logo ali na outra esquina do tempo cair no esquecimento, o Galo pavimenta uma trajetória amparada e espelhada ao interno e ao externo na segurança - sem a certeza do resultado -, porém, com a convicção de quem pensou se uma ou outra curvinha de seu mascote está de acordo ou poderia ser mais enxuta. Detalhe irrelevante – mas se é da fonte dos detalhes de onde brota tudo, que nada fique para o amanhã e, muito menos em segundo plano.
Não sou administrador, mas observa-se quando se deseja constatar, que nos empreendimentos empresariais, sejam eles econômicos, políticos, sociais ou esportivos, que ali não há espaço sequer para discussão, ou cogitação, de absolutamente nada que denote o improviso, o empirismo, o achismo. Como em uma corrida de 800 metros há um plano para a largada, um método para o desenvolvimento da corrida e uma estratégia de chegada, esta sim, podendo sofrer variável considerando as circunstâncias.
O fato concreto é único: mais uma vez o Atlântico na apresentação do seu projeto de Futsal/2018 deu uma aula de como é possível fazer alguma coisa com planejamento onde a organização é a prioridade hierárquica, e a descentralização de funções e o comprometimento individual e coletivo – vigas-mestras que conduzem com possibilidades mais viáveis ao altar da vitória.
Para amparar na base e num olhar 360 graus, o que o clube apresentou na noite do dia 19, foi isso - na presença maciça de elementos que fazem parte do projeto/espetáculo, não obstante, a maioria não botar o pé na bola.
E aí entram os apoiadores de todas as escalas – todos com seus lugares no palco CER Atlântico/2018 -, entidades públicas e privadas, empresas, pessoas e imprensa. 
Apresentou ainda em seu discurso, o presidente do clube, Julio Cezar Brondani, uma contribuição do verde-rubro aos 100 anos de Erechim, sediando em junho a 45ª edição da Taça Brasil de Futsal. Mas enfim, em um salão tomado de convidados do clube, afora a largada oficial do Futsal/2018 com apresentação dos setores da área, inclusive de atletas e dos uniformes para o ano, o que viu mais uma vez foi a capacidade de se mostrar organizado para os desafios – que de resto configuram uma marca do CER Atlântico, e, por que não, quase um DNA obsessivo de seu presidente – um discípulo do pensar antes, e mais, para não errar depois, ou, se o equívoco der as caras, que seja o menos perceptível e prejudicial possível dentro do que devida, cuidadosa e meticulosamente planejado foi para que não pinte na área.
Como o próprio presidente destacou: “É preciso dizer que a vida, e suas vicissitudes, nos ensinam que a força não vem apenas das vitórias. São nossos esforços que desenvolvem nossas forças. Quando enfrentamos os obstáculos e nos decidimos a vencer, isso é força. Força, fé e coragem”.
Porém, como tudo na vida nem sempre acontece como se projeta, e até às vezes, raras é verdade – somos apanhados pelo Imponderável FC, também forçoso se faz enfatizar e considerar outra observação do presidente Julio Brondani: “palavras são palavras, explicações são explicações, mas o que conta para o torcedor e os públicos a que estamos ligados, são a transparência dos objetivos traçados e os resultados conquistados”. E aí mostrou duas folhas com sua fala e, virando-as, mostrou-as límpidas, linhas que registrarão a história do verde-rubro este ano.
Agora – que os acidentes ocorrem menos quando o céu está limpo, isto é de uma segurança associada às lógicas que tem um histórico que beira aos céus. Em contraponto, assim também é com a visita engenhosa do imponderável ao nos "brindar" com o bilhete sorteado que ninguém deseja, constituindo-se em um evento também possível, porém mais raro – e que vai para depósito na prateleira das escassas surpresas – quase dos milagres.
Dito isto, a bola já rolou para o Galo. E na Copa Verão de Futsal Cidade Capão da Canoa, nem o milagre do desastre – nem o objetivo mais alto. Mas, mantendo-se fiel à sua trajetória de segurança e confiabilidade, um vice-campeonato. O que, convenhamos, está bem de acordo, e dentro do que uma instituição organizada pode alcançar no alvorecer de um dia de 365 auroras, sem a ilusão de uma largada que pode conduzir a enganos, nem a decepção de quem, açodadamente, rasga não uma – mas duas folhas, bem como o presidente mostrou no dia da apresentação e que a estas alturas do 2018 estão para serem preenchidas.

“Avante/
Vamos para a luta..!”  





quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Erechim perde jornalista Delcy João Maloz



O jornalismo de Erechim está de luto. Faleceu na tarde desta terça-feira, 21, às 15h30min o jornalista Delcy João Maloz. Ele tinha 75 anos de idade. Deixa a esposa Ivanildes, os filhos Cassandro e Cassan, duas netas, um neto e o irmão Jandir Maloz. No ano passado perdeu o irmão Almir Hugo Molossi. 
Delcy, como era chamado na imprensa local, trabalhou por cerca de 50 anos como redator chefe de notícias da rádio Erechim, de 1964 á 2013. Também atuou um período como correspondente do Correio do Povo. Dono de personalidade forte, tinha apreço pelo jornalismo com prioridade à verdade e, sabia como poucos, convencer com calma e um largo sorriso, os que não gostavam de ver publicadas algumas notícias. Sempre recorria ao seu compromisso inarredável com os preceitos jornalísticos de respeito aos fatos e à ética. Também por muitos anos desempenhou a função de assessor de imprensa da Câmara de Vereadores de Erechim, ao lado do colega Rui Tomazzelli.

Delcy João Maloz também deixa um legado no esporte. Apaixonado pelo futebol amador foi um dos fundadores e apoiadores de todas as horas do Juventus/Acejá. Entre seus prazeres estava o de passar horas no estádio dos Gaviões, na entrada para o Desvio Becker, onde o Acejá tem sua praça de esportes. Delcy sempre foi um homem de família, da imprensa, do futebol e das reuniões descontraídas dos colegas de profissão, contando, ouvindo e divertindo-se, principalmente, com as histórias sobre gafes no meio jornalístico. 
Particularmente pude substituí-lo em várias oportunidades nas suas férias, na rádio Erechim, como redator de notícias. No último dia 12, véspera de carnaval, estava nos corredores do HC quando encontrei seu irmão Jandir que me informou sobre o Delcy internado. Tratava, havia alguns meses, ora no hospital, ora em casa – de um tumor que lhe acabaria sendo fatal. Fui visitá-lo e conversamos descontraidamente, enquanto ele próprio mostrava-se otimista, como quase sempre sobre tudo, quanto ao tratamento. Despedi-me recebendo o tradicional sorriso na esperança de que tudo sairia bem. Mas naquela mesma noite ele foi internado na UTI. E não pude mais vê-lo desde então. Delcy João Maloz despede-se da vida. De Erechim. Mas, ironicamente, inscreve em definitivo no ano do centenário da cidade que amou o seu nome na história erechinense para todo o sempre. Delcy está sendo velado na capela B do HC. A encomendação do corpo é nesta quarta-feira, 22, às 10h e depois será sepultado no Cemitério Pio XII.