quinta-feira, 11 de setembro de 2014

De promessas e atrasos!

BV - 29 - 8 - 2014





O jornal Boa Vista, a Rádio Cultura e o BV Online lançaram a campanha “Identidade Alto Uruguai’. A ideia surgiu depois dos problemas que vieram com as chuvas de junho que deixaram a região isolada do resto do país – obrigando motoristas a buscar trajetos que não a importantíssima BR 153. Mas os problemas se esparramam. E com o objetivo que eventuais ou corriqueiras promessas deixem de ser promessas para se transformar em realidade, positivas e imperiosas para o Alto Uruguai, é que os veículos  da Fundação de Comunicação para a Educação e Assistência Social, pretendem dar sua contribuição. E uma delas é ‘marcar mais de perto’ o que andam prometendo nas alcovas do poder. A campanha não é contra ninguém. É a favor da política, da economia, das empresas, da educação, da cultura, da qualidade de vida, da sociedade que tem sua vida nesta região e além dela. 
       Hoje, neste espaço, reproduzimos dois momentos que foram notícia recente sobre algo que nos interessa. A duplicação de parte da ERS 135. O primeiro texto é da Assessoria de Imprensa da prefeitura de Erechim. O segundo, fruto de uma reunião na URI, quando aqui esteve o presidente da EGR, sua excelência, Luiz Carlos Bertotto.


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‘EGR anuncia duplicação de 6,8 quilômetros da ERS-135
       Deve ser lançado até o dia 31 de agosto o edital que prevê a duplicação de 6,8 km da ERS-135, no trecho que compreende a entrada da cidade de Erechim (próximo ao Posto da Polícia Rodoviária Estadual) até a Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (13) pelo presidente da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), Luiz Carlos Bertotto, durante reunião do Conselho Comunitário das Regiões Pedagiadas (COREPE).
       O prefeito de Erechim, Paulo Polis, comemorou a notícia, mas pontuou que seguirá acompanhando o andamento do processo. “Inicialmente, lutamos pela construção do trevo de acesso à UFFS, que deverá estar concluído em setembro. Agora, depois de muitas discussões e empenho de nossa equipe, parlamentares e lideranças de diversos segmentos, a duplicação da ERS-135 terá início. Temos de saudar o anúncio da obra, mas ficaremos em cima até a sua conclusão”, destaca Polis.
       Segundo ele, a duplicação - que deverá incluir ainda um novo trevo no acesso à cidade - irá oferecer mais segurança para os usuários da rodovia, além de agilizar o fluxo de veículos no trecho, que deve ser ampliado com o início das aulas na UFFS.
       Outras obras de melhorias ao longo da ERS-135, como novos asfaltos e o prolongamento de terceiras pistas em trechos da rodovia, também foram apresentadas pelo presidente Bertotto.
       O custo total da duplicação dos quase 7 km da ERS-135 está estimado em R$ 22 milhões, sendo que a EGR já tem garantido recursos para iniciar os trabalhos, o que deve ocorrer ainda em 2014. O secretário de Planejamento de Erechim, Anacleto Zanella, seu adjunto, Jaime Basso, e o vereador Lucas Farina também participaram da reunião do COREPE’.


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 NO DIA 16 DE DEZEMBRO DE 2013, na URI Erechim, houve audiência pública que rendeu o seguinte texto. Reduzo-o, sem prejuízo ao teor, por questões de espaço.

‘Presidente da EGR garante duplicação de 6,7km da ERS 135
 Corep da Praça de Coxilha dará a palavra final
       
O presidente da EGR, Luiz Carlos Bertotto, garantiu segunda-feira, 16 (dezembro/2013) em Erechim, que até fevereiro de 2014 sairá a licitação para contratação da obra de duplicação do trecho da ERS 135 entre Erechim e a nova sede da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS) e a construção de um trevo de acesso à universidade. São 6.796 metros e no local de acesso à universidade haverá duas rotatórias com um viaduto impedindo que veículos cortem a rodovia. O anúncio da duplicação... ainda deverá ser apreciado pelo Corepe (Conselho Comunitário das Regiões das Rodovias Pedagiadas)... O Corepe tem sua próxima reunião marcada para 12 de fevereiro de 2014. Na audiência pública... estiveram presentes... prefeitos... presidente do Corede/Norte, representantes do Corepe e dirigentes de entidades... interessadas... sobre a estrada... a única rodovia com pedágio comunitário assumida pelo estado que ainda não tem duplicação. Segundo o presidente da EGR o trecho de quase 7 km a ser duplicado... deverá contar com cerca de R$ 20 milhões, recursos que já estariam garantidos... Garantiu que quem precisar pode recorrer ao telefone 198 da Polícia Rodoviária Estadual, para acionar guinchos.... ‘O guincho não vai consertar o carro enguiçado na estrada, mas o deixará onde possa ser’, disse. Quanto ao serviço de ambulância... há contrato com bombeiros... O presidente da EGR garantiu pinturas, roçadas, operações tapa-buracos. Chegou a citar que no deslocamento de carro até Erechim pode observar que a estrada apresenta problemas e ele mesmo pediria uma rápida restauração em alguns pontos.
       O prefeito de Erechim, Paulo Polis indagou... sobre prazos, enfatizando que as aulas na UFFS começam em fevereiro e o que todos querem é uma estrada duplicada, ao menos no trecho que liga a instituição com Erechim. Citou que passam pela rodovia 1,3 milhão de veículos por ano...’

‘... O prefeito de Quatro Irmãos, Adilson de Valle observou que a melhor solução para aliviar o trânsito na ERS 135 seria a pavimentação da BR 153, antiga Transbrasiliana’ Prosseguiu de Valle: ‘... seria mais barato e mais prático, sem impacto ambiental e praticamente sem desapropriações. Números da EGR indicam que no Pólo de Pedágio de Coxilha foram arrecadados de fevereiro a outubro de 2013, R$ 5.019.335.22 e desembolsados R$ 3.723.367,10 de março a outubro. Segundo o Comando Rodoviário da BM de Erechim, neste ano (2013) já morreram oito pessoas na ERS 135. No último acidente, semana passada, na chamada curva do ‘S’ entre Erechim e Getúlio Vargas foram registradas duas vítimas fatais’.

PS – Como se vê, problemas não são por má vontade Divina.

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A URI – porque é a obra - sempre será!

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 - Vão-se as pessoas. Ficam as obras! Corria o ano de 1972.
Havia dois anos que Pelé marcara o primeiro gol Colosso da Lagoa onde cabia toda população da cidade. E eu de frentista do Posto Atlantic, na primeira turma de Administração, entre ‘donos’ da cidade. E para azar meu, o professor de Metodologia Científica, Girônimo Zanandréa, ressuscitou a mania de cada um se apresentar. Quem não era dono de empresa era gerente. Quem não gerente era comandante do 13 BPM ou chefão do BB ou de algum órgão do estado. E eu - um guaipeca, especialista em trocar pneu, lavar e secar carro. A URI então, nem existia. Éramos o Cese. Extensão de Passo Fundo. O tempo rolou. Houve quem virasse prefeito, secretário e até bispo. Eu – aconselhado que fui por Jayme Lago dei os trinta na faculdade de ativos e passivos e enveredei pelo jornalismo.

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 - Em 1992 estava na Sete quando a caravana retornou de Brasília com a Universidade embaixo do braço. Com o tempo viria a saber sobre o parto do Grupo Tarefa (Glenio, Cléo e Mara), e dezenas de outros para aparar arestas de três centros de pessoas, de infraestrutura, passados e sonhos, de interesses. Em 19 de maio, tínhamos onde Dom Girônimo me deixara mal das pernas e do coração – uma Universidade. A URI.
Não é preciso auscultar sobre a relevância de uma Universidade. De lá espera-se que se forje o conhecimento através do ensino e da pesquisa – da manifestação. Do repasse e da investigação. Da facilitação e da estimulação. E pelo desenho da URI integrando três – depois seis cidades; a instituição que assuma e desempenhe papel singular no desenvolvimento regional por meio de ações comunitárias.

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 - E nesta área o país anda devendo.Choramos os sete da Alemanha.
Quando se trata de Prêmio Nobel o placar vai a 103 a 0.
No último ranking da THE (Times Higher Education) das 200 melhores universidades do mundo, não temos nenhuma. 
Quando se ranqueia o ensino médio, nos conforta deduzir que ali pode estar a má colocação no campeonato do ensino superior. No Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) somos 58º. Tiramos este lugar em Matemática, 59º em Ciências e, 55º em Leitura. Isto em 65 nações.
Já no RUF (Ranking Universitário Folha) a URI aparece em 94ª lugar entre 192 instituições nacionais. Destaque-se, a URI, em 81º no quesito Mercado, 76º em Inovação e 75º em Pesquisa. Sem bairrismo, são números sadios para quem povoou e ensinou aulas superiores onde o estado não se fazia presente às demandas e nada havia, que não, extensões. Desbravada a mata, a realidade é menos cinzenta a quem recém chega e já depara ao menos com calçamento, luz e água no bairro. Ruas sem Bellinas nem Opalas. 


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 - Em 1992 Erechim tinha 72 mil almas – contra 101 mil hoje. A URI -14 cursos. No final de 2013 eram 43.
266 professores contra 1.028.
Especialistas (157 para 191), mestres (50 para 496) e doutores (três para 133 atuais).
Funcionários na razão de 204 para 837.
Em 1992 eram 3.345 alunos contra 12.500.
Dez cursos de pós e 311 alunos.
Hoje - 30 cursos para 1,3 mil alunos.
Projetos e grupos de pesquisa não havia em 1992. Hoje são 85 grupos e 397 projetos.
Registre-se ainda a implantação de sete mestrados e um doutorado.
Só no ano passado as ações sociais da URI beneficiaram 75 mil pessoas.
O acervo foi de 46 mil títulos para 491 mil.
Os laboratórios saltaram de 48 para 380.
No final de 2013 a URI beneficiava 3.347 alunos através do ProUni e programas próprios. Investimento de R$ 23,6 milhões.
Em 2013 a URI expediu 1.896 diplomas de graduação. Entre 2003 e 2013 foram 22.517. Em 2007 a URI, por exemplo, formou quase 2 mil alunos.
Admitindo um investimento R$ 3 mil/aluno e, cada convidado desembolsando em média R$ 50 – roupas, deslocamento, presente, etc – concluiu-se que a URI movimentou cerca de R$ 15 milhões no ano, só em formaturas.
Pegue-se o que eram e, o que representam hoje, Erechim, Frederico Westphalen, Santo Ângelo, Santiago, São Luiz Gonzaga e Cerro Largo em população, indústrias, comércio, veículos, conhecimento, pesquisa, prédios, cultura, circulação de pessoas e - serviços!
Os alunos vêm de 120 cidades.
E, em uma área altamente sintomática, em dez anos a URI emitiu 3.685 certificados de mestrados e doutorados.

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 - Enfim, são inegáveis as mudanças. Os acréscimos, a formação, a atração e a retenção de mão de obra qualificada.
Horizontes, esperanças, e os sonhos prometem.
Agora – há relatos de que é preciso mais.
Faço a ressalva antes, salvo honrosas exceções: talvez fosse importante uma maior exposição na mídia, através de artigos, debates e opiniões, de mestres da universidade sobre a conjuntura mundial, nacional e regional e suas implicações positivas e negativas na vida de todos nós. A socialização do conhecimento é tão relevante quanto são obras sociais de extensão.  Se a qualificação do ensino e da pesquisa é uma imposição dos tempos, a academia também tem o dever de assumir posições, argumentando e fazer da divergência racional um caminho que leva à luz.
Fazer jus a crédito por confiança.
Não ignorar o passado.
Valorizar o presente – debatendo-o.
Denodar-se à inovação.
Este deve ser o fio, permanente, dos desafios de quem exerce cargo dentro de uma instituição de ensino – reconhecendo-se ainda as lidas intrincadas com vistas a uma gestão com saúde, afinal, o ‘paciente’ precisa manter-se vivo.

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 - Imagino ser este, parcialmente, o compromisso que se renova e re-aguarda o reitor Luiz Mario Spinelli, os pró-reitores, Rosane Vontobel Rodrigues, Giovani Palma Bastos e Nestor Henrique De Cesaro e, os diretores gerais Paulo Sponchiado (Erechim), Silvia Canan (Frederico Westphalen), Gilberto Pacheco (Santo Ângelo), Francisco Gorski (Santiago), Dinara Tomasi (São Luiz Gonzaga), Edson Bolzan (Cerro Largo) e, suas equipes, quando aceitam a URI para 2014/2018.   

O tempo passa.
Os números se alteram.
Os desafios se renovam.
A URI não é uma nem outra.
Não é aquela - nem ela (dona de si).
A URI é comunitária.
Pessoas foram e estão – mas passarão.
A URI foi.
A URI é.
A URI – porque é a obra - sempre será!


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Ypiranga dos ypiranguistas!

BV - 22 - 8 - 2014



DIA 18 o Ypiranga FC fechou 90 anos.
Quem tem 90 anos?
Qual dirigente do clube tem 90 anos?
FOI fundado no Hotel de Lourenço Antunes de Oliveira.
A história foi relembrada em vídeo no CC sexta-feira, 15, quando ex-presidentes ainda vivos foram homenageados.

O Ypiranga foi fundado no dia seguinte a uma partida entre o Ítalo-Brasileiro (mais tarde Atlântico) e o Douradense, num campo na Praça Julio de Castilhos.

UM grupo de recém chegados a Boa Vista do Erechim, e hóspedes do hotel, foram ver a partida. Como a torcida era quase toda do Ítalo, os ‘visitantes’ resolveram gritar Douradense.
O Ítalo venceu o jogo, mas até hoje não se sabe quem ganhou a briga depois dos 90.
Futuros atlantistas e, ainda não sabidos futuros ypiranguistas, engalfinharam-se num sururu.

DEPOIS que os últimos chapéus foram juntados do chão, e o que restou de sobrinhas foi acomodado sob braços, enquanto cavaleiros montavam e sumiam seguidos por carroças que quase arrancavam os trilhos, a noite caiu e com ele veio o silêncio. Estava lançada a semente da rivalidade – e do Ypiranga.

O ÍTALO ganhara mais uma.
Sua sociedade haveria de comemorar noite adentro.
O Douradense recolhera-se ao interior dos matagais que levavam ao Dourado.
Segunda-feira o arado esperava.

EM MEIO aos curativos e falações da noite sobre a grande briga, brotou o sentimento de fundar uma oposição ao Ítalo, hoje Atlântico, enfim, ao Galo.

DE modos que, tendo como inimigo, como rival, como adversário um ente externo(Ítalo-Brasileiro) a comuna desde a noite de 18 de agosto de 1924 passaria a ter dois pólos esportivos, que, arredondando para os dias de hoje atendem por Atlântico e Ypiranga.

COMO foi sadia essa rivalidade. Como ela ajudou a desenvolver o esporte e a sociedade local. Como ela fez e faz falta!

PARA saudar tudo ‘a família nonagenária’ reuniu-se em garbo festivo no revigorado CC dia 15.

O YPIRANGA nasceu com um rival identificado e, é aqui que o Canário de nove décadas sacode as penas da incompreensão: o rival, o adversário, o ‘inimigo’ não pode, ou não devia; ser aludido ou conjecturado dentro da sua ‘gaiola’ ou da sua trincheira, do seu Conselho, da sua direção... da sua casa.

E quando alcança idade esplendorosa para um clube movido à paixão, eis que de bocas e línguas Canárias vazam desconfortos, como se o clube dependesse mais de um do que de todos. E, isto não pode deixar de ser enfrentado – pior seria varrer para debaixo do tapete – mas, urge, encontrar um meio de superação que priorize acima de qualquer inteligência ou visionário – o clube.

SEI que abordar este tema em dias de festa pode parecer ‘intriga’, - mas, creiam, não é. Por isso toco de leve na ferida – antes que ela contamine todo o corpo.
É uma excepcional oportunidade para colocar as coisas em pratos limpos, sob os auspícios, inapagáveis, de como o clube foi fundado. Recordo aos incautos ou de pouca memória: o Ypiranga FC foi fundado com um único fim: fazer frente ao seu oponente e ‘rei da bola’ em Boa Vista do Erechim, hoje - Atlântico. O resto é reles perfumaria da vida.

VEMOS com freqüência quedas de braço, em ritmo crescente, pelo poder em grandes clubes do estado. E sob este aspecto é até natural que também dentro do Ypiranga vozes divergentes se façam ouvir.

MAS ‘divergência’ não pode significar a implantação do neologismo ‘eumismo’, dando a entender que quando o clube estava sob ‘o meu comando...’, ou ‘o meu Ypiranga...’. Não. O Ypiranga FC é maior, mas muito maior do que qualquer presidente que tenha segurado uma onda, duas ondas, dez ondas, vinte ondas.
É muito maior também do que qualquer dirigente que tenha conquistado este ou aquele título, pela singela razão de que o clube em não tendo dono - de todos (os ypiranguistas) é. Logo, suas conquistas não têm pai – mas família. ‘... é mas na hora de fazer, se não fosse...’.
Sem essa. Foi porque quis. Está porque quer. Pode vir a estar porque assim é do seu desejo.
O Ypiranga não precisa de quem que seja, se não for por amor, fim único e soberano dos que assinaram a ata de fundação depois da briga contra o Ítalo.

OS ypiranguistas sabem do que aqui se trata e o que se passa. E, creiam, aconteça o que acontecer o clube não desaparecerá – ao contrário de ypiranguistas mais ou nem tanto vitoriosos, abnegados ou ‘ambiciosos’, de tino pessoal ou coletivo... Não existe o meu, o teu, o nosso, o deles. Existe – Ypiranga!

O que não pode é o clube, um bem intangível, ser confundido como um bem que estaria mais seguro com este ou aquele; como se sua saúde e alegria não estivessem na razão direta da soma de todos – jamais da discórdia insensata, pequena, perigosamente venenosa – submetendo um sentimento plural a processos de gestão singular de quem quer que tenha sido em qualquer tempo.

EM 2014 o Ypiranga FC conquistou pela quarta vez o direito de voltar à elite do futebol gaúcho.
Para meu gosto, o que não diz muito, o momento seria de discutir a estruturação do clube para fazer futebol com saúde e tranqüilidade – sempre.

E neste momento mais que o goleiro ou o atacante, mais que o técnico ou o preparador físico, mais que a torcida e até a imprensa, o fundamental seria entregar-se a um debate sobre como pavimentar o futuro do clube para que o Canário pudesse voar pelo verde das matas e o amarelo do sol, respirando ar puro, longe do risco de estilingues traiçoeiros.

O YPIRANGA jamais foi fruto da própria costela. Coloque o hino na vitrola/2014: ‘O Ypiranga surgiu para a vida/Com a missão de trazer pelo esporte/A pujança corpórea reunida/A beleza do espírito forte/O valor alcancemos confiantes/E sejamos, portanto, esforçados/Vencedores, fiquemos constantes...’.

O YPIRANGA só nasceu por causa de um rival e ele era – externo. Então, botem a bola no chão. Chega de bico e balão!

PS – Segundo o senhor Milton Doninelli, o Ypiranga teve outro nome – mas por muito pouco tempo – antes de chamar-se como é conhecido. Teria se chamado ‘Brasil’ – e fundado aonde chegou a estar a Madeireira Madalozzo, hoje, Sonda na avenida Tiradentes. Mas, nas minhas pesquisas, sempre encontrei apenas o nome do clube como Ypiranga FC.


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O sucesso não vem por acaso!

BV - 15 - 8 - 2014

O dito não é novo, mas é atual, cada vez mais atual e, sobremodo, verdadeiro. Por isso é que registro neste espaço não como um evento social, mas que pode servir de exemplo para quem tem humildade, a formatura de Janaina Vieira e Felipe Hanauer.


Sim, porque além de ambos pertencerem a famílias simples que sabem de onde vem o pão de cada dia, faço-o ainda por Felipe ser filho do meu primo Nelvo – um dos maiores ouvintes de rádio que esta cidade tem – e, pela ‘Jana’ -, pois posso testemunhar sobre sua luta, um exemplo que vi de perto.
Houve um tempo que optei por dar aulas de redação – especificamente de redação -, no antigo ou já extinto, Núcleo de Educação de Jovens e Adultos. As aulas não eram obrigatórias e tive alunos de 15 a 65 anos.
Mas – como tudo que não é obrigatório, aos poucos, muitos foram encontrando outros compromissos e abandonaram as aulas, de modo que houve um período onde tinha três, às vezes dois alunos.
Entre esses dois – a ‘Jana’ (Janaina Vieira) era uma das que persistiu.
Um dia fiquei feliz por saber que ela era filha da minha colega na reitoria da URI – Miriam Vieira. Incansável e competente funcionária.
Outro dia fiquei mais feliz ainda por saber que a ‘Jana’ tinha passado no vestibular de Contábeis da URI.
Depois soube que trabalhava no Escritório do Mores – hoje presidente da Accie.
E fico ainda mais feliz ao saber que ela se forma ao lado do namorado – Felipe -, e que ambos já estão estudando sobre finanças no Instituto Federal de Educação. Formaram-se dia 2 e três dias depois começaram novo curso.
Pois bem: alguém têm dúvidas que o sucesso na vida profissional os aguarda?
E olha, quando a realidade nos aponta que não temos uma entre as 200 maiores universidades do mundo, que cerca de 19% dos jovens entre 18 e 24 anos chegam ao ensino superior (PNAD 2009) e cerca de 11% sairiam formados -, é de saudar a conquista da ‘Jana’ e do Felipe.
Não sei quantas vezes a sombrinha da ‘Jana’ entortou ao vento sob chuva forte, ou frio intenso - para não perder uma ‘aula’ de redação com sua colega e amiga que não recordo o nome e nem onde anda. Sei das expectativas da sua mãe Miriam e da própria ‘Jana’ que não só sabia o que estava fazendo - como tinha certeza do que queria e como seria a caminhada.
Este é um exemplo de superação, assim como há outros por certo. Mas é um exemplo de como é possível superar o que parece impossível.
‘Jana’ é filha de Miriam e João Vieira e tem ainda a irmã Emily.
Felipe é filho de Neusa e Nelvo Hanauer e tem a irmã Fernanda.
Estudam há anos.
Formaram ontem.
Já estão em novo curso.
Miram o mestrado na área de finanças.
Finanças – onde sonhos e realidade do mundo se encontram, se estranham ou apaziguam. Mas sempre, invariavelmente, que repousa silenciosamente no horizonte das pessoas, das famílias, de grupos, de empresas e empresários, de trabalhadores, das cidades e estados, nações e continentes.
Finanças – sedução do mundo.

Um dia, na URI, um velho e querido amigo do CPOR e executivo de sucesso de uma grande empresa nacional, veio falar sobre dinheiro.
Lá pelas tantas, ao focar sobre as dificuldades que muitos adolescentes têm para decidir sobre que curso fazer no ensino superior ele ensinou: ‘se estiveram realmente em dúvidas, façam Ciências Contábeis. Por que, certamente, saberão lidar muito bem como o dinheiro que um dia vão ganhar. Seja ele pouco ou muito – mas saberão como aproveitá-lo’.

Mas, acima da conquista da ‘Jana’ e do Felipe, do caminho que ambos seguem e da bandeirada final, o que conta em verdade é a caminhada, a luta, o desafio, a decisão de enfrentar muitas coisas para obter um objetivo, alcançar uma conquista, contemplar um sonho, e poder afirmar-se sobre uma base sólida que pode levar a uma vida mais tranquila – tudo isto, graças ao incentivo da família e a uma dedicação que somente os detalhes do dia por dia, da caminhada inteira, podem finalizar com fidelidade o seu derradeiro e verdadeiro retrato.


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Celular na missa

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Pelo menos uma denominação religiosa já decidiu que é proibido entrar com celular no templo. Pensando bem – acho que está certo.

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Já faz algumas semanas, fui à missa no Seminário de Fátima.
Tudo corria normalmente, uns cuidando a roupa dos outros, um que outro cochichando ao ouvindo de outro mais, outro ainda tossindo em acesso preocupante e, sabe-se lá quantos, talvez quase todos – deixando o pensamento ao léu.
E no meio disso o padre fazendo a homilia.

3

Lá pelas tantas toca um celular.
E como a variedade de toques é ‘sem-fim’ o ‘bicho véio’ chamou a atenção mais que devia.

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Imediatamente o dono do telefone ambulante meteu a mão no bolso e, quando eu achei que o considerado ia desligar o aparelho, não é que ele saiu pedindo licença e atendeu!
E se foi pelo corredor interno falando com seu interlocutor, enquanto o padre continuava a homilia.

5

Do jeito que a coisa vai, não estamos longe de chegarmos ao seguinte quadro.
Na comunhão o padre:
– Corpo de Cristo -,
e o cristão
– Amém.

E assim por diante:
- Corpo de Cristo.
- Amém!

Corpo de Cristo.
- Amém!

- Corpo de Cristo.
- Alô!


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

No tempo das diligências!


BV - 1º - 8 - 2014

* Não é de hoje que o Jornal Boa Vista vem alertando sobre problemas que nos afligem. O exemplo mais recente é o artigo escrito e publicado por Egídio Lazzarotto no início deste ano, quase ‘fotografando’ uma ‘crônica de uma tragédia anunciada’ como a que vivemos hoje – isolados do centro do país.
Se tivéssemos uma representação maior que algumas cabeças acreditam que temos, talvez já estivéssemos vivendo, de fato, no século 21, sem a vergonha e a submissão de nos vermos, de forma incrivelmente real ainda dependentes de balsas, correntes, trilhas e tratores tirando caminhões de atoleiros.  
A propósito o que fizeram com o diagnóstico do Alto Uruguai assinado por 32 entidades?
Era 24 de agosto de 2004.
Portando – dez anos.
E o Boa Vista já dizia:

‘Nas asas de mais uma campanha política eleitoral, tudo que é tema ganha sangue, oxigênio e vida.
Com o turismo então...!

Não que os audaciosos e oportunos proponentes pequem por seu oportunismo, mas torna-se oportuno também explorar que a coisa está danada, não, danada é muito comum, a coisa está dolorosa.

Não resta contestação mais gordurosa de que a região Alto Uruguai tem bom potencial a ser explorado pelo turismo – mas a maldição da coisa é que ela é quase epidêmica e indolor: falta ação.

É mister escancarar a chaga: a região Alto Uruguai está fora dos mapas turísticos de massa por várias razões, mas uma salta aos olhos. Nós não temos estradas.

Quem mais têm, quem poderia melhorar suas belezas naturais como Marcelino Ramos, por exemplo?

Quem tem um vale mais acolhedor do que o Dourado?

Quem pode ofertar à vista e ao estômago, 95% de cultura, arte e gastronomia polonesa do que Áurea, Centenário, Carlos Gomes?

Quem pode mesclar à pequena, média e até grandes propriedades senão mais que a região que demanda a Paulo Bento, Jacutinga e Campinas do Sul?

Onde a colônia italiana, a colônia alemã e a judia, afora seus núcleos bem definidos nas ‘colônias velhas’ – onde eles podem ser tocados com as mãos e respirados tão proximamente como em São Valentim , Aratiba, Três Arroios, Mariano Moro, Severiano de Almeida, Erval Grande, Barra do Rio Azul e a Grande Getúlio Vargas com sua Estação, Ipiranga, Erebango...!

Alguém já reparou dos altos da RS-331 entre Gaurama e Viadutos para o vale?

Que região mais, têm três barragens de médio e grande porte?

Que região cria aves, suínos, bovinos, cabritos e até avestruz?

Que região mescla bergamotas com uvas, leite com cachaça?

Onde se vê entre italianos, alemães, poloneses, judeus e gaúchos, onde mais se vê esta fotografia acrescida de indígenas como os que se espalham de Charrua a Ventarra; de Faxinalzinho a Nonoai!

Temos trilhos que o tempo come e digere – mas não temos trem!

Não se pode desconhecer que não faltam projetos para aproveitamento da coisa pronta – mas em termos práticos o que se vê são vagões de intenções e discussões sobre quem é pai e quem é tio do filho Projeto que até aqui ainda só projeto é!

Salvo exceção a boa RS-420 de Erechim a Aratiba, pois afora esta – tente ir a Gaurama, Viadutos e Marcelino Ramos. Tente!

Quem irá no verão às barrancas do Uruguai e por que haveria de ir, se a RS-331 é um escândalo!

Por que pegar o carro e conferir a colônia polonesa e suas atrações ou a barragem do Rio Passo Fundo e suas belezas se as vias são de risco e a visão de abandono pela falta de infra-estrutura.

Depois de Aratiba até a bela Usina Itá – 18 quilômetros de pedra e buraco? Por que ir!

Como sempre estiveram as linhas vicinais de acesso entre essas comunidades interioranas – as tão ricas na matéria prima turística!

Sobre a 480 talvez fosse melhor lançar uma campanha para que a própria virasse atração turística de si - observada por via aérea. Um perfeito exemplar da nossa inoperância e incompetência regional. (Depois acabaria concluída!).

Me recuso depois de 26 anos escrevendo sobre o tema, me recuso de pedir a 480. (Como disse, depois acabaria concluída, mas hoje, anda com rachaduras. Credo!).

O que dizer da nossa decisiva iniciativa, de falta de iniciativa para agregar a região nordeste, a região do Barracão ao Alto Uruguai!?

Não... senhores! Nem pensem em desmanchar aquela extraordinária manifestação geológica produzida pelo tempo e que nos coloca em verdadeiras crateras ‘made na terra alto-uruguaiense’ quando se entra pela RS-126, ali depois de Pinhalzinho até o Barracão!

Não há dúvidas que este pedaço da geografia gaúcha, quase nas barrancas do Uruguai, não há discussão que as matérias primas essenciais para abrir, oferecer e fomentar o turismo, tais matérias as temos em abundância – mas chegar até elas é que são elas.

Mas como bons ‘macacos-de-auditório’ e primos irmãos da ignorância e do atraso não percamos a esperança: afinal, a eleição está chegando e não será por falta de falação que nos transformaremos numa próspera região turística.

E do jeito que essa história de ‘indústria sem chaminé’ vai - aqui nos nossos calcanhares; até eu acho que vou mudar de ramo: se alguma agência bancária quiser bancar um capital a fundo perdido e não a juro-Brasil-2004, eu até me habilito e, vou investir maciçamente na aquisição de uma diligência. Não – uma só é pouco. Poderia implantar uma frota já. Buracos é que não faltariam para a dita-cuja atolar. Haveria até bloqueio de estrada feito por índio e índio-índio, genuíno, made em Brazil e, por que não, claro também, por brancos!.

Que emoção: está aí o meu futuro e eu aqui querendo que acabem com o mais original e fiel dos turismos da nossa geografia. Um ar, pradarias e ruelas – tudo feito e perfeito pra quem viaja em diligência.

Mas atenção – me vem uma ideia melhor: vamos construir um forte e cercar a nossa região. Façamos dela uma espécie de Beto Carrero e não nos esqueçamos, nunca... jamais – que a condição básica, a matéria prima essencialíssima para este tipo de turismo... nós a temos e a produzimos em série: somos desorganizados, somos ridiculamente individualistas e somos, historicamente, paupérrimos em representação política junto às arenas onde as decisões de quem permanecerá no atoleiro são tomadas. 
Por isto concito: exploremos já o roteiro turístico – ‘No tempo das diligências’ – antes que algum esperto oportuno descubra este ovo de Colombo. Se for descoberto, cai numa campanha e, aí se sairá – só Deus sabe!


PS – Pegue o que nos aconteceu na última semana de junho, junte de três a cinco ou dez décadas e bata até cansar. Leve ao forno e se esquecer, fica frio. A matéria nos é extraordinariamente farta. Até por que, sobretudo, somos surpreendentemente fracos.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Os Atlangas do Manequinha!

BV – 25 – 8 - 2014




ESSES DIAS ouvi o Idylio Segundo Badalotti, gerente da rádio Difusão, comentar que havia falecido o Manequinha. Foi um ponteiro esquerdo do Ypiranga, forçando a linguagem, daqueles pontas genuínos, nascidos à beira do gramado. Talhado para jogar aberto, sobre a linha lateral, e em profundidade buscar o fundo e cruzar para o miolo da zaga – na chamada zona do agrião.

MANEQUINHA não foi um craque, mas honrou a camisa 11 do Ypiranga, entregando-se sempre ao máximo pelo seu time. Tinha uma característica pouco comum aos ponteiros: era um ponta esguio, alto, de passada larga. Jogaria hoje como um atacante pelo lado esquerdo, tanto podendo buscar a linha de fundo como atuar também mais pelo meio.

O MANEQUINHA teve seus Atlangas.
Um deles foi há 52 anos.
No dia 22 de julho de 1962.
Lá no estádio da Montanha.
Era um triangular pelo Dia do Futebol.
Ypiranga campeão. 14 de Julho em segundo e o Atlântico – lanterna.

SEGUNDO os registros de A Voz da Serra o Ypiranga, no clássico Atlanga 130, teve o domínio do meio campo e se impôs com naturalidade. Contra o 14 empatou – mas confirmou o título liquidando com o rival Atlântico no primeiro tempo.

COM ARBITRAGEM de José Pinheiro Borges, vizinho de Idylio Badalotti naqueles tempos, o Ypiranga sagrou-se campeão com Osvaldo; Gaieski, Danúbio Winithu e Bira; Breno e Celso; Assis, Bolívar, Dirceu e Manequinha. Naquele dia as árvores ao fundo das goleiras não sofreram com as bombas do Manequinha, que tinha fama de ‘desgalhador de árvores’ com seus chutes potentes quando não atingiam a meta.

FOI O ATLANGA do Manequinha porque naquela tarde de julho de 1962, na saudosa Montanha, o Manequinha obrigou o grande goleiro Miguel a buscar duas vezes a bola no fundo das redes atlantinas. E não era todo dia que um clássico Atlanga terminava com dois gols do mesmo jogador. Naquela tarde o Manequinha fez o 2 a 0 em cima do Galo Verde-Rubro e deu título do ‘Dia do Futebol’ ao canarinho – seu time do coração.

O OUTRO foi no dia 19 de agosto também de 1962. Em plena Baixada Rubra o Ypiranga fez 3 a 0 no Galo. Menos de um mês depois do 22 de julho – Manequinha voltaria a marcar mais dois gols no clássico.

PERDENDO Breno logo no início da partida, expulso, o canarinho se impôs no meio-campo. O 3 a 0 foi construído ainda no primeiro tempo. Ênio e Manequinha, outra vez com doIs gols, deram a vitória ao clube das cores nacionais. Maneco (A) e Hermes (Y) também foram expulsos. O Ypiranga jogou e venceu com: Osvaldo; Celso, Gaieski, Winithu e Bira; Breno Simão e Hermes; Assis, Bolívar, Ênio e ele - Manequinha. A renda somou Cr$ 200 mil.

IRAN MARTINS, o Manequinha, faleceu em 25 de junho, em Tubarão (SC), aos 75 anos. Deixa a esposa Neider Martins e as filhas Denise e Fabíola, gênros, além de três netos. Denise é casada com o diretor geral da URI Erechim, Paulo José Sponchiado.

NÃO SERIA descabido, seria até oportuno, o clube prestar uma homenagem ao seu ponta-esquerda do cabelo arrepiado, pernas compridas, passadas largas e chute potente. 

MANEQUINHA disputou 25 Atlangas com a camisa do Ypiranga, vencendo oito deles e empatando seis. No clássico fez oito gols.



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Mudar princípios ou colecionar derrotas

Painel 18/07/2014
* Sobre o Brasil na Copa do Mundo

PERDEU a concentração do futebol nas mãos de poucos. PERDEU a gestão de algo sem dono.

PERDEU  a falta de punição a quem não pode ir a um estádio. PERDEU o futebol de dirigentes reféns de marginais.

PERDEU  o tratamento do futebol como se fosse uma terra de ninguém. PERDEU o ‘país do futebol’.

PERDEU o jeitinho brasileiro. PERDEU o técnico gritalhão. PERDEU a malandragem.

PERDEU  a bobagem do treino fechado. PERDEU o técnico habituado a pressionar o bandeirinha. PERDEU a enrolação de técnicos que acham que podem enganar a imprensa.

PERDEU  o amadorismo de técnicos que acham que podem enganar o adversário. PERDEU o técnico que não assume seus erros.

PERDEU  o técnico que não consegue ficar sentado no banco e nem na sua área. PERDEU o técnico que faz o feijão com arroz.

PERDEU  a imprensa ufanista. PERDEU a imprensa submissa. PERDEU o repórter que tem medo de perguntar. PERDEU o comentarista caseiro.

PERDEU  o comentarista que vê pênalti num simples encontrão. PERDEU o comentarista que vê falta quando nada foi.

PERDEU  o pessoal da imprensa que não sabe diferenciar o que é um jogo de futebol de uma partida de tênis. PERDEU a imprensa que acha que quem cai – sofreu falta.

PERDEU  o profissional da bola que acha que pode jogar deitado. PERDEU o árbitro que se deixa levar pelos malandros das quedas e das simulações.

PERDERAM o bandeirinha que ergue a bandeira quando um zagueiro levanta o bracinho pedindo impedimento. PERDERAM o árbitro que já vem com o cartão na mão, quando um afamado se esparrama e levanta o bracinho pedindo cartão.

PERDERAM o profissional de imprensa que incita: ‘acho que foi! Quero ver de novo! Acho que errou!’ – para ser estupidamente desmentido no replay. PERDERAM a comissão técnica e os reservas que se expõem saindo de seu lugar para pedir uma faltinha, um toque, um tranco, um cartão. Não é para isso que estão ali.

PERDEU  o público que dá ouvidos a narradores, repórteres e, principalmente, comentaristas do ‘nosso time’. PERDERAM narradores, repórteres e comentaristas que podem e devem ter time. Aliás – tem time. Mas nunca, jamais na hora do jogo.

PERDERAM narradores, repórteres e comentaristas que não jogam, mas que exercem, ou deviam saber que existem para exercer outra atividade, e que não tocam na bola.

PERDEU  a arbitragem que se deixa impressionar contra ou favor de qualquer pressão. PERDEU a arbitragem que não exige profissão.

PERDEU a bola comprida – rifada. PERDEU o ôba-ôba! PERDEU o esquema nunca treinado. PERDEU o esquema nunca treinado à exaustão.

PERDEU  o ‘Deus é brasileiro’. PERDEU a manha. PERDEU a inconsistência de time, de equipe, de grupo, de coletivo.

PERDEU  o time-dependência. PERDEU o time do gênio. PERDEU o ‘vamos pra dentro deles!’.

PERDEU  a falta visível de preparo físico. PERDEU a pressa – afobada. PERDEU a falta de ocupação de todo o campo.

PERDEU  a falta de jogadas ensaiadas. PERDEU o time mais baixo. PERDEU o time mais fraco. PERDEU quem acredita em sorte e azar.

PERDEU  quem credita tudo ao azar. PERDEU quem culpa o gramado. PERDEU quem culpa a bola. PERDEU quem vive puxando a história do ‘dois pesos – duas medidas’.

PERDEU  quem nunca assume nada quando perde. PERDEU a alegria nas pernas. PERDEU a bola parada.

AH – PERDEU  e como perdeu a tese da bola parada. PERDEU a improvisação.  PERDEU o escondedor de time. PERDEU o craque de treino.

PERDEU  o cracaço de amistoso. PERDEU o analista de jogo/engana/bobo. PERDEU quem arrebenta quando não vale nada ou contra o fraquinho.

PERDEU  o fugitivo de jogo. PERDEU o técnico que bota a culpa no vento. PERDEU o técnico que na coletiva pós-jogo lembra todos que estão lesionados e lesionados.

PERDEU  o rei do cartão. PERDEU o impaciente. PERDEU o que levanta os bracinhos e pede o apoio da torcida como se ela pudesse entrar em campo, e não errar o gol que perna-de-pau erra.

PERDEU  o omisso. PERDEU o inconsequente que só reclama do árbitro. PERDEU o capitão que nunca intervém chamando a atenção de seus companheiros.

PERDEU  o técnico que não sabe o ‘banco’ que tem. PERDEU o técnico que manda ‘chegar junto’. PERDEU o técnico que não estuda futebol. PERDEU o técnico e o grupo que não leem. PERDEU o técnico que se acha perseguido por árbitros e arbitragens.

PERDEU  o jogador de bola que desiste fácil do lance. PERDEU o jogador cai/cai. PERDEU quem se estatela escandalosamente, e desperdiça chance viva de gol.

PERDEU  a prepotência. PERDEU a falta de educação. PERDEU o apelo grotesco e o ‘pardalismo’ de última hora. PERDEU o goleiro que sai jogando no balão.

PERDEU  o micuim que sofre um choque e sai rolando como quem sofre um ataque de morte. PERDEU o dirigente que paga o que paga porque o clube não é seu.

PERDEU o cartolismo.  PERDEU a politicagem no futebol. PERDEU a distinção de camisa.

PERDEU a mão na cabeça do sem-compromisso. PERDEU o ingresso o futebol show. PERDEU o futebol de circo.

PERDEU a coroa quem já foi rei. PERDEU a imprensa que transforma medíocres em bons, bons em muito bons, muito bons e craques.

PERDEU  quem cobra futebol de primeira, ficou em quarto, e faz futebol de quinta. PERDEU a ginga brasileira. PERDEU o boné.

PERDEU  o corte de cabelo mais descabelado. PERDEU o bracinho mais tatuado. PERDEU o corpinho mais enfeitado. PERDEU o fonezinho.

PERDEU  o escravo celular. PERDEU o boçal. PERDEU o segurança de perna-de-pau. PERDEU o assessor de imprensa de comuns. PERDEU a orelha emoldurada de brincos.

PERDEU  o correntão. PERDEU o boleiro rei-da-maca. PERDEU o craque do chinelinho.

PERDEU  o que não tem personalidade própria. PERDEU o que não tem coragem de assumir a derrota. PERDEU o que não vê na derrota a chance de melhorar, recuperar e vencer.

PERDEU o sabe tudo. PERDEU o que acha que celebridade não treina. PERDEU o que acha que celebridade não ensaia. PERDEU o que acha que celebridade não tem humildade.

PERDEU  o que acha que seu ‘dom’ basta. PERDEU o técnico paizão. PERDEU o técnico turrão. PERDEU o lento. PERDEU o que espera a bola no pé.

PERDEU  o levantador de bracinho pedindo impedimento achando que é o dono do jogo. PERDEU o que quer levar a bola pra casa. PERDEU o dirigente que não cobra da sua comissão técnica.

PERDEU  o dirigente que endossa a reclamação de seus comandados. PERDEU o dirigente que não sabe que o futebol é paixão – mas que as decisões jamais podem prescindir da razão.

PERDEU  quem acha que do outro lado não tem outro time, outros profissionais e com a mesma ambição. PERDEU o ‘parece’ que houve o pênalti, ‘parece’ que o atacante tinha condições, ‘parece’ que o jogador foi tocado dentro da área, ‘parece’ que a bola ainda não tinha saído, ‘parece’ que era lance para cartão vermelho’...

PERDEU  o ‘parece’. PERDEU o craque de botão. PERDEU o craque de impostores do futebol. PERDEU o Marketing de interesse pessoal/comercial.

PERDEU  a indústria do entretenimento/comercial. PERDEU o futebol de horário de boate. PERDEU o futebol de vinho de garrafão ao sol, de preço de garrafa de vinho francês.

PERDEU  a escolinha de base que não ensina fundamento. PERDEU a escolinha de base que não fiscalização, de sério, a escola do garoto. PERDEU a escolinha de base que prioriza o filho do compadre, da filha do tio, da vó, da madrinha, do vizinho.

PERDEU  o esquema - ‘bota quem tem mercado’. PERDEU a escolinha de base que busca título. PERDEU a escolinha que não busca a formação. PERDEU o descontrole emocional.

PERDEU  a falta de equilíbrio. PERDEU a falta de respeito ao planejamento. PERDEU o respeito à necessidade de organização. PERDEU o despreparo à adversidade.

PERDEU a incapacidade de mudar. PERDEU a capacidade poder alterar um panorama. PERDEU a força do coletivo. PERDEU a ilusão do ‘vai que dá – é nosso’.

PERDEU a firula. PERDEU o rei da caneta inútil. PERDEU a cobrança burra da imprensa para resultados imediatos de campo. PERDEU a fala emotiva e irreal de torcedores em cima de um resultado.

PERDEU  a falta de serenidade. PERDEU a falta de paciência com técnicos. PERDEU a seriedade. PERDEU a concentração. PERDEU o foco.

PERDEU  a falta de humildade e o excesso de egocentrismo. PERDEU o futebol como esporte. PERDEU o passado. PERDEU o atraso. PERDEU o imediatismo. PERDEU o falso patriotismo.

PERDEU  o amadorismo. VENCEU - o profissionalismo!




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AINDA CHEIAS 1 – Pois, muito se discutiu sobre se a enchente do final de junho passado ou a maior dos últimos anos, dos últimos tempos, da última década ou se foi a maior de todas. Falaram em 1983, 1965, 1963...     

AINDA CHEIAS 2 – Recorro a uma informação que considero poder ajudar a esclarecer o assunto e busco na memória.

AINDA CHEIAS 3 – Dos 7 aos 15 anos passava as férias de julho e depois de verão em Sede Dourado , na casa de tios e primos, virando literalmente um colono. Naquele tempo – colono era um termo que dava orgulho, hoje, é ofensivo. Sinal dos tempos. Aparentemente é tudo diferente – mas igual.

AINDA AS CHEIAS 4 – Aos domingos todos íamos à missa na vila. Eram quatro quilômetros a pé e a passagem, ida e volta, sobre a temível pinguela, hoje ‘ponte pênsil’. Sinal dos tempos – aparentemente é tudo diferente, mas igual.

AINDA AS CHEIAS 5 – A pinguela ‘afundava’ a cada passo e jogava para os dois lados. Lá embaixo o estarrecedor barulho das águas do Dourado contra as pedras.

AINDA AS CHEIAS 6 – Havia dois pontos com pinguelas sobre o Dourado. De anos em anos notava que a ponta estava nova. Tinha sido recuperada. Uma ou outra tábua fora trocada. Não suportava as velhacarias do tempo. Muitas vezes, em tempos de cheias, se falava que a água chegara até mais da metade do leito, quase tocando o chão da pinguela. Nossa!

AINDA AS CHEIAS 7 – Esta semana fiquei sabendo duas coisas sobre as pinguelas do Dourado. Uma: teriam entre quase 70 anos as pinguelas. Isso mesmo. Uma vida cheia. Outra: quando as águas do Dourado baixaram na semana passada – as pinguelas não estavam mais lá.

AINDA AS CHEIAS 8 - Para mim isso resume tudo sobre as cheias de junho de 2014. Não discuto com ninguém qual foi a maior. Cito isso – e viro a página. Setenta anos aguentando enchentes. Na de 2014 – sumiram.  


Tempos de Balsa
MEMORÁVEIS foram sem dúvida nenhuma os tempos em que toras e madeiras de grande valor pegaram carona nas balsas da costa do Alto Uruguai, descendo rio abaixo rumo a Buenos Aires é o que se diz.

DE LÁ, a economia produzida sem custo pela natureza, viajava para a Europa. Que finos móveis, cômodos e casas as madeiras do Alto Uruguai devem ter proporcionado aos europeus!?

HÁ UM vídeo na internet que fala sobre a história de balseiros a partir de Chapecó rumo ao Porto Goio En. Os pinheiros despencavam sob gritos de saudação.

DE LÁ eram levadas às serrarias e transformadas em finas tábuas. E depois, classificadas e rumo à beira do Uruguai onde, gloriosamente, eram amarradas formando balsas.

HÁ QUEM garanta que sobre as balsas via-se, além de homens destemidos é claro, fogão a lenha, vaca de leite, cachorros, camas e banheiros, roupas estendidas. Era uma viagem e tanto.

VIRADA A PÁGINA dos balseiros veio o caminhão e o carro de passeio. E como atravessar o rio Uruguai? Como chegar a Santa Catarina? Pela estrada de ferro de Marcelino Ramos! Construída em 1910, foi levada antes de finalizada, por uma enchente. Mas em 1913 a ponte de ferro de 500 metros de extensão estava pronta.

FINALMENTE tínhamos na nossa região uma travessia confiável, segura, útil e próxima de Erechim. Estávamos no Brasil.

DURANTE os anos seguintes, no entanto, uma balsa jamais deixou de cumprir seu papel. Como o rio ali de certa forma se represa por conta do Lago Itá, o rio elevou-se um pouco, ficou mais manso e, depois com a BR 153 tanto a ponte rodoferroviária quanto a balsa assistiram uma queda no requisito das suas utilidades.

COM A BR 153 e o crescimento natural de Erechim, a evolução do transporte sobre quatro rodas e a desativação (escancarando toda a burrice de um país que vislumbra desenvolver-se) também a BR começou a ficar sobrecarregada.

UM DIA a BR ficou tão encharcada que cedeu e caiu perto do Estreito. Ficou meses sem poder ser usada na sua plenitude e passar por lá era perigoso. Remendaram daqui e dali e deram condições.

OUTRO DIA, agora em junho de 2014 a enxurrada veio com jeito de maior de todas, pelo menos até onde as aferições alcançam. E aí a estrada não agüentou e rachou em dois pontos. Vai exigir dois desvios chegando a 600 metros de desvio.

E DE SORTE que de 30 a 45 dias ninguém sai e ninguém entra no estado pela BR 153 naqueles pontos.
 
TORCEDORES argentinos que vieram ao Brasil passando por Erechim e Marcelino Ramos não levaram o título – mas podem contar uma história que talvez seus filhos se encantem. Para atravessar o rio Uruguai no progressista Alto Uruguai, arriscaram-se sobre uma ponte rodoferroviária – cheia de tábuas e pregos soltos no assoalho, ou, bebendo da experiência dos balseiros que há 101 anos levavam tábuas para Buenos Aires.

ENQUANTO isso a 420 trancada e em Erval Grande, a comunidade cortando um potreiro para fazer um desvio. E viva o Alto Uruguai!